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Marvin Tortas
Marvin Tortas
10 Set, 2020 - 18:46

Ao volante do novo Honda E: o mais apetecível dos elétricos?

Marvin Tortas

Além da estética carismática, o Honda E oferece os ingredientes de um superdesportivo para conquistar os condutores. Será que a razão se sobrepõe à emoção?

Honda e

O Honda e foi um dos carros mais antecipados de 2020. Não só por ser o 1º automóvel 100% elétrico da Honda e que será um espelho do futuro da marca, mas sobretudo pelo seu estilo retro futurista.

Motor traseiro, tração traseira, baixo centro de gravidade e distribuição de peso de 50:50. Estas são as características deste tão esperado Honda e e que tivemos a oportunidade de colocar à prova.

Após alguns dias ao volante deste carro e com mais de 600km percorridos, este é claramente um carro que apela à emoção, muito mais do que à razão. Um carro que, mais do que um mero automóvel, é um objeto de desejo.

Conheça a nossa opinião sobre o novo Honda e em mais um ensaio do Ekonomista Motores.

Honda e: um citadino que não passa indiferente

Análise Exterior

O capítulo estético será sempre subjetivo, e como acontece com qualquer automóvel diferente do convencional, também este Honda e divide opiniões. Mas os factos, não há como os negar, e este pequeno citadino desperta a atenção das pessoas por onde quer que passe, e está repleto de pormenores muito interessantes.

À primeira vista, são desde logo evidentes as inspirações que este carro foi buscar ao modelo original do Honda Civic de 1972, com os faróis redondos na parte frontal e na parte de traseira.

Honda E

A inspiração prolonga-se também até aos “Kei Car”, os populares mini carros japoneses que surgiram no pós 2ª Guerra Mundial para as famílias com menores rendimentos, graças ao seu formato mais compacto e quadrado.

Os pormenores deste carro continuam com os puxadores das portas embutidos dentro da carroçaria, e os traseiros dissimulados no pilar C, conferindo-lhe um aspeto de um coupé de 3 portas.

E claro, como não podíamos deixar de mencionar, as câmaras retrovisoras do Honda e, que são uma das suas principais imagens de marca e que vêm de série nas 2 versões que existem deste modelo. Tudo em prol da aerodinâmica.

Análise Interior

O interior do novo Honda e marca claramente uma rotura total com os restantes modelos da Honda. Se no interior, nos restantes modelos da marca nipónica, esta continuava a ser algo conservadora e a adotar uma filosofia mais analógica, isso mudou radicalmente neste pequeno citadino, e não contamos com 1, nem com 2, nem 3, nem 4, mas sim 5 ecrãs no tablier.

Honda E

Este interior está anos luz à frente daquele que encontrávamos no Honda Jazz, no Honda Civic ou até no novo Honda CR-V, mas ainda assim fica uns furos aquém dos modelos de marcas europeias. As funcionalidades, apesar de muito completas, estão distribuídas por menus e submenus, o que acaba por complicar algumas tarefas mais simples, sobretudo enquanto estamos a conduzir.

Felizmente, no Honda e contamos de série com Apple Carplay e Android Auto, disponíveis por ligação bluetooth, ou seja, sem ser necessário um cabo de alimentação, o que facilita bastante a sua operação.

Ainda no capitulo da conectividade, os proprietários do Honda e podem fazer download da app My Honda e usar o seu telemóvel para programar carregamentos, pré-aquecer ou arrefecer o interior da viatura remotamente ou até usar o telemóvel como chave do carro.

Honda Civic Type R
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Quanto aos materiais, o Honda e mantém o mesmo ethos da Honda nos restantes modelos, apresentado materiais pouco suaves ao toque, mas de boa qualidade, construção fiável e duradoura. Nota ainda para algumas inserções a imitar madeira, que têm um excelente acabamento e mais uma vez conferem uma sensação de sala de estar ao interior deste carro.

Sensação de sala de estar que é transportada para os bancos traseiros, com um desenho plano, sem perturbações, e onde podemos sentar 2 passageiros.

Apesar de confortável no capítulo da suavidade, o banco traseiro está relativamente baixo em relação ao solo, e um adulto poderá sentir que este não oferece muito suporte na zona inferior das pernas, podendo revelar-se algo desconfortável em viagens mais longas.

