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André Freitas
André Freitas
30 Abr, 2020 - 12:27

Honda NSX: o carro com a mão de Ayrton Senna

André Freitas

Façamos uma viagem ao passado e recordemos a história do mítico e saudoso Honda NSX. Um carro que teve o contributo de um ajudante muito especial.

Honda NSX Ayrton Senna

O Honda NSX foi, é, e continuará sempre a ser um carro muito especial. Foi um dos automóveis mais inovadores dos anos 90 e tem um contributo importante na história do mundo automóvel.

Do passado para o presente, e a pensar no futuro, conheça a história deste esplendoroso carro.

Honda NSX: de um nascimento complicado à perfeição sobre rodas graças à mão de ayrton senna

Honda NSX
Honda/Divulgação

O nascimento

O primeiro Honda NSX foi comercializado entre 1990 e 2005 em todo o mundo, mas com a particularidade de nos Estados Unidos ser conhecido como Acura NSX, porque era vendido pela subsidiária luxo da Honda nos E.U.A, a Acura.

A fabricante japonesa, fruto dos seus sucessos no campeonato de Fórmula 1, decidiu criar um desportivo de dois lugares com o motor localizado na parte central, mas na parte traseira.

Tal como a Ferrari, Lamborghini e Porsche, a Honda decidiu apostar num design inovador, desportivo, mas que juntava a melhor engenharia e tecnologia japonesa já existente, sem abdicar de qualquer luxo e requinte para ser rápido.

Este modelo foi um verdadeiro sucesso para a marca nipónica, elevando o nome da Honda a todo um novo esplendor. Prova disso são o número de unidades vendidas. Só no mercado norte americano foram vendidas perto de 9000 unidades deste modelo, o que é um número significante para um superdesportivo.

As principais características do Honda NSX

Este modelo desenvolvido pela Honda tem, sem dúvida alguma, várias características que o tornam único e especial.

O NSX foi o primeiro carro a ser desenvolvido com a carroçaria totalmente em alumínio. O mesmo material também foi utilizado para os braços da suspensão e para os bancos. Isto permitiu-lhe retirar 200 kg de peso à balança, tornando-o mais leve e consequentemente mais ágil.

Para se ter uma ideia do quão enorme foi este desenvolvimento, só nos anos 2000 é que a Ferrari, a marca tida como o suprassumo dos desportivos, começou a utilizar carroçarias feitas totalmente em alumínio.

Porém, a verdadeira deste carro surpresa residia atrás dos bancos. Falamos do coração deste carro: o motor.

Este modelo contava com um motor V6 de 3 litros que gerava 283 cv de potência. Posteriormente, foi também lançada outra variante: o mesmo V6 mas com 3.2 litros de capacidade e que gerava 298 cv de potência.

O modelo carismático da fabricante japonesa conseguia atingir os 100 km/h em apenas 5,4 segundos, e, para além disso, atingia velocidades máximas na ordem dos 310 km/h.

Mas importa realçar que inicialmente, o NSX não era capaz de tais números nem de tamanha performance. E para a Honda atingir ser um marco nos superdesportivos, pediu o contributo a alguém muito importante e entendido no que toca ao comportamento dinâmico de um automóvel: Ayrton Senna.

A mão de Ayrton Senna no Honda NSX

Honda NSX Ayrton Senna
Ayrton Senna a testar o Honda NSX. Honda/Divulgação

Em 1989, a Acura apresentou o protótipo do NSX. Em Chicago, este protótipo encontrava-se na fase final do seu desenvolvimento, e estava praticamente pronto para avançar para a produção.

No entanto, no outro lado do mundo, mais concretamente, no Japão (Suzuka), a McLaren encontrava-se a preparar mais um temporada de Fórmula 1, nas instalações da Honda. No ano anterior, a McLaren tinha sido uma verdadeira campeã com 15 vitórias em 16 possíveis.

Sim, em saudosos anos, a Honda e a McLaren entediam-se às mil maravilhas na Fórmula 1, exatamente o contrário do que aconteceu entre 2015 e 2017.

Nesta altura, os pilotos da McLaren eram Alain Prost e Ayrton Senna. Uma vez que a McLaren estava na casa da Honda a preparar mais uma época, a fabricante aproveitou a esse facto opinião do piloto brasileiro, naquele que seria um simples teste informal.

Ayrton Senna
Ayrton Senna a conduzir um (dos seus) Honda NSX na estrada do Guincho, em Cascais. Créditos: https://www.ayrtonsenna.com.br

Quando questionado sobre a sua opinião sobre o protótipo, Senna disse que não saberia se o seu contributo ia ser “válido”, uma vez que as necessidades dele eram distintas de quem conduz no quotidiano. A Honda, mesmo assim, pediu a sua opinião, ao que Ayrton Senna afirmou:

“Não tenho a certeza de que vos possa dar um conselho útil sobre um carro de série, mas eu acho que é um pouco frágil.”

Com esta opinião daquele que era (e ainda é considerado por muitos) o melhor piloto de todos os tempos, soaram os alarmes dentro dos escritórios da Honda. O conceito ia totalmente contra o processo de construção do carro.

O objetivo de fabricar um modelo com a carroçaria em alumínio era tornar o carro mais leve, mas também mais rígido (no caso com nível igual ou superior à Porsche e à Ferrari).

Como seria de esperar, a equipa que estava a desenvolver este desportivo teve em consideração a opinião do piloto.

Para testar e expor todas as fraquezas relacionadas com a rigidez e comportamento dinâmico do NSX, os engenheiros fizeram as malas e levaram o carro para Nürburgring, o “inferno verde”.

Apesar de Senna não ser um especialista na construção automóvel, ele tinha razão. Quando o modelo japonês foi colocado à prova, numa das pistas mais exigentes do mundo, os seus pontos fracos vieram ao de cima.

Para se ter ideia do quão importante foi o feedback Ayrton Senna, após o desenvolvimento contínuo do automóvel, no final, a rigidez estrutural aumentou em 50%, e o Honda NSX, finalmente, não só andava bem em linha reta, como curvava melhor que muitos outros superdesportivos.

Missão cumprida.

O “renascimento” de uma obra de arte

Novo Honda NSX
Honda/Divulgação

O Honda NSX foi um verdadeiro sucesso, não só pela sua performance, mas sobretudo pela estética.

Desde o momento em que foi descontinuado, em 2005, muitos foram os fãs que pediram o regresso deste ícone. E finalmente, em 2016, a Honda satisfez a vontade de muitos petrolheads… em parte.

A fabricante nipónica relançou então o icónico modelo, e tal como a versão original, a segunda geração tem linhas super desportivas, dinâmicas e apresenta um ar “agressivo”.

No entanto, esta nova “super estrela” da Honda, que combina um motor v6 de 3,5 litros biturbo com três motores elétricos, não causou, nem sequer de perto, o impacto do seu antecessor.

No papel, este é um superdesportivo nato. Conta com 581 cv de potência e atinge os 100 km/h em 3,6 segundos, tendo uma velocidade máxima de 304 km/h.

Mas será caso para dizer “em equipa que ganha não se mexe”? Será que o re-inventado super carro fará parte dos anais da história automóvel? Só o tempo o dirá.

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