Share the post "Eletricidade mais cara em outubro: quanto sobe a fatura e porquê"
A partir de 1 de outubro, a fatura da eletricidade no mercado regulado aumenta, em média, 2,7%. O anúncio foi feito pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e afeta diretamente cerca de 779 mil clientes domésticos que ainda mantêm contrato neste regime.
Na prática, um casal sem filhos passa a pagar mais 0,95 euros por mês, enquanto uma família com dois filhos vê a fatura agravar-se em cerca de 2,70 euros.
Este ajustamento não é uma simples atualização de rotina. Resulta de uma revisão extraordinária das tarifas, motivada pela subida do preço do gás natural nos mercados internacionais.
Quanto vai subir a fatura da eletricidade em outubro
Segundo as simulações divulgadas pela ERSE, os novos valores mensais para clientes do mercado regulado sobem um bom pedaço:
- Casal sem filhos (potência contratada de 3,45 kVA): passa a pagar 37,77 euros por mês, mais 0,95 euros do que em setembro.
- Casal com dois filhos (potência contratada de 6,9 kVA): fatura média mensal de 97,73 euros, mais 2,70 euros face ao mês anterior.
O aumento tem origem numa correção ao valor da componente de energia da tarifa, que passou a refletir custos de aquisição mais elevados do que os inicialmente previstos para este ano.
Porque motivo sobe agora o preço da eletricidade?

A justificação apresentada pela ERSE está associada à subida dos custos suportados pelo Comercializador de Último Recurso (CUR) na compra de eletricidade, que ficaram acima do que tinha sido estimado para 2026.
Este desvio reflete a evolução dos preços no mercado grossista de eletricidade ao longo do ano, um movimento que o regulador atribui, em grande medida, ao conflito entre o Irão e os Estados Unidos.
A tensão geopolítica no Médio Oriente empurrou para cima o preço do gás natural, matéria-prima que continua a ter um peso relevante na formação do preço da eletricidade em Portugal e na Europa.
Como o próprio regulador reconhece, “a magnitude desta subida era de difícil previsão aquando da definição das tarifas para 2026”, precisamente porque decorre de um choque externo e não de uma tendência estrutural do setor energético nacional.
Esta atualização resulta ainda do mecanismo de revisão trimestral previsto no Regulamento Tarifário, através do qual a ERSE acompanha, período a período, a evolução real dos custos de aquisição de energia.
Quem é abrangido por este aumento
A subida aplica-se aos clientes do mercado regulado, um grupo que representa cerca de 4,6% do consumo total de eletricidade em Portugal continental.
São, na sua maioria, consumidores que nunca migraram para o mercado liberalizado ou que optaram por regressar a este regime, hoje residual face à dimensão do mercado livre.
Vale a pena esclarecer que a nova tarifa entra em vigor precisamente a 1 de outubro e que o número de clientes considerado (779 mil) corresponde ao registado em junho, podendo ter sofrido pequenas variações desde então.
E quem está no mercado livre, também é afetado?

Não necessariamente. A ERSE é clara ao afirmar que esta atualização não obriga as comercializadoras do mercado livre a repercutirem o mesmo aumento nos seus preços.
Cada empresa define a sua própria estratégia de aprovisionamento de energia e as suas condições comerciais, pelo que os preços podem manter-se estáveis, subir menos, subir mais, ou até descer, consoante o operador.
Ainda assim, é importante ter presente que os preços da eletricidade, quer no mercado regulado quer no mercado liberalizado, incluem sempre as tarifas de acesso às redes, que são fixadas centralmente pela ERSE e pagas por todos os consumidores, independentemente do comercializador escolhido.
Como minimizar o impacto na fatura
Perante mais uma subida, há um conjunto de medidas ao alcance de qualquer consumidor para atenuar o efeito no orçamento familiar:
- Comparar ofertas no mercado livre. O simulador de preços da ERSE permite comparar, de forma gratuita e independente, as tarifas de diferentes comercializadoras para o perfil de consumo de cada casa.
- Rever a potência contratada. Muitas famílias pagam por uma potência superior à que realmente necessitam, o que encarece a fatura todos os meses, independentemente do consumo.
- Deslocar consumos para as horas de vazio, no caso de tarifários bi-horários ou tri-horários, aproveitando os períodos em que a eletricidade é mais barata.
- Verificar a elegibilidade para a tarifa social de eletricidade, disponível para agregados com rendimentos mais baixos ou em situação de vulnerabilidade económica.
- Apostar em eficiência energética, através de eletrodomésticos de menor consumo, iluminação LED e uma utilização mais racional do aquecimento e do ar condicionado.