Share the post "7 Eventos para ver no céu em julho: um espetáculo gratuito à sua espera"
Este mês, não precisa de gastar um euro para ter uma noite de entretenimento em condições. Basta um cobertor, um local escuro e alguma paciência. Julho de 2026 traz ao céu português um afélio da Terra, uma Lua Cheia com nome próprio, encontros entre a Lua e os planetas, e não uma, mas duas chuvas de meteoros em simultâneo. Para quem anda a cortar em saídas pagas este verão, é a prova de que o melhor espetáculo continua a ser de graça.
O que pode ver no céu em julho
6 de julho: a Terra afasta-se do Sol
O mês abre com o afélio, o momento em que a Terra atinge o ponto mais distante do Sol em toda a sua órbita: cerca de 152 milhões de quilómetros, mais 5 milhões do que no periélio de janeiro. Não há nada para observar diretamente a olho nu, mas é o pretexto perfeito para explicar aos mais novos por que razão o verão no hemisfério norte não tem, afinal, que ver com estarmos “mais perto” do Sol.
Meados do mês: a Lua visita Vénus e regressa um cometa
Nas noites de 16 e 17 de julho, vale a pena olhar para o horizonte oeste logo após o pôr do sol. A Lua crescente aproxima-se de Vénus (e da estrela Regulus, na constelação de Leão), criando um efeito de perspetiva visível a olho nu em noites de céu limpo, não é preciso qualquer equipamento.
Para quem tiver binóculos potentes ou um telescópio, mesmo pequeno, esta é também a altura de tentar avistar o cometa 10P/Tempel, que regressa ao nosso campo de visão a cada cinco anos e meio. Está ainda demasiado ténue para se ver a olho nu, mas a janela mais favorável foi à volta da Lua Nova de 14 de julho, quando a ausência de luar facilitou a procura perto da constelação de Aquário/Capricórnio.
27 e 29 de julho: Plutão, Júpiter e a Lua dos Cervos
A 27 de julho, Plutão fica em oposição, alinhado com a Terra e o Sol, é o momento em que se aproxima mais de nós, ainda que continue longe demais para ser visto sem um telescópio potente.
Dois dias depois, a 29 de julho, Júpiter entra em conjunção solar e “desaparece” do céu noturno durante algumas semanas, ofuscado pelo brilho do Sol, só voltando a ser visível de manhã. No mesmo dia, a Lua atinge a fase cheia. É a chamada Lua dos Cervos (Buck Moon), nome herdado dos povos indígenas norte-americanos e associado à época em que os veados machos começam a desenvolver nova galhada. Por nascer perto do horizonte, tende a parecer maior e mais alaranjada do que o habitual, vale a pena tentar apanhá-la ao nascer, ainda no fim da tarde ou início da noite em Portugal continental.
30 e 31 de julho: duas chuvas de meteoros ao mesmo tempo
O ponto alto do mês acontece nas noites de 30 e 31 de julho, com o pico simultâneo de duas chuvas de meteoros:
- Delta Aquáridas do Sul – mais favorável ao hemisfério sul, mas parcialmente visível também em Portugal, com uma taxa que pode chegar a 15-25 meteoros por hora em condições ideais. Produz rastos rápidos e discretos.
- Alfa Capricornídeas a ativa entre 3 de julho e 15 de agosto, com o pico coincidente. Produz poucos meteoros (cerca de cinco por hora), mas é conhecida pelas suas bolas de fogo, suficientemente brilhantes para se destacarem mesmo com luar.
Este ano, a proximidade da Lua Cheia vai prejudicar a observação dos meteoros mais ténues, mas os mais brilhantes continuam visíveis a olho nu, sobretudo longe da poluição luminosa das cidades. A melhor janela é entre a meia-noite e o amanhecer, com a constelação de Aquário mais alta no céu.
O bónus do mês: o núcleo da Via Láctea
Ao longo de todo o julho, e sempre que o céu esteja escuro, é possível observar o núcleo brilhante da Via Láctea na zona sul do céu, durante boa parte da noite. É um dos melhores meses do ano para isto, e não exige mais do que os olhos e, no máximo, uns binóculos.
Como aproveitar sem gastar dinheiro
Não é preciso um telescópio caro nem uma viagem cara para aproveitar estas noites. Bastam três coisas: um local com pouca poluição luminosa, um horizonte desobstruído e alguma sorte com o tempo. Se vive perto do litoral, uma ida a uma praia fluvial longe da cidade pode ser o cenário perfeito para um serão em família e ainda aproveita para fazer render o orçamento de verão. Se preferir ficar por casa, o terraço ou o jardim servem perfeitamente, sobretudo se conseguir apagar as luzes exteriores por uma hora.
Para quem gosta de planear estas noites como parte de uma festa no jardim económica, esta é uma excelente desculpa para juntar família ou amigos sem custos de bilhetes, deslocações ou entretenimento pago, só é preciso escolher bem a data e verificar a previsão do tempo.
Se tiver crianças em casa, este é também um bom momento para explicar conceitos de astronomia de forma simples, sem precisar de gastar em atividades pagas de verão, uma alternativa a somar à lista de ideias económicas para os mais pequenos que já temos aqui no Ekonomista.
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In-The-Sky.org. (2026). Conjunction of the Moon and Venus, 17 July 2026. https://in-the-sky.org/news.php?id=20260717_20_100
Space & Telescope. (2026). Earth at aphelion 2026: All you need to know. https://spaceandtelescope.com/earth-at-aphelion-2026/
EarthSky. (2026). Visible planets and night sky guide for July. https://earthsky.org/astronomy-essentials/visible-planets-tonight-mars-jupiter-venus-saturn-mercury/
Royal Observatory Greenwich. (2026). Delta Aquariid meteor shower 2026: When and where to see it in the UK. https://www.rmg.co.uk/stories/space-astronomy/delta-aquariid-meteor-shower-2026-when-where-see-it-uk
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