Share the post "Exames nacionais 2026: o guia completo com o que levar e com o que é proibido"
São 166.339 estudantes, 340.382 provas, 25 disciplinas e este ano um erro de preenchimento pode valer zero pontos numa resposta certa. Os exames nacionais de 2026 mudaram as regras do jogo em sala, e quem não as souber de cor antes de entrar arrisca pagar caro por distração.
O que mudou este ano nos exames nacionais
A grande novidade de 2026 são os novos cadernos de resposta. As tradicionais folhas soltas desapareceram na maioria das disciplinas, foram substituídas por cadernos estruturados com folhas de continuação, concebidos para permitir correção digital automatizada. As provas continuam em papel, mas a correção passa a ser feita em formato digital. Geometria Descritiva A e Desenho A são as únicas exceções: mantêm o modelo anterior.
Esta mudança implica um nível de rigor que antes não existia. O IAVE é explícito: uma resposta registada fora da página correspondente ao item vale 0 pontos, mesmo que esteja completamente correta. Cada pergunta ocupa a sua própria folha e mesmo que sobrem linhas, não se passa para a página seguinte.
Outra alteração relevante diz respeito ao acesso ao ensino superior. Em 2025, eram obrigatórias duas provas de ingresso, mas o número de alunos que entraram no superior caiu de forma significativa. O Governo reverteu a decisão em janeiro: em 2026 basta uma prova de ingresso para candidatura ao ensino superior público.
Como preencher os novos cadernos de resposta sem perder pontos
A primeira página exige nome completo, número do cartão de cidadão, número interno e assinatura. Parece básico, mas um campo em branco pode travar a classificação.
Nas questões de escolha múltipla, a regra é preencher o círculo totalmente. Cruzes e visto estão proibidos. Para anular uma resposta: colocar um X por cima do círculo preenchido e pintar a opção correta. Para revalidar a primeira escolha: desenhar um quadrado à volta do X. Se houver múltiplos enganos, com várias bolinhas pintadas, escrever o número da resposta correta antes das opções.
O uso de corrector está proibido. Liquid paper, fita ou qualquer corretor são expressamente proibidos. Riscar de forma clara é a alternativa. Também não é permitido dobrar as folhas. Nas provas de Matemática A, Matemática B e MACS, as páginas de desenvolvimento têm área quadriculada; nas restantes, área pautada e não se pode ultrapassar as margens laterais ou inferiores da página.
O que levar para a sala e o que fica de fora
O que é obrigatório:
- Cartão de cidadão ou documento equivalente;
- Caneta azul ou preta (lápis em disciplinas que o exijam);
- Dicionário, quando autorizado pela prova;
- Calculadora, nas disciplinas que o requeiram.
Nas provas de Física e Química A, Matemática A, Matemática B e MACS, é obrigatória calculadora gráfica com modo de exame ativo. Calculadoras com Cálculo Algébrico Simbólico (CAS) ou de código aberto (opensource) não são permitidas e o modo de exame é ativado na presença do professor antes do início da prova, bloqueando o acesso à memória pessoal. Nas provas de Economia A e Geografia A, apenas são aceites calculadoras científicas não alfanuméricas e não programáveis.
O que está proibido:
- Telemóvel, smartphone, tablet e computador;
- Auscultadores e fones;
- Relógios com sistemas de comunicação e smartwatches, mesmo desligados;
- Suportes escritos de qualquer tipo;
- Corrector (líquido ou fita).
O detalhe do smartwatch é o mais traiçoeiro. Se for detetado na posse do aluno durante a prova, independentemente de estar ligado ou não, a prova é anulada automaticamente. Antes de entrar na sala, todos os alunos assinam o Modelo 05/JNE, confirmando que não possuem material proibido.
As regras de sala que também fazem parte da prova
Os alunos devem estar no local do exame 30 minutos antes do início. Não existe tolerância de atraso: quem chegar depois do início da prova não pode realizá-la. Não há exceções.
Durante a prova, não é permitido abandonar a sala sem autorização do vigilante e mesmo após o tempo regulamentar, a saída depende de sinalização do responsável. Os rascunhos nos exames do ensino secundário não são recolhidos: saem com o aluno.
Em caso de esquecimento do documento de identificação, o aluno pode realizar a prova, mas tem dois dias úteis para confirmar a identidade na escola com o documento em falta. Se não o fizer, a prova é anulada.
O que está em jogo além da nota
Os exames nacionais de 2026 valem 25% da nota final de cada disciplina. Para concluir o secundário, são necessários três exames: Português no 12.º ano, obrigatório para todos os cursos científico-humanísticos, mais duas disciplinas da componente de formação específica, ou uma dessas disciplinas e Filosofia. No 11.º ano, é obrigatório pelo menos um exame.
Dos 166.339 inscritos, 93.596 manifestaram intenção de prosseguir estudos no ensino superior, 56% do total, um valor acima dos 88.637 que indicaram esse objetivo em 2025. Para estes alunos, uma anulação por incumprimento das novas regras dos cadernos pode custar um ano inteiro de candidatura.
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Direção-Geral do Ensino Superior & EduQA – Júri Nacional de Exames. (2026). Guia Geral de Exames 2026. https://www.dges.gov.pt/guias/pdfs/GuiaGeralExames2026.pdf
Júri Nacional de Exames. (2026). Norma 02/JNE/2026 — Resumo para alunos do ensino secundário. Direção-Geral da Educação.
Ministério da Educação. (2026, junho). Inscrições nos exames nacionais 2026 — dados oficiais. Comunicado à imprensa.