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Pedro Andersson
Pedro Andersson
07 Mai, 2020 - 12:40

A importância do Fundo de Emergência em tempo de crise

Pedro Andersson

Saiba como ter um Fundo de Emergência pode fazer toda a diferença nas suas finanças.

Pedro Andresson

Não há volta a dar. Quando a crise chegou, ou tinha um Fundo de Emergência ou não tinha. Isso fez (ou ainda vai fazer) toda a diferença na sua vida financeira e da sua família. Se não o tinha, infelizmente já vai tarde. Mas isso não quer dizer que não possa recuperar o tempo perdido. Vamos por partes.

Segundo o Banco de Portugal, perante a crise da COVID-19 metade das famílias portuguesas consegue pagar as suas despesas no máximo durante três meses e meio, sem ter nenhum rendimento.

Por outro lado, as famílias de rendimentos mais baixos conseguem apenas pagar pouco mais de um mês de despesas recorrendo às poupanças. As famílias com rendimentos mais elevados dispõem de recursos suficientes para financiar mais de um ano de despesas na ausência de rendimento.

Ou seja, há situações muito diferentes em Portugal. Esta crise não afetou (para já) metade das famílias portuguesas. Continuam a receber o seu salário ou pensões por inteiro e ainda poupam porque têm menos despesas e porque nem têm como gastar o dinheiro. O que está a fazer com essas “sobras”?

Aliás, o estudo do Banco de Portugal até verificou que nas famílias com baixos rendimentos, mas que mantêm o salário, se recorrerem às moratórias dos bancos para suspender o crédito à habitação até ficam a ganhar mais do que antes da crise. É normal, mas não se esqueçam de que vão ter de pagar essa diferença mais à frente.

Esta dica é sobretudo para quem ainda tem alguns rendimentos ou os manteve intocados. Quem está em dificuldades extremas, tem de se preocupar simplesmente em pagar todas as contas e não falhar nenhuma prestação, dê por onde der. Use todas as moratórias, adiamentos e apoios que puder. É uma situação à parte.

Se mantém o seu salário, saiba que isso neste momento não é garantido, portanto tenha como meta a médio prazo não ter nenhum crédito (excepto o da habitação, que é para ir pagando ao longo de décadas). Vai sentir uma liberdade que agora não conhece. Estou a falar de despachar o mais depressa possível as suas dívidas com os cartões de crédito, o crédito pessoal e o crédito automóvel.

Parece que me estou a desviar do tema do Fundo de emergência, mas não estou. É só para lhe dizer que ainda antes de se atirar a essas dívidas é absolutamente prioritário ter um Fundo de Emergência.

quanto deve ter de Fundo de emergência

Fiquei estarrecido com a quantidade de pessoas que me fizeram apelos dramáticos durante a fase do confinamento (quando o governo mandou fechar praticamente todas as empresas) a explicar que por não trabalharem 15 dias (15 dias!!!) não iam ter dinheiro para pagar o crédito à habitação, a renda da casa, as contas da luz, gás, água e telecomunicações.

Ninguém, mas mesmo ninguém, consegue ter uma vida financeira mais ou menos saudável se não tiver pelo menos 1.000 euros no banco. É o mínimo dos mínimos. Seja quem for, mesmo na pior situação que possa imaginar. E esse dinheiro é intocável. É como se não existisse.

Sei que aí desse lado alguém poderá estar a pensar “Lá está ele a delirar. É conversa de rico, se ele soubesse a minha vida…”.

Bom, então vamos por partes. Em primeiro lugar, não lhe estou a dizer que tem de arranjar os 1.000 euros no mês que vem. É um objetivo que deve ter. Pode demorar 2, 3, 4 ou 5 anos, ok? Mas vai ter de o atingir. Tem de ter esse alvo.

Eu divido o Fundo de Emergência em 2 escalões:

  • Os tais 1.000 euros porque é um valor redondo e simbólico;
  • E os 6 meses ou 1 ano de todas as suas despesas, para se sentir mais seguro.

Alguns poderão estar a pensar “Mas eu quero viver a vida…”. Repare, viver com uma espada financeira sobre a cabeça todos os dias do ano não é “Viver a vida”. “Viver a vida” é ter a liberdade de poder fazer escolhas. E ter a máquina de lavar avariada e não ter dinheiro para a mandar arranjar ou para comprar uma nova não é propriamente a melhor forma de “Viver a vida”. Estabeleça prioridades na sua vida.

Além dos 20, 30 ou 50 euros que vai ter de colocar de lado por mês, estabeleça retirar obrigatoriamente uma parte (à sua escolha) do subsídio de Férias e de Natal durante o tempo que for necessário até atingir este objetivo.

Talvez esteja em lay-off, mas ainda sem saber se a empresa vai fechar ou reabrir. Em alguns casos, a empresa até pode reabrir mas vai ter dificuldades em aguentar-se e pode vir a fechar mais mês, menos mês. Ou talvez tenham de despedir alguém e pode calhar-lhe a si, quem sabe. É para essas situações que deve ter 6 meses a um ano de despesas garantidas no banco.

Estamos a falar de valores a rondar os 5 mil euros ou mais, conforme os seus rendimentos e despesas.

Note que não estou a dizer-lhe como deve viver a sua vida, nem como deve gerir os seus gastos. Você ganha o dinheiro que ganha e gasta como muito bem entender. Repito que só quero que saiba o que tem de fazer para enfrentar crises como estas. Ou fica aflito, à mercê do que os bancos e o Estado lhe quiserem (ou puderem) dar ou depende de si próprio. É uma escolha que já devia ter feito no passado, mas que talvez ainda possa ir a tempo de fazer agora, a pensar no seu futuro e dos seus.

Para atingir este objetivo terá de fazer escolhas, sacrifícios, e abdicar de alguns luxos ou confortos. É o que é. Você decide o que fazer daqui para a frente.

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