Pedro Andersson
Pedro Andersson
06 Abr, 2020 - 18:55

COVID-19: Manual anti-crise para aplicação imediata

Pedro Andersson

Vivemos momentos em que cada euro voltou a ser importante. Por isso, aqui ficam alguns conselhos rápidos sobre como pode compensar a perda de rendimentos.

Pedro Andresson

A nossa vida mudou literalmente de um dia para o outro. Estava tudo a correr tão bem. E quando menos esperávamos, a crise voltou. E em força. Tudo corria de feição na economia, nas nossas finanças e negócios. Depois fomos atingidos por um verdadeiro tsunami que arrasou não só o nosso país, como o mundo inteiro.

Em Portugal, de uma semana para a outra, milhares de empresas fecharam as portas, ou ficaram a funcionar parcialmente, e centenas de milhares de pessoas perderam um emprego que parecia estável ou tiveram de abandonar negócios que tinham tudo para ser um sucesso. Pessoas que nunca tiveram problemas financeiros, perceberam que tudo é frágil. E, pela primeira vez na vida, sentem-se inseguras e com medo do futuro.

Vivemos momentos agora em que cada euro voltou a ser importante. Por isso, quero dar-lhe alguns conselhos rápidos sobre como pode compensar a perda de 33% dos seus rendimentos (se está em lay-off, por exemplo) ou – infelizmente – até quem perdeu mais do que isso. É uma espécie de tratamento de choque financeiro.

Pela minha experiência, a poupança é uma sucessão de pequenos “ganhos” que, somados ao longo do tempo, dão uma soma talvez maior do que um aumento salarial. Mas como é feita “grão-a-grão” é mais difícil de contabilizar e muitas vezes nem damos por ela. E temos a tendência para não a valorizar muito porque na maior parte dos casos, acabamos por gastar o que poupamos em outras coisas e, portanto, acabamos por não “ver” os nossos esforços de poupança.

Neste caso, o primeiro objetivo é compensar na medida do possível as perdas de rendimento que teve. Depois vamos ao resto.

Comece JÁ por fazer isto

1. Fazer um levantamento de todas as suas despesas fixas regulares (sejam mensais ou anuais). Anote num papel.

2. Verifique todas as poupanças/investimentos que tem (ao cêntimo). Veja o saldo de cada uma das contas bancárias que tem. Some tudo e veja para quantos meses dá para viver com essas poupanças com os cortes que teve. Esse é o seu fundo de emergência.

3. Depois de fazer as listas das suas despesas, anule as que puder anular e compare com a concorrência da empresa de que é cliente e renegoceie TUDO. Basta que lhes ligue e diga “Não posso pagar estes valores, o que me propõe?”. E depois avalie se fica ou muda de empresa, se não estiver fidelizado.

4. Troque de empresa de telecomunicações, ou reduza os serviços.

5. Troque para uma empresa de eletricidade e gás mais barata.

6. Mude para uma seguradora automóvel que lhe faça mais barato pelas mesmas coberturas.

7. Renegoceie o seu seguro de vida.

8. Se tem um spread superior a 1.2 transfira o seu crédito à habitação para outro banco.

9. O dinheiro que está a poupar em combustível, portagens e parquímetros, e alimentação fora (porque está em casa) coloque já numa conta à parte. Faça de conta que esse dinheiro não existe. Vai fazer-lhe falta.

10. Se ainda tem emprego, faça já de conta que ficou desempregado, e viva como se estivesse a receber o subsídio de desemprego ou como se estivesse em lay-off (a receber menos 33%). Não sabe o futuro. E olhe que ele não é risonho.

Tenho mais dicas, mas só estas já lhe vão dar muito trabalho por estes dias. Sei que não estava à espera disto, mas agora não pode dizer que não tem tempo para tratar destas coisas da luz, do gás, das telecomunicações e dos seguros. É por aqui que tem de começar. E é bom que comece hoje. Isto vai doer.

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