Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
03 Nov, 2026 - 17:00

Geoparques em Portugal: os 7 da UNESCO e quanto custam

Cláudia Pereira

Há sete geoparques em Portugal reconhecidos pela UNESCO. Veja o que pode visitar sem pagar em cada um, que entradas se pagam e como gastar menos na visita.

Há sete geoparques em Portugal com o selo mundial da UNESCO, do Nordeste Transmontano ao Algarve, passando pelos Açores. O mais recente, o Algarvensis, entrou na lista em abril de 2026 e é o primeiro a sul do Tejo.

Na prática, a maior parte do que há para ver nos geoparques em Portugal é gratuita. Só se paga em alguns equipamentos geridos por câmaras, associações ou empresas, com preços que vão de um euro a mais de 20 euros por pessoa.

O que é um geoparque e porque não tem entrada

Um geoparque mundial da UNESCO é um território com património geológico de importância internacional, gerido para o proteger, explicar ao público e gerar desenvolvimento local. A classificação é revista periodicamente pela UNESCO. Não há portões nem bilhete único: o geoparque é a região.

Isto tem uma consequência direta para o orçamento. Os geossítios, os locais de interesse geológico assinalados, estão quase sempre ao ar livre e são de acesso livre. O custo de uma visita depende sobretudo de três coisas: combustível, refeições e as poucas atrações pagas que decidir incluir.

Os sete geoparques, de norte a sul

Terras de Cavaleiros (Macedo de Cavaleiros)

Classificado em 2014, coincide com o concelho de Macedo de Cavaleiros, com cerca de 700 km². Tem 42 geossítios e cerca de 180 km de trilhos repartidos por 24 pequenas rotas, segundo o Turismo de Portugal.

A estrela é a Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo, com praias fluviais de acesso livre. Para planear o verão, veja o guia da Albufeira do Azibo e das suas praias fluviais.

Arouca

Integrou a rede em 2009 e ocupa todo o concelho de Arouca. Tem 41 geossítios, entre eles as pedras parideiras da Castanheira e as trilobites gigantes de Canelas.

É também o geoparque mais conhecido por causa dos Passadiços do Paiva e da Ponte 516, ambos com bilhete. Antes de ir, consulte o guia prático dos Passadiços do Paiva.

Estrela

Reconhecido em 2020, abrange nove concelhos à volta da serra: Belmonte, Celorico da Beira, Covilhã, Fornos de Algodres, Gouveia, Guarda, Manteigas, Oliveira do Hospital e Seia.

O vale glaciário do Zêzere, em forma de U, estende-se por cerca de 10 km entre o Covão da Ametade e Manteigas. Vê-se de graça, a partir da estrada que sobe à Torre ou a pé, pelos trilhos.

Naturtejo (Beira Baixa)

Foi o primeiro geoparque português, em 2006, e é o maior do continente: cerca de 5.000 km² repartidos por sete concelhos da Beira Baixa e do Alto Alentejo. As Portas de Ródão, onde o Tejo rasga a serra, e a Rota dos Fósseis de Penha Garcia, um percurso pedestre de cerca de 3 km, são de acesso livre.

Em Penha Garcia, os fósseis de trilobites (as Cruziana) estão à vista nas rochas do trilho, conheça o roteiro da aldeia de Penha Garcia. O passeio de barco às Portas de Ródão é a principal opção paga.

Oeste

Classificado em 2024, é o geoparque dos dinossauros. As arribas entre a Lourinhã e Peniche guardam jazidas de fósseis de dinossauro do Jurássico Superior estudadas por paleontólogos de todo o mundo.

A costa, como a do Baleal, é de acesso livre. O Dino Parque Lourinhã, um parque temático privado, é pago. Para montar o roteiro, leia a viagem ao Geoparque Oeste com paragens e trilhos.

Açores

Integrou a rede em 2013 e é um caso único: abrange as nove ilhas e o mar à volta, com 121 geossítios. Lagoas em crateras, fumarolas e campos de lava são, na maioria, visitáveis sem pagar.

Atenção às exceções. Na Terceira, o Algar do Carvão cobra entrada e tem encerramentos sazonais e para obras. Em São Miguel, o recinto das caldeiras da Lagoa das Furnas é pago, mas fica isento para quem faz o trilho PRC06 SMI.

