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Teresa Campos
Teresa Campos
12 Fev, 2021 - 11:44

Dislexia: quais os sinais e manifestações mais comuns

Teresa Campos

A dislexia não impede o sucesso escolar ou profissional do indivíduo disléxico. Saiba mais sobre esta disfunção neurológica.

aluna que usufrui de escalões do subsídio escolar a estudar

A dislexia é uma disfunção neurológica que se manifesta através de uma dificuldade de aprendizagem da leitura. As pessoas têm uma inteligência normal ou mesmo acima da média.

Esta dificuldade crónica não tem qualquer relação com a qualidade do ensino, o nível intelectual, as oportunidades socioculturais ou as alterações sensoriais do indivíduo. A dislexia tem uma base neurobiológica, causando alterações na estrutura e funcionamento neurológico, podendo ter ou não um peso genético. Saiba mais.

O que é a dislexia?

Quem sofre de dislexia precisa de fazer um esforço acrescido para distinguir letras, formar palavras e compreender o seu significado.

Convém sublinhar que os alunos com dislexia não são preguiçosos, pouco inteligentes ou imaturos, nem têm, necessariamente, problemas visuais ou de postura. Eles precisam, sim, de uma terapêutica adequada e intensivo e de apoio no processo de ensino-aprendizagem, de modo a conseguirem alcançar o sucesso e melhorarem a sua prestação.

Ainda que esteja relacionada com a aprendizagem da leitura, a dislexia também pode interferir noutras áreas académicas, bem como a nível emocional e comportamental.

É ainda frequente a existência de outros problemas, nomeadamente:

dislexia na escola

Como se manifesta a dislexia?

Há sintomas comuns aos indivíduos com dislexia, os quais ajudam a um diagnóstico mais precoce desta disfunção. A dislexia pode manifestar-se em campos tão diversos como: a leitura, a escrita, o comportamento e as emoções.

Leitura

  • Dificuldades na aquisição e desenvolvimento do automatismo na leitura;
  • Leitura silabada, hesitante e com muitas incorreções;
  • Precisão e velocidade da leitura inferiores ao esperado para a idade e nível escolar;
  • Dificuldade na leitura de palavras irregulares e pouco frequentes;
  • Dificuldades na compreensão de textos e enunciados lidos;
  • Dificuldades no processamento fonológico: consciência fonológica, codificação fonológica e recuperação dos códigos fonológicos;
  • Dificuldade na descodificação de letras ou sílabas com trocas fonológicas e lexicais: o-u; p-t; b-v; s-ss-ç; s-z; f-t; m-n; f-v; g-j; ch-x; x/ch-j; z-j; nh-lh-ch; ão-am; ão-ou; ou-on; au-ao; ai-ia; per-pre;
  • Substituição de palavras por outras de estrutura similar, com significado diferente (saltou-salvou) e/ou substituição de palavras inteiras por outras semanticamente próximas (cão-gato; bonito-lindo; carro-automóvel).

Escrita

  • Dificuldades na escrita, na fase de iniciação e/ou de desenvolvimento;
  • Dificuldade na associação do som ao desenho da letra;
  • Dificuldade na rechamada de palavras;
  • Utilização de vocabulário restrito;
  • Presença de muitos erros ortográficos e sintáticos;
  • Frases com palavras unidas ou separadas;
  • Palavras com letras ou sílabas repetidas, ou colocadas antes ou depois do lugar correto;
  • Omissão ou adição de letras e sílabas (ex: livro-livo; batata-bata; flor-felore;);
  • Ligação ou separação de palavras ou sílabas (às vezes-àsvezes; agora-a gora);
  • Confusão de letras com sons próximos ou com desenho equivalente;
  • Presença de erros de concordância em género e número ou tempo verbal;
  • Não domínio do uso de regras de pontuação;
  • Desrespeito de regras gráficas (uso da cedilha, do hífen, traços, letra maiúscula) ou de translineação;
  • Dificuldade em exprimir ideias, em iniciar e desenvolver uma composição;
  • Dificuldade na organização das ideias no texto;
  • Má qualidade da caligrafia, letra rasurada, e irregular.

