Teresa Campos
Teresa Campos
22 Abr, 2020 - 12:01

COVID-19 e fibromialgia: relação entre doenças e cuidados a ter

Teresa Campos

A fibromialgia atinge entre 2% e 8% da população e é uma doença crónica silenciosa. Conheça a relação que esta patologia pode ter com a COVID-19.

Mulher com sintomas de fibromialgia

Viver com fibromialgia implica lidar com uma série de sintomas, como dor muscular difusa, sensibilidade em várias zonas do corpo, distúrbios de sono, fadiga, dores de cabeça, problemas de humor, como depressão e ansiedade.

Mas de que forma a fibromialgia aumenta o risco de COVID-19 e como alguém pode gerir os sintomas de ambas as doenças, ficando em casa? Os especialistas pronunciaram-se acerca deste tema e deixaram informações preciosas.

A fibromialgia aumenta o risco em caso de infeção pelo novo coronavírus?

Petros Efithimiou, reumatologista em Nova Iorque, afirma que a resposta depende do estado da doença, ou seja, se se está num primeiro ou segundo nível de fibromialgia.

O primeiro estádio de fibromialgia é a forma mais comum e carateriza-se por ser um síndrome de dor crónica, no qual o corpo e o cérebro processam e gerem a dor de modo distinto. Porém, o Dr. Efithimiou sublinha algo muito importante. Nestes casos, não há imunossupressão.

Assim, de acordo com Frederick Wolfe, reumatologista e especialista em fibromialgia em Wichita, Kansas, desde que a fibromialgia não comprometa o sistema imunitário, não há riscos acrescidos para o doente, caso ele contraia COVID-19.

Recomendações sanitárias

Deste modo, as pessoas com diagnóstico de fibromialgia devem seguir as recomendações das autoridades médicas que a restante população. Isto é, lavar corretamente as mãos, praticar o distanciamento social e evitar saídas e contactos desnecessários.

Já num segundo nível, a fibromialgia pode ocorrer em pacientes com problemas no seu sistema imunitário, como lupus, artrite reumatóide e espondilose. Nesta situação, o seu sistema imunitário pode estar comprometido e, assim, o risco em caso de COVID-19, aumentar.

Mulher com sintomas de síndrome pré-menstrual

Mas será que a medicação para a fibromialgia suprime o sistema imunitário?

Isso dependerá do tipo de medicação e tratamento realizados, os quais vão ao encontro dos sintomas do paciente.

Porém, em caso de COVID-19, é aconselhável falar com o médico e questioná-lo sobre a possibilidade de suspender alguma medicação, como anti-inflamatórios não esteróides como o ibuprofeno (Advil) ou o naproxeno (Aleve) ou acetaminofeno (Tylenol).

Isto, porque alguns estudos publicados no British Medical Journal avançam que estes medicamentos podem “facilitar” o desenvolvimento de complicações e infeções respiratórias, a par de doenças cardiovasculares, como afirma Paul Little, professor e investigador de cuidados primários da University of Southhampton no Reino Unido.

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Diferenças entre a fibromialgia e o novo coronavírus

Alguns sintomas da fibromialgia podem ser comuns à COVID-19, tais como dores no peito e no corpo, fadiga e indisposição. Porém, os especialistas acreditam que os doentes conseguirão identificar as diferenças. Se a dificuldade em respirar ou as dores se agudizarem e a intensidade e caraterísticas dos sintomas se modificarem, é porque isso pode ser um indício de um novo quadro clínico.

Como a ansiedade e a depressão podem ter uma palavra a dizer, mesmo no surgimento de certos sintomas físicos, o mais indicado a fazer, segundo Brett Smith, reumatologista do Blount Memorial Physicians Group em Alcoa, Tennessee, é pedir aconselhamento médico, em caso de dúvida.

Como lidar com os sintomas da fibromialgia, durante a quarentena

Sintomas da fibromialgia como dor, fadiga, insónia, ansiedade e depressão podem intensificar-se durante esta fase.  De acordo com o Dr. Efithimiou, o “segredo” está em conseguir controlar a ansiedade.

