Miguel Pinto
Miguel Pinto
13 Mai, 2026 - 12:00

Bragança: onde ver o eclipse solar total que só volta em 2144

Miguel Pinto

Bragança vai ser o epicentro de um eclipse solar total, um fenómeno que só se volta a repetir daqui a mais de um século. Saiba como ver.

eclipse solar total

A 12 de agosto de 2026, Portugal vai ser palco de um dos fenómenos mais raros e impressionantes que a Natureza tem para oferecer, um eclipse total do Sol.

Durante alguns instantes, a Lua vai alinhar-se entre a Terra e o Sol, ocultando completamente o disco solar e transformando o dia em noite.

Este tipo de evento ocorre quando a Terra, a Lua e o Sol se encontram em perfeito alinhamento, mas não é algo que aconteça todos os anos, nem em todos os lugares.

Em Portugal, o último eclipse total do Sol aconteceu em 1912. O próximo só deverá ocorrer em 2144. Ou seja, quem não aproveitar esta oportunidade, não viverá para ver a próxima.

Porque é Bragança o epicentro do eclipse?

Nem todo o território português vai viver o eclipse da mesma forma. Em Lisboa, Porto ou Faro, o eclipse será parcial. A Lua cobrirá entre 92,7% e 98,2% do Sol, o que é já de si um espetáculo impressionante.

Mas a verdadeira raridade acontecerá numa faixa muito estreita no nordeste transmontano, mais concretamente no Parque Natural de Montesinho, entre as aldeias de Rio de Onor e Guadramil.

É aqui, e apenas aqui em Portugal, que o Sol desaparecerá completamente durante cerca de 26 segundos. Será possível ver a olho nu a Coroa Solar, a atmosfera mais externa do nosso astro-rei, normalmente invisível, num espetáculo que deixa quem assiste sem palavras.

A faixa de totalidade atravessa o Ártico, a Gronelândia, a Islândia, Espanha e toca Portugal precisamente neste recanto de Trás-os-Montes.

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Ver o eclipse: horários e locais de observação

Vista geral de Bragança

Para quem planeia deslocar-se à região, eis os dados essenciais.

Horários aproximados em Bragança (12 de agosto de 2026)

  • Início do eclipse parcial: cerca das 18h33
  • Totalidade (apenas na faixa de Montesinho): cerca das 19h30
  • Fim do eclipse parcial: cerca das 20h24

O Sol estará a cerca de 10° acima do horizonte no momento de máxima ocultação, por isso, é importante escolher um local com horizonte desimpedido a oeste.

O Centro Ciência Viva de Bragança está a organizar transportes em autocarro a partir do Aeródromo de Bragança até às aldeias de observação, uma vez que o acesso automóvel a Rio de Onor estará condicionado.

As inscrições são limitadas por razões de segurança e de preservação ambiental, e o valor reverte a favor das associações culturais locais. Está incluída a distribuição de óculos certificados para observação segura.

Barragem perto de Lagoaça
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Alojamentos: um fenómeno dentro do fenómeno

A raridade do evento já está a fazer-se sentir na economia local. Meses antes do eclipse, os alojamentos em Bragança praticamente esgotaram.

Uma simulação feita na plataforma Booking para a noite de 12 para 13 de agosto revelou que cerca de 99% das ofertas de alojamento no concelho estavam indisponíveis.

Muitos dos visitantes não ficam apenas para o eclipse. Aproveitam para estadias de três ou quatro noites, descobrindo a gastronomia, a natureza e a tranquilidade desta região..

A procura estende-se também aos parques de campismo, que registam um volume de contactos diários fora do comum, tanto para campismo tradicional como para autocaravanas e bungalows.

Como observar o eclipse com segurança

eclipse solar total

Esta é uma questão que não deve ser ignorada. Olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada pode causar danos permanentes na visão, mesmo durante um eclipse parcial.

O que fazer?

  • Usar óculos de eclipse certificados com filtro ISO 12312-2, que reduzem a intensidade solar para valores seguros;
  • Utilizar filtros solares apropriados em telescópios ou binóculos;
  • Recorrer a métodos de projeção indireta, como caixas de observação caseiras.

O que não fazer:

  • Usar óculos de sol comuns, não oferecem proteção suficiente;
  • Usar binóculos ou telescópios sem filtros adequados nas fases parciais.

Durante os breves segundos de totalidade completa (apenas dentro da faixa de Montesinho), é possível olhar diretamente para o Sol a olho nu. Mas atenção, assim que a luz solar reaparecer, é obrigatório voltar imediatamente a usar proteção.

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