Quanto ao espaço disponível para a bagageira, e fruto da colocação do motor junto ao eixo traseiro, esta oferece apenas 171 litros, ou 571 com os bancos traseiros rebatidos.

Condução

Honda e

A autonomia é o ponto mais importante quando falamos de um carro elétrico. A versão base do Honda e anuncia 220km de alcance com uma só carga, ao passo que a versão Advance tem uma autonomia anunciada de 210km.

Com uma capacidade de bateria de 35,5KWh, 136cv e 315Nm de binário, o Honda e testado alcançou um consumo médio de 13kWh, o que significa que, em teoria, seriamos capazes de percorrer 260km.

No entanto, os trajetos percorridos quase nunca foram feitos em auto-estrada, o que significa que era sempre possível regenerar bateria enquanto o conduzíamos. Num trajeto misto, uma perspetiva de 190km de autonomia será um valor mais realista.

Quanto aos carregamentos, o Honda e demora aproximadamente 19h a carregar numa tomada doméstica de 2,3KW, consegue ter 80% da carga em aproximadamente 30min num carregador rápido de 50KW , e aproximadamente 4h numa tomada tipo 2, as chamadas Wall Box, de 6,6KW, para carregar completamente a sua bateria.

Honda E

No capítulo das performances, o Honda e consegue atingir uma velocidade máxima limitada a 145 km/h e uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 9,0 segundos. No entanto, é a aceleração dos 0 aos 60km/h que realmente impressiona, sendo esta velocidade atingida num ápice.

O Honda e regista 1500kg na balança, o que não sendo um peso estonteante, não é propriamente um citadino leve. No entanto, este peso é algo que não se faz sentir nas performances graças ao excelente trabalho da Honda no desenvolvimento deste chassis e suspensão.

Aliás, é no capítulo da performance que a Honda joga o seu maior trunfo. Este Honda e, apesar de ser um citadino, conta com a receita de um superdesportivo. Este carro conta com suspensão independente no eixo traseiro, tração traseira, motor traseiro e distribuição perfeita de peso de 50:50. Estas características tornam o Honda E não só num carro bem confortável em cidade, mas também extremamente divertido em estradas sinuosas.

As câmaras retrovisoras, que são um dos maiores pontos de destaque deste carro, são extremamente fáceis de utilizar. Apesar de requererem alguma habituação pelo facto de serem pouco comuns, a sua ótima resolução e o facto de estarem sempre no nosso campo de visão acabam por torná-las mais práticas do que um espelho convencional.

O Honda e é um verdadeiro festival tecnológico, e de série contamos com cruise control adaptativo, sensor de manutenção na faixa de rodagem, sistema de alerta de colisão frontal, sistema de travagem automática… Tudo isto de série!

Preços

Honda E

Os preços do Honda e começam nos 36 000€ para a versão base e nos 38 500€ para a versão Advance, que para além de um incremento de potência de 136cv para 154cv, conta com um sistema de som melhorado e ainda mais alguns gadgets tecnológicos.

Visto tratar-se de um automóvel 100% elétrico, o IVA pode ser dedutível para as empresas, ficando por isso em torno dos 27 000€.

Como campanha de lançamento, a Honda está a oferecer o novo Honda e através de financiamento, com preços a partir de 299€/mês, oferecendo neste conjunto uma Wall Box no valor de 320€.

No que toca a garantias, o Honda e beneficia de 7 anos de garantia global, sem limite de quilometragem, e no que toca à parte elétrica (motor e baterias) de 8 anos, ou 160 000km.

Veredicto final

O Honda e é a visão do futuro para a Honda, e que visão tem a Honda do futuro… Este é um citadino muito completo, enquanto citadino, arriscando-nos até a dizer que será um dos melhores dentro deste restrito segmento de elétricos.

Mas é quando precisamos que estes carros sejam algo mais do que apenas “um citadino”, isto é, quando precisamos de ir mais longe, ou de mais capacidade de carga, o Honda e perde para os seus rivais no que toca a autonomia e praticalidade. 

O Honda e é um carro que não se compromete a fazer aquilo para que não foi criado. É um carro com personalidade. É um carro ao qual ninguém fica indiferente. É um carro que faz um apelo muito maior à nossa emoção do que à razão. É um objeto de desejo para todos os que o conduzem. E nós fomos conquistados.

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