John S. Fry, psicólogo e membro da National Fibromyalgia Association, deixa algumas sugestões sobre como os doentes com fibromialgia podem lidar com os seus sintomas, durante esta pandemia causada pela COVID-19. Tome nota:

  • Exercício: O exercício físico pode aliviar os sintomas associados à fibromialgia e melhorar a qualidade de vida. Dar um passeio curto, fazer aulas de ioga online e descansar entre as sessões de exercício são ideias a pôr em prática;
  • Técnicas de relaxamento: Meditar, fazer ioga ou fazer inspirações profundas e relaxamento muscular é essencial para estes doentes. Há muitas apps disponíveis que o podem ajudar neste sentido, além do acompanhamento clínico;
  • Distanciamento físico, não emocional: Os doentes com fibromialgia precisam de suporte social dos seus amigos e ente-queridos. Por isso, estas pessoas devem usar as redes sociais e as ferramentas online para manterem contacto com aqueles de quem mais gostam. Peça ajuda, sempre que necessitar;
  • Faça um horário: Criar um plano e uma rotina para os seus dias vai ajudá-lo a superar os sentimentos associados à condição do isolamento. Assim, terá objetivos e isso irá fazê-lo sentir-se útil;
  • Pensamentos positivos: É importante fomentar pensamentos otimistas, nomeadamente no que respeita ao novo coronavírus. Deve acreditar que, se tomar todos os cuidados necessários, conseguirá “escapar” ao vírus e, mesmo que contraia a doença, não estará sozinho. Terá o apoio da família e dos amigos, mas também dos profissionais de saúde;
  • Passatempo: Ficar em casa, em isolamento social, pode aumentar os sentimentos de ansiedade. Por isso, é importante apostar em hobbies e atividades que ajudem a passer bem o tempo, como pintar, jardinar ou ver séries, por exemplo;
  • Sono: Quem tem fibromialgia, pode não sentir facilidade em dormir bem, o que pode aumentar as dores e a fadiga, entrando num ciclo vicioso. A ansiedade à volta da situação pandémica atual pode agudizar ainda mais este problema.

Fibromialgia: principais sintomas

O maior sintoma da fibromialgia é, precisamente, a dor. Uma dor generalizada por todo o corpo, sem que haja um motivo para isso (por exemplo, exercício físico intenso). Esta dor pode ocorrer na forma de espasmos ou de sensação de queimadura. Além desta, existe outra sintomatologia associada, como:

  • Formigueiro nos membros;
  • Fadiga generalizada;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Perda de energia para efetuar tarefas do dia-a-dia;
  • Rigidez muscular;
  • Inchaço de algumas partes do corpo;
  • Problemas gástricos;
  • Cólon irritável;
  • Perturbações do sono;
  • Baixos níveis de serotonina;
  • Altos níveis de proteína.
mulher com artrite reumatóide

Diagnóstico

Como não existe nenhum exame “standard” que possa confirmar ou não a existência de fibromialgia, usualmente é utilizado um critério de diagnóstico que se baseia na observação de 18 pontos distribuídos pelo corpo. Se em pelo menos 12 destes se observar dor, provavelmente trata-se de fibromialgia.

Adicionalmente, existem outros critérios para confirmar o diagnóstico, tais como:

  • Dor generalizada pelo corpo, sem motivo aparente, por um período superior a 3 meses;
  • Pelo menos dois dos seguintes sintomas:
    • Cansaço generalizado;
    • Perturbações do sono;
    • Alterações emocionais.
doente crónica em consulta no médico
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Tratamento

A fibromialgia é uma doença crónica e ainda não é conhecido um tratamento efetivo que erradique esta patologia. É possível, contudo, recorrer a medicação que auxilie a minorar a dor sentida pelo corpo.

É necessário ter em atenção que a fibromialgia não é uma doença que se limita às dores no corpo: a dimensão psicológica também pode ser afetada. Daí que seja muito importante ter um bom apoio familiar e médico.

Se não for levado a cabo qualquer tratamento, a tendência é para que o paciente piore, pelo que é fundamental um acompanhamento clínico regular. Um equilíbrio entre medicação, fisioterapia, psicoterapia, exercício físico e tratamento psiquiátrico são, geralmente, é geralmente a estratégia indicada para lidar com a fibromialgia.

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Para descomplicar a informação

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