Algarvensis (Loulé, Silves e Albufeira)

O mais novo, reconhecido em abril de 2026, tem 2.427 km², dos quais 843 km² são área marinha. Fica longe da imagem de praia: aposta no barrocal e na serra.

A Rocha da Pena (cerca de 480 metros de altitude) e a Fonte Benémola são paisagens protegidas com percursos pedestres sinalizados e gratuitos. A Mina de Sal-Gema de Loulé, a 230 metros de profundidade, é visitável com bilhete.

Quanto custa: as entradas que se pagam

GeoparqueAtração pagaPreço adultoNotas
AroucaPassadiços do Paiva1 euro (nov.–mar.) ou 2 euros (abr.–out.) onlineSem reserva, custa o dobro; menores de 10 anos não pagam
AroucaPonte 51612 eurosInclui os Passadiços no mesmo dia
AçoresAlgar do Carvão10 eurosFechado para obras desde 1 de novembro de 2026, reabertura prevista para março de 2027; menores de 12 anos acompanhados não pagam
OesteDino Parque Lourinhã16 euros na bilheteira (criança: 12 euros)Online custa menos (13,58 euros com o desconto em vigor até 31 de dezembro de 2026); até aos 3 anos não paga
AlgarvensisMina de Sal-Gema de Loulé25 euros (criança dos 6 aos 12: 17 euros)Só em dias úteis, com marcação; não admite menores de 6 anos
Confirme sempre no site oficial antes de ir: os valores mudam com a época e sem aviso.

Faça as contas antes de sair de casa. Um casal com dois filhos que junte a Ponte 516 a um dia em Arouca paga 40 euros no pack familiar.

Veja também Arouca Geopark: o que pode ver sem pagar um cêntimo

Como gastar menos na visita

A regra de ouro é simples: o geoparque é gratuito, as atrações não. Comece pelo que não tem bilheteira, como miradouros, trilhos sinalizados, praias fluviais e escolha no máximo uma atração paga por dia.

Depois, compre online sempre que existir essa opção. Nos Passadiços do Paiva não há venda de bilhetes nas entradas: sem reserva, só na loja de turismo de Arouca, a pagar o dobro e apenas se ainda houver vagas no dia. No Dino Parque, o bilhete online também sai mais barato.

Por fim, atenção ao calendário. A época baixa traz bilhetes mais baratos em Arouca, mas também horários reduzidos e encerramentos sazonais, como no Algar do Carvão. Confirme horários antes de fazer centenas de quilómetros.

Se procura mais escapadinhas debaixo de terra, descubra as grutas de Portugal que pode visitar.

Sete territórios, quase tudo de graça

Na prática: sete geoparques em Portugal, centenas de geossítios e trilhos sem bilhete e só meia dúzia de atrações onde se paga. Escolha um, reserve online o que for pago e deixe o resto do orçamento para a gastronomia local.

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Fontes

Barlavento. (2026). CCDR Algarve saúda reconhecimento do Geoparque Algarvensis como Geoparque Mundial da UNESCO. https://www.barlavento.pt/?p=397949

Direção-Geral de Energia e Geologia. (s.d.). Vale glaciário do Zêzere (geossítio), Manteigas. Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico. https://roteirodasminas.dgeg.gov.pt/en/lista-de-locais/estrela-unesco-global-geopark-en-1

Dino Parque Lourinhã. (2026). Preparar a visita: preços. https://www.dinoparque.pt/preparar-visita/

Direção Regional do Turismo dos Açores. (s.d.). PRC06 SMI – Lagoa das Furnas [Folheto de percurso pedestre]. https://trails.visitazores.com/sites/default/files/prc_06_smi_-_lagoa_das_furnas_nova_versao_0.pdf

Direção-Geral de Energia e Geologia. (s.d.). Mina de Sal-Gema, Loulé. Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico. https://roteirodasminas.dgeg.gov.pt/lista-de-pontos/mina-de-sal-gema-pt/

European Geoparks Network. (s.d.). Terras de Cavaleiros Geopark. https://www.europeangeoparks.org/?p=4232

Município de Arouca. (s.d.). Preços. Passadiços do Paiva. https://passadicosdopaiva.pt