Covid-19
Especial Covid-19
Descomplicamos a informação sobre o novo Coronavírus
Ekonomista
Ekonomista
20 Fev, 2020 - 12:55

Eutanásia: o que está em causa

Ekonomista

A eutanásia consiste na morte assistida a doentes com algum tipo de problema terminal. O tema está na ordem no dia e na origem de um importante debate.

Doente terminal que pode ser alvo de eutanásia

Cada vez mais se fala na possibilidade de despenalização da eutanásia, ou seja, da morte assistida para casos de doentes com doenças terminais e cujo sofrimento vai muito além do dito aceitável.

Assim sendo, o debate na sociedade portuguesa tem sido vivo. Como em todas as questões fraturantes, há argumentos contra, argumentos a favor e até quem nem queira saber do assunto. Mas nada como estar informado para formar a sua opinião.

eutanásia: polémica sempre presente

Mulehr com doença terminal

A Holanda foi o primeiro país a legalizar a eutanásia e a Bélgica o segundo. Em Portugal, este procedimento continua a não ser um direito dos pacientes, algo que muda com a votação na Assembleia da República de legislação que vai regulamentar esta prática.

Existem dois tipos de eutanásia:

  • Ativa – quando se utilizam ferramentas e recursos que levam ao fim da vida de uma pessoa, por exemplo, injeção letal, medicamentos que provocam a morte, etc.
  • Passiva – quando a eutanásia acontece pela falta de recursos necessários à manutenção da vida do paciente – falta de cuidados médicos, de medicação, alimentos ou água.

Procuramos reunir os argumentos contra e a favor da despenalização, para que forme a sua opinião de forma consciente.

Argumentos a favor da eutanásia

Quando se fala de argumentos a favor há quem defenda que o respeito pela eutanásia é o respeito também pela vida humana, pois o ser humano tem o direito à vida, mas deveria também ter o direito à morte, nas circunstâncias devidas, claro está.

É uma forma de dar alguma dignidade a um doente que já não se encontra com as condições mínimas para ter uma vida digna.

Existem muitos doentes que estão numa situação de sofrimento atroz e cujo diagnóstico aponta, infelizmente, para o mesmo fim: a morte. A eutanásia apenas seria o antecipar de um fim já esperado, reduzindo em muito os níveis de sofrimento.

Muitos dos pacientes que sofrem de alguma doença terminal acabam por se sentir um estorvo aos que a rodeiam e sentem-se também muito sozinhos. A eutanásia é novamente apontada como uma solução nestes casos.

Doente que assinou o testamento vital
Não perca Sabe exatamente o que é o testamento vital?

Argumentos contra a eutanásia

Em Portugal, este debate tem vindo a extremar-se e sucedem-se os argumento contra a aprovação da eutanásia. Para além de uma parte da sociedade civil, a igreja católica, com forte presença em especial nos meios rurais, que advoga como inviolável qualquer interferência no curso normal da vida humana.

Também dentro da classe médica a eutanásia também suscita aceso debate, uma vez que no seu juramento os médicos prometem lutar pela vida dos pacientes até às últimas instâncias.

Existe também a possibilidade de, com a evolução da medicina, surgir alguma solução para o problema da pessoa que quer recorrer ao suicídio assistido. Daí que, eticamente, muitos médicos não concordem com a eutanásia.

Legislação

Os cinco projetos de lei apresentados no Parlamento para despenalizar a eutanásia têm poucas diferenças. Todas as propostas deixam de fora menores e pessoas incapazes.

Cada processo só pode avançar com a autorização de uma comissão, que irá acompanhar os pedidos.

As boas práticas médicas dizem apenas que os clínicos não devem prolongar artificialmente a vida de um doente terminal recorrendo a tratamentos desproporcionados. Quem quiser, pode fazer um Testamento Vital para dizer que cuidados de saúde pretende ou não receber quando ficar doente.

Veja também