Comportamento

  • Demorar muito tempo a realizar os trabalhos de casa;
  • Recorrer a estratégias para não ler;
  • Não revelar prazer pela leitura;
  • Distração com facilidade perante qualquer estímulo exterior;
  • Apresentar curtos períodos de atenção;
  • Resultados escolares inferiores à capacidade intelectual;
  • Melhores resultados nas avaliações orais do que nas escritas;
  • Dificuldade na aprendizagem de idiomas estrangeiros;
  • Não gostar das tarefas da escola que impliquem ler ou escrever;
  • Comportamentos de oposição e de desobediência para com a figura de autoridade (pais, professores);
  • Comportamentos de isolamento ou anulação na escola e em sala de aula;
  • Comportamentos de inibição ou bloqueio, sempre que se exige exposição;
  • Resultados escolares que não refletem a aplicação e enorme esforço;
  • Revelar criatividade em algum domínio.

Alterações emocionais

  • Ansiedade nos momentos de avaliação ou atividades que impliquem ler e escrever;
  • Sentimento de tristeza e de frustração quando não consegue concretizar uma tarefa;
  • Baixa autoestima e sentimento de inferioridade;
  • Vergonha perante os insucessos escolares;
  • Enurese noturna (perda involuntária de urina);
  • Perturbações do sono.
Primeiro ano de escola
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Como diagnosticar e lidar com a dislexia?

Num primeiro momento, os sinais de dislexia são frequentemente detetados por educadores, professores e/ou familiares que sinalizam algumas dificuldades de aprendizagem, as quais podem provocar sentimentos de frustração e de inferioridade ao indivíduo.

Perante este quadro, deve encaminhar-se a criança para uma consulta de psicologia e/ou educação especial, de modo a realizar uma avaliação psicopedagógica que possa confirmar ou não a suspeita de dislexia.

Nessa consulta, são tidas em consideração:

  • a história clínica da criança;
  • a análise cognitiva e comportamental;
  • a avaliação da leitura (descodificação e compreensão), da linguagem oral e escrita e, por vezes, da linguagem quantitativa, de modo a identificar o tipo de erros, a sua intensidade e duração.

Os resultados desta avaliação permitem traçar um plano de intervenção com metodologias adequadas a cada criança. Esse plano deve ser posto em prática por profissionais de saúde, família e professores. Só um trabalho de equipa, bem coordenado, é capaz de gerar frutos.

mãe a ajudar filho nos trabalhos da escola

Idade pré-escolar

Uma intervenção precoce em casos de dislexia permite ultrapassar aproximadamente 90% das dificuldades. Portanto, idealmente, este apoio mais especializado deve ter início antes da entrada no primeiro ciclo, de maneira a dotar a criança dos pré-requisitos da aprendizagem da leitura.

Contudo, importa dizer que uma criança em idade pré-escolar ainda não pode ser considerada disléxica, embora já possa apresentar sinais indicativos de dislexia, tais como:

  • demonstrar falta de atenção ou dificuldade em concentrar-se;
  • ter um atraso no desenvolvimento da linguagem e nas atividades de expressão oral;
  • ter dificuldade em fixar as cores, a sua direita e esquerda, ou rimas e canções e em participar em jogos de memória ou em representar a figura humana, entre outros;
  • manifestar desinteresse por tarefas “escolares” como estar sentado, realizar fichas ou ouvir histórias.

Apesar de nesta idade ainda não ser possível fazer um diagnóstico, mesmo perante indicadores suspeitos de dislexia, é aconselhável que a criança seja desde logo acompanhada, de modo a evitar o agravamento das suas dificuldades.

Avaliação adaptada

Os alunos com dislexia estão abrangidos pelo Decreto Lei n.º 3/2008, que permite que sejam efetuadas adequações nas condições de avaliação desses estudantes, quer em provas de frequência, quer em exames.

Também na prestação de provas para obtenção da Carta de Condução (exames de código e de condução), os indivíduos disléxicos têm direito a adequações nas provas, de modo a evitar ou a diminuir erros causados pela forma como o cérebro processa de maneira diferente símbolos e ordens.

Para mais informações, consulte a Associação Portuguesa de Dislexia.

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