Inês Silva
Inês Silva
30 Abr, 2020 - 15:10

Trabalho pós-pandemia: trabalho presencial ou teletrabalho?

Inês Silva

Como será o trabalho pós-pandemia? Haverá empresas a continuar com o teletrabalho ou regressa o trabalho presencial? E o que dizem os trabalhadores?

mulher em teletrabalho

Numa altura em que começa a falar em regressar à normalidade depois de semanas de confinamento e teletrabalho para alguns, é natural que se pese os prós e os contras e se pense também alterações que devem ser feitas nos locais de trabalho pós-pandemia.

O mercado laboral pós-COVID não será o mesmo, não há como o negar. Além do fecho de alguns estabelecimentos e empresas que, entretanto, vão abrir de forma faseada e com cautelas porque a saúde económica do país assim o necessita, há também um grande grupo de portugueses que está em teletrabalho há mais de um mês. E é sobre estes últimos que vamos falar. Será que o trabalho pós-pandemia significa teletrabalho, trabalho presencial ou uma mistura dos dois?

Trabalho pós-pandemia: teletrabalho é uma opção viável?

trabalho pós-pandemia no escritório mulher com máscara

De acordo com um inquérito realizado pelo Prémio Cinco Estrelas, em parceria com a Multidados, 68% dos inquiridos gostaria de uma mistura entre teletrabalho e trabalho presencial. Maior autonomia no equilíbrio entre a vida profissional/pessoal e a melhor gestão e planeamento do tempo são algumas das vantagens indicadas pelos inquiridos neste período excecional.

“Poderá o teletrabalho ser uma opção viável no pós-pandemia?” foi a questão colocada a 500 pessoas, de todo o país.

64% dos inquiridos em teletrabalho, referiram que os níveis de stress ainda estão relativamente estáveis, com uma pontuação média de 6, numa escala de 0 (nenhum) a 10 (demasiado). Trabalhar em casa exigiu uma adaptação e nova forma de estar, mas isso não prejudicou totalmente a produtividade dos inquiridos, que consideram que a sua produtividade aumentou em média 5, numa escala de 0 a 10.

68% gostaria de alternar entre teletrabalho e trabalho presencial

A maioria, sobre a possibilidade de trabalhar sempre a partir de casa, respondeu preferir trabalhar alternando entre o teletrabalho e a empresa. Destes, cerca 30%, escolhia trabalhar três dias em casa e dois dias no local de trabalho.

A justificação para esta opção está nos 71% que referiram comunicar bastante com os colegas e superiores nas instalações da empresa, e com o facto de, em casa, conseguirem cumprir os horários estipulados, tal como se estivessem no escritório.

De facto, de 0 a 10, a resposta à questão “Equaciona o teletrabalho uma solução de futuro, mesmo após a pandemia?” obteve como resposta positiva a média de 6.

Ou seja, perante estes resultados, pode concluir-se que a experiência de teletrabalho foi, em geral, positiva para grande parte dos trabalhadores e empresas que, mesmo após a COVID-19, estariam dispostos a continuar parcialmente neste regime de trabalho.

O inquérito teve como base uma amostra de 500 pessoas, de todo o país. 37% dos inquiridos são do sexo masculino e 63% do sexo feminino. A grande maioria (49%) situa-se na faixa dos 31aos 45 anos, tem curso superior (44%) e como ocupação o trabalho em escritórios (24%), profissões técnicas, científicas e artísticas (20%) e liberais (17%).

19 recomendações da ACT para o regresso ao trabalho

Tem estado na ordem do dia o regresso ao trabalho pós-pandemia COVID-19 e, por isso, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) divulgou 19 recomendações para trabalhadores e empregadores no regresso ao trabalho presencial:

  1. Se o trabalhador tiver algum sintoma associado à COVID-19, não deve regressar ao seu local de trabalho sem antes confirmar que não existe risco para si nem para outros;
  2. Caso o trabalhador pertença ao grupo de pessoas sujeitas a um dever especial de proteção, deve, preferencialmente, realizar as suas tarefas remotamente, ou seja, em teletrabalho;
  3. Se o trabalhador manteve contacto próximo com casos confirmados ou suspeitos de COVID-19, não deve regressar ao seu local de trabalho sem antes contactar a linha Saúde 24;
  4. O regresso dos trabalhadores deve ser faseado, avaliando se é possível optar pelo teletrabalho;
  5. Assegurar o planeamento, monitorização e reforço da informação sobre as medidas de prevenção para trabalhadores e clientes e/ou fornecedores;
  6. Fornecer água e sabão ou desinfetante para as mãos em locais convenientes;
  7. Assegurar uma boa ventilação e limpeza dos locais de trabalho;
  8. Reduzir os contactos entre trabalhadores, e entre trabalhadores e clientes e/ou fornecedores;
  9. Reduzir os contactos entre trabalhadores e outras pessoas nos intervalos, pausas e espaços comuns;
  10. Nas empresas ou estabelecimentos abertos ao público, deve ser eliminada ou limitada a interação física entre trabalhadores e clientes e/ou fornecedores;
  11. Garantir o acesso de todos os trabalhadores aos equipamentos de proteção individual adequados;
  12. Reforçar as práticas de higienização dos equipamentos de proteção individual e roupas de trabalho;
  13. Viagens de trabalho e trabalho prestado em veículos devem ser objeto de especiais precauções;
  14. Nas deslocações de e para o trabalho deve evitar-se sempre que possível o ajuntamento de pessoas, nomeadamente nos transportes coletivos e no acesso aos locais de trabalho;
  15. O empregador deve garantir que estão reunidas as condições de prestação de trabalho em regime de teletrabalho;
  16. O empregador deve minimizar os riscos físicos e psicossociais para os trabalhadores que estão em regime de teletrabalho;
  17. O teletrabalho, em particular no quadro da atual pandemia, deve atender à necessidade de alguma flexibilidade sem deixar de se assegurar uma organização eficaz do trabalho;
  18. Empregadores e trabalhadores têm responsabilidades partilhadas na prevenção e mitigação da pandemia COVID-19 nos locais de trabalho;
  19. O diálogo social permanente a todos os níveis é de particular importância neste contexto, pelo que é considerada boa prática o esforço da informação e consulta dos trabalhadores e, sempre que existam, das suas estruturas representativas.
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