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Olga Teixeira
Olga Teixeira
08 Out, 2019 - 16:20

Eletrodomésticos vão ser mais duráveis e fáceis de reparar

Olga Teixeira

As novas regras europeias obrigam a que os eletrodomésticos sejam mais duráveis e fáceis de reparar. O objetivo é poupar dinheiro e preservar o ambiente.

Certamente que já lhe aconteceu ou, pelo menos, já ouviu alguém queixar-se de que os eletrodomésticos avariam facilmente, que já não duram como antigamente. E, que, quando avariam, nem sempre são fáceis de reparar.

E já não falamos só dos mais pequenos e mais baratos, mas de todos. Hoje em dia não há eletrodomésticos que durem para sempre.

Provavelmente recorda-se que, em casa dos seus pais ou avós, os eletrodomésticos duravam imenso tempo e que, salvo os casos em que a avaria era séria ou em que queriam mesmo uma versão mais moderna, as pessoas mantinham o mesmo aparelho durante longos anos.

Existiam lojas dedicadas só à reparação de eletrodomésticos e o número de telefone da pessoa que consertava as máquinas de lavar era guardado com cuidado e partilhado entre familiares e amigos.

Quando algo avariava, a primeira opção era reparar e, só se fosse inviável ou demasiado caro é que se avançava para uma nova compra.

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Não só os hábitos eram outros, dando-se primazia à reparação de eletrodomésticos em vez da substituição, como, na verdade, os aparelhos eram mesmo mais resistentes e duráveis.  

Atualmente, e numa altura em que o consumismo dispara, esta troca constante de eletrodomésticos começa a ter implicações sérias: não só se gasta muito mais dinheiro como se prejudica o ambiente, já que os aparelhos não são reciclados.

Torna-se, por isso, urgente que os eletrodomésticos sejam mais fáceis de reparar ou que, pelo menos, os consumidores tenham essa opção.

O direito à reparação de eletrodomésticos

Os eletrodomésticos “descartáveis” têm os dias contados.

A Comissão Europeia aprovou, no início do mês de outubro de 2019, um pacote de medidas que farão com que, em 2021, todos os eletrodomésticos colocados no mercado sejam mais duráveis, amigos do ambiente e fáceis de reparar

O objetivo destas regras é, segundo a própria Comissão, “continuar a reduzir a pegada de carbono da Europa e diminuir os gastos dos europeus com eletricidade”.

É que este conjunto de normas tem como objetivo implementar o princípio “Primeiro a Eficiência Energética”, cumprindo assim as políticas energéticas da União Europeia, já postas em prática, por exemplo, através das etiquetas de eficiência energética.

No entanto, esta é a primeira vez que a Comissão estabelece regras quanto à reparabilidade dos eletrodomésticos, o que mostra bem a dimensão do problema.   

O objetivo é “contribuir para os objetivos da economia circular, melhorando a vida útil, a manutenção, a reutilização, a atualização, a reciclagem e o manuseio de resíduos dos aparelhos”, dizem os responsáveis.

Ou seja, a União Europeia pretende, através destas medidas de “ecodesign”, dar um sério aviso aos fabricantes de eletrodomésticos, alertando-os para a sua responsabilidade ambiental e social.

E o facto de estas novas regras serem aplicadas a todos os eletrodomésticos que estejam no mercado em 2021 significa, na prática, que os fabricantes têm de começar já a trabalhar nestas alterações.

Que eletrodomésticos estão abrangidos?

As novas regras aplicam-se a vários eletrodomésticos cuja substituição era sempre bastante pesada para o orçamento familiar ou das empresas:

  • frigoríficos (domésticos e usados em locais de venda ao público)
  • máquinas de lavar louça e roupa
  • televisões e monitores
  • fontes de alimentação
  • motores elétricos
  • transformadores
  • máquinas de soldar

O que vai mudar?

Os eletrodomésticos vão ter de ser mais fáceis de reparar, não só tendo um design adequado, mas também através da disponibilização das peças para substituição em caso de avaria. Ou seja, o argumento de que “já não se fazem peças para isto” vai deixar de ser válido.

Assim, terá de existir, por parte dos fabricantes, a garantia de que as peças de substituição têm de estar disponíveis durante prazos mínimos de sete a 10 anos após a compra.

Estes componentes destinados à reparação devem ser entregues com rapidez (no máximo em 15 dias úteis) e terão de ser montados sem ser preciso recorrer a ferramentas especiais e sem o risco de danificar o equipamento durante a reparação.

Para além dos já habituais manuais de utilizador, os fabricantes devem facultar manuais de reparação destinados a profissionais e consumidores.

Assim, vai ser mais fácil reparar eletrodomésticos, não só em casa, mas também por parte dos profissionais especializados.

Quanto vai poupar?

Os eletrodomésticos devem também ser mais amigos do ambiente, gastando menos energia e menos água.

A Comissão Europeia estima que, em 2030, estas medidas permitam poupar o equivalente ao consumo anual de energia na Dinamarca (em 2015 equivalia a 33,3 mil milhões de kWh).

O objetivo é que, até 2050, a União Europeia esteja “completamente descarbonizada” e estas regras poderão dar um contributo significativo, evitando emissão para atmosfera de 46 milhões de toneladas de gases como dióxido de carbono.

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Mas nem só o ambiente tem a ganhar. Todos poderemos sentir os efeitos destas regras nas nossas carteiras.

Segundo os cálculos da Comissão Europeia, a aplicação destas medidas permitirá uma poupança média de 150 euros anuais em todos os lares europeus.  

Em março, as novas etiquetas de eficiência energética dos produtos, que se aplicam a eletrodomésticos, lâmpadas e ecrãs, já deram mais poder aos consumidores.

O código QR permite obter informações adicionais sobre a eficiência energética dos produtos, permitindo perceber qual a opção mais amiga do ambiente.

Agora, os responsáveis europeus esperam que a conjugação de todas estas medidas permita poupar 150 milhões de toneladas de petróleo em 2020 e que os consumidores possam ter poupanças de 285 euros por ano.  

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