Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
21 Out, 2026 - 13:00

Educador social: quanto ganha numa IPSS e no Estado

Cláudia Pereira

Que licenciatura tirar, onde há trabalho e quanto se ganha numa IPSS ou na função pública. Veja os salários mínimos atualmente em vigor para a carreira de Educador Social.

Um educador social com licenciatura que entre numa IPSS tem direito, no mínimo, a 1230 euros brutos por mês. Se entrar na função pública como técnico superior, o ponto de partida sobe para 1499,15 euros.

A diferença explica-se pelas regras de cada setor. Nas instituições particulares de solidariedade social, os salários seguem os contratos coletivos da CNIS; no Estado, seguem a Tabela Remuneratória Única. A licenciatura em Educação Social dá acesso às duas carreiras.

E não faltam sítios onde aplicar a formação. Lares de idosos, casas de acolhimento para crianças e jovens, escolas, autarquias e projetos de intervenção comunitária recrutam estes profissionais, com regras e salários diferentes em cada caso.

O que faz um educador social

O educador social é o profissional que concebe, executa e avalia projetos de intervenção socioeducativa e acompanha os processos de socialização e inserção das pessoas, reforçando as suas competências pessoais, sociais e profissionais. É esta a definição do contrato coletivo das IPSS, que refere expressamente o trabalho com crianças, adolescentes, jovens e idosos.

Na prática, pode estar a gerir o projeto de vida de um jovem numa casa de acolhimento, a mediar conflitos numa escola ou a dinamizar respostas para idosos isolados. O trabalho faz-se muitas vezes em equipa, com psicólogos e assistentes sociais.

Há um ponto a ter em conta: a educação social não tem ordem profissional, ao contrário do serviço social ou da psicologia. A APTSES, associação que representa os técnicos superiores de educação social, tem uma proposta de estatuto profissional, mas a profissão continua sem regulamentação própria.

Que formação é preciso ter

O caminho principal é a licenciatura em Educação Social (1.º ciclo do ensino superior). Segundo a Direção-Geral do Ensino Superior, em 2026 o curso era oferecido por 16 instituições, com 537 vagas no total. As maiores ofertas estavam em três politécnicos públicos:

InstituiçãoVagas 2026
Instituto Politécnico de Bragança – ESE90
Instituto Politécnico de Viseu – ESE64
Instituto Politécnico do Porto – ESE54

Há ainda oferta em Leiria, Santarém, Portalegre, no Algarve e em várias instituições privadas. Confirme as provas de ingresso e as notas de entrada na página de cada curso no site da DGES antes da candidatura. Sabendo onde estudar, resta perceber quanto vale o diploma no recibo de vencimento.

Quanto ganha um educador social

Nas IPSS, os contratos coletivos da CNIS (Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade) definem salários mínimos por nível. Entidades fora do seu âmbito podem ter convenções próprias. Na função pública aplica-se a Tabela Remuneratória Única.

IPSS – contratos coletivos da CNIS, tabela A (efeitos a 1 de janeiro de 2026):

CategoriaNívelSalário mínimo bruto
Técnico superior de educação social de 3.ªV1230 €
Técnico superior de educação social de 2.ªIV1251 €
Técnico superior de educação social de 1.ªIII1304 €
Técnico superior de educação social principalII1374 €
Educador social de 2.ªIX988 €
Educador social de 1.ªVIII1017 €
Função pública (Decreto-Lei n.º 29-A/2026) – técnico superior, 1.ª posição – 1499,15 €.
Salário mínimo nacional 2026: 920 € (Decreto-Lei n.º 139/2025).

Nas IPSS

O contrato exige licenciatura para as categorias de técnico superior. Quem entra com o curso superior começa, em regra, como técnico superior de educação social de 3.ª, com 1230 euros brutos e um horário de 35 horas semanais. Cada subida, para 2.ª, 1.ª e principal, exige três anos de bom e efetivo serviço. Ao fim de pelo menos nove anos, chegar a principal significa mais 144 euros por mês.

O contrato tem também a categoria de educador social, que não exige licenciatura e paga menos, 988 euros na 2.ª classe. Quem está nesta categoria e conclui a licenciatura passa a técnico superior. Antes de assinar, confirme em que categoria fica enquadrado. A diferença para técnico superior de 3.ª é de 242 euros por mês, ou 3388 euros brutos por ano.

