Share the post "Ou se ama, ou se odeia: está aí mais um Festival da Lampreia"
O Festival da Lampreia regressa ao Cais de Entre-os-Rios nos dias 20, 21 e 22 de março de 2026, numa celebração que reúne restauração, sabor e a identidade ribeirinha de Penafiel. A localização não é escolhida por acaso, uma vez que este cais histórico, junto ao encontro entre o Douro e o Tâmega, é o cenário natural de uma tradição que remonta a gerações.
Foi nestas margens que, antes da construção da barragem que alterou o curso do Tâmega, se praticava a captura da lampreia, uma prática que moldou a identidade da comunidade local e a sua relação profunda com os rios. Dali escapou-se para as mesas e todos anos é motivo de autênticas peregrinações de aficionados. Este festival reúne-os a todos no mesmo sítio.
Lampreia: raízes profundas em Penafiel

A lampreia não é apenas um prato. Em Penafiel, é um símbolo. Este peixe migrante, que sobe os rios entre janeiro e abril, está no centro de uma tradição gastronómica que atravessa séculos.
No concelho, a lampreia vive-se da venda ao prato, dos mercados às mesas dos restaurantes, com uma ligação histórica aos rios que continua bem presente na memória coletiva.
Preparada à moda do Minho, em arroz ou à bordalesa, a lampreia é um produto sazonal e por isso ainda mais especial. O festival surge, assim, como a forma mais genuína de a celebrar: no tempo certo, no lugar certo.
Rota da Lampreia: um mês de sabores
Para além do festival, Penafiel promove também a Rota da Lampreia, que decorre entre 27 de fevereiro e 29 de março de 2026.
Durante este período, 15 restaurantes aderentes do concelho incluem a lampreia nas suas ementas, permitindo que visitantes e residentes possam descobrir diferentes interpretações do mesmo produto ao longo de um mês.
É uma oportunidade de percorrer o território, conhecer a restauração local e aprofundar a ligação entre gastronomia, paisagem e cultura. O Festival da Lampreia no Cais de Entre-os-Rios funciona como o ponto alto de toda esta programação.
Uma iguaria cada vez mais rara e valiosa

Há algo que torna a lampreia ainda mais especial do que a sua tradição ou o seu sabor singular: a sua crescente escassez. Nas últimas décadas, as populações de lampreia nos rios portugueses têm diminuído de forma significativa.
A degradação dos habitats fluviais, a construção de barragens que interrompem as rotas migratórias, a poluição das águas e a pressão da pesca intensiva são os principais fatores que ameaçam este animal.
A lampreia é um animal primitivo, evolutivamente quase inalterado há mais de 360 milhões de anos. Sobreviveu a extinções em massa, mas está a ter dificuldade em sobreviver à transformação dos rios modernos.
Preços em escalada
Em Portugal, a lampreia-marinha é a espécie mais apreciada na gastronomia, e as capturas anuais têm oscilado de forma cada vez mais imprevisível, dependendo da qualidade das águas e das condições climáticas de cada ano.
Esta raridade tem uma consequência direta nos preços. No mercado, a lampreia pode atingir valores entre os 30 e os 60 euros por quilo, variando consoante a época, a disponibilidade e o canal de venda.
Nas ementas dos restaurantes, um prato de lampreia à bordalesa ou em arroz raramente desce abaixo dos 25 a 35 euros por pessoa, posicionando-se como uma das experiências gastronómicas mais exclusivas da cozinha portuguesa.
Esta equação entre escassez e valor transforma o Festival da Lampreia em algo mais do que um evento de comida, é uma oportunidade genuína de aceder a um produto que, de ano para ano, se torna mais difícil de encontrar e mais precioso para quem o aprecia.
Comer lampreia no Cais de Entre-os-Rios, rodeado pela paisagem dos rios que lhe deram origem, é uma experiência única.