Marta Maia
Marta Maia
22 Ago, 2019 - 14:10
Como analisar a sua fatura da eletricidade

Como analisar a sua fatura da eletricidade

Marta Maia

Ler a fatura da eletricidade não é difícil, mas ainda há valores que nem reparamos que lá estão. Saiba como ler a sua e o que importa reter.

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A fatura da eletricidade chega-nos todos os meses e pagamos o que lá diz de forma quase automática. Se nos perguntarem, dificilmente saberemos dizer, de cabeça, quanto pagámos de luz ou de gás no último mês, e isso não é bom sinal: significa que não analisamos o que lá vem escrito e que não questionamos as nossas próprias despesas.

A verdade é que os fornecedores de energia simplificaram muito os documentos nos últimos anos, tornando-os mais intuitivos e fáceis de consultar. A mudança foi transversal: da fatura da EDP à fatura da Indesa, da fatura da Galp à fatura da Iberdrola, os campos são semelhantes e tornam o processo mais intuitivo. No entanto, ainda há informações que passam ao lado da maioria dos clientes e que deviam ser alvo de maior atenção.

É sobre esses detalhes que vamos focar-nos neste artigo. Eles fazem parte da sua fatura da eletricidade, podem dizer-lhe muito sobre os seus consumos e até dar-lhe algumas dicas sobre por onde começar para poupar alguns euros.

Como ler a fatura da eletricidade

Vamos tomar como exemplo uma fatura da EDP – apenas porque este é o fornecedor mais comum, mas as faturas enviadas pelas outras empresas não diferem muito deste modelo.

fatura de eletricidade

Fonte da imagem: EDP

Logo no topo da fatura aparece o que, de imediato, mais lhe interessa: quanto paga pelo quê. No caso da EDP, cada serviço é representado por um desenho com uma legenda, e ali tem acesso fácil a uma discriminação simples dos preços de cada serviço que contratou à empresa (entre luz, gás natural ou serviços de apoio e reparação) e do total referente a impostos. À direita, um círculo com mais informação resumida: o valor total que tem de pagar e a data limite para o pagamento.

Até aqui, tem toda a informação mais importante da fatura da eletricidade: o que paga, quanto paga e até quando. Abaixo, no entanto, há mais informações que lhe interessam.

O que marca o meu contador

Foque-se nos quadrados que se seguem: à esquerda lê-se “o que marca o meu contador”, seguida de dois números. Estes são os números contados para a luz e/ou para o gás (dependendo do que tiver contratado), mas não é por isso que lhe interessam: é porque, a acompanhá-los, vem uma referência sobre ser uma “leitura real” ou uma “leitura estimada”.

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Se a sua fatura da eletricidade costuma vir com uma leitura estimada, fique a saber que raramente paga o que, de facto, consumiu nesse mês. A verdade é que, mediante a dificuldade em manter as leituras de todos os contadores em dia, os fornecedores optam muitas vezes por fazer uma análise do historial de consumo do cliente e usar essa informação para estimar um consumo para aquele mês. Isto quer dizer que não está a pagar o que consumiu, mas aquilo que o fornecedor achou que ia consumir.

As estimativas são particularmente importantes porque, muitas vezes, são elas as responsáveis por faturas da eletricidade absolutamente descabidas que lhe custam umas centenas largas de euros de repente. É certo que, se cobrar em demasia, a empresa vai descontar o excedente nas próximas faturas, mas do rombo nesse mês já ninguém o livra – e, se tiver aderido ao débito direto, pode até só descobrir quando olhar para o extrato bancário e levar um susto.

Para evitar faturas estimadas, a solução passa por dar ao fornecedor a informação real a tempo de ela constar na fatura desse mês. Para isso, leia as letras pequeninas nesse quadrado: elas dizem-lhe como e quando dar a contagem para futuras cobranças.

Os meus dados

Continuamos a ler a nossa fatura da eletricidade. No quadrado seguinte constam os seus dados de cliente – onde, além da informação que já sabe (mas que também não custa validar para detetar possíveis erros), está descrita a potência de eletricidade que tem contratada e o escalão de gás natural em que está colocado.

Esta informação é importante porque diferentes potências e diferentes escalões obedecem a tarifas diferentes – ou seja, se contratar a potência máxima mas usar pouca eletricidade vai pagar demasiado caro um serviço que nem sequer usa.

Ainda no mesmo documento, a informação termina com um conjunto de contactos que deve guardar consigo, porque é a eles que recorre em caso de avaria, para dar as contagens ou em situações de urgência.

Tudo tem de lá estar?

Desde outubro de 2018 que a informação constante nas faturas de eletricidade foi normalizada pelo Governo. Independentemente do fornecedor, os consumidores têm o direito de aceder a determinadas informações, por isso passou a ser de lei a obrigação de elas constarem do documento.

De acordo com as regras, todos os fornecedores de energia têm de esclarecer o consumidor sobre a potência contratada, quanto é que ela custa, as condições do contrato, os impostos e as taxas aplicáveis, os prazos e meios disponíveis para pagamento e as consequências se falhar esse pagamento. Quando houver uma tarifa social, também é obrigatório que o desconto aplicado seja descrito na fatura.

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A maioria das faturas da eletricidade já cumpre as novas regras, mas enquanto consumidor está mais protegido agora que a lei está aqui para lhe dar apoio. Ainda assim, mantenha-se atento a todos os detalhes, porque eles não estão lá só porque sim: controle o que paga, quanto paga e como paga, porque só estando muito bem informado sobre o contexto atual pode evoluir para um melhor no futuro.

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