Na função pública

Há câmaras municipais a abrir concursos para técnico superior com exigência de licenciatura em Educação Social. Face ao mínimo de entrada numa IPSS, são mais 269,15 euros por mês, 3768,10 euros brutos por ano. Compare sempre a proposta com a tabela antes de aceitar.

Onde há trabalho e como entrar

Nos lares, a Portaria n.º 67/2012, na redação dada pela Portaria n.º 349/2023, obriga cada estrutura residencial para pessoas idosas a ter, no mínimo, um animador sociocultural, educador social ou técnico de geriatria a tempo parcial por cada 40 residentes. Ou seja, a mesma vaga pode ser ocupada por qualquer uma das três profissões.

Nas casas de acolhimento para crianças e jovens, a Portaria n.º 450/2023 exige que a equipa técnica seja formada por profissionais com formação superior em ciências sociais e humanas, incluindo obrigatoriamente psicologia e serviço social. A educação social cabe neste perfil, mas não tem lugar reservado.

Há também procura em escolas, autarquias e associações de intervenção comunitária. Para o Estado, o caminho são os concursos publicados no Diário da República e na Bolsa de Emprego Público.

Formação complementar em mediação familiar, gerontologia ou proteção de crianças pode pesar na seleção, sobretudo quando a vaga está aberta a várias licenciaturas.

Licenciatura em Educação Social: compensa?

Faça as contas a dez anos, aos mínimos atuais e sem contar com aumentos nem progressões. Numa IPSS, como técnico superior de 3.ª, são 172.200 euros brutos. Na função pública, na 1.ª posição, são 209.881 euros.

Não espere o salário de topo logo à entrada, mas a licenciatura abre duas portas que o 12.º ano mantém fechadas e a diferença entre elas é de 37.681 euros numa década.

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Fontes

APTSES. (s.d.). Proposta de Estatuto Profissional do Técnico Superior de Educação Social. http://www.aptses.pt/estatuto-do-tecnico-superior-de-educacao-social/

Contrato coletivo entre a CNIS e a FEPCES – Alteração salarial e outras. (2026, agosto 8). Boletim do Trabalho e Emprego, 29, 57-64 (Anexo V – Tabelas de retribuições mínimas 2026). http://bte.gep.msess.gov.pt/completos/2026/bte29_2026.pdf

Contrato coletivo entre a CNIS e a FNE e outros – Revisão global. (2022, dezembro 22). Boletim do Trabalho e Emprego, 47 (Anexo I – definição de funções; Anexo II – admissão e carreiras; Anexo IV – enquadramento em níveis). https://bte.dgcp.mtsss.gov.pt/completos/2022/bte47_2022.pdf

Decreto-Lei n.º 29-A/2026, de 30 de janeiro. (2026). Diário da República, 1.ª série, n.º 21 (suplemento). https://drh.tecnico.ulisboa.pt/files/sites/45/dl29_a_2026_brap.pdf

Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho. (2026). Retribuição mínima mensal garantida para 2026 (Decreto-Lei n.º 139/2025, de 29 de dezembro). https://www.dgert.gov.pt/retribuicao-minima-mensal-garantida-para-2026

Direção-Geral do Ensino Superior. (2026). Educação Social – instituições e vagas. https://www.dges.gov.pt/Guias/indcurso.asp?curso=9084

Município da Marinha Grande. (2026). Aviso (extrato) n.º 13979/2026/2 – Procedimento concursal para técnico superior (Educação Social). https://www.cm-mgrande.pt/cmmgrande/uploads/document/file/8962/aviso__extrato__no_13979_2026_2.pdf

Portaria n.º 349/2023, de 13 de novembro. (2023). Diário da República, 1.ª série, n.º 219. https://files.diariodarepublica.pt/1s/2023/11/21900/0002700051.pdf

Portaria n.º 450/2023, de 22 de dezembro. (2023). Diário da República, 1.ª série. https://pessoas2030.gov.pt/wp-content/uploads/sites/19/2023/12/Portaria-n.-450.2023_22.12.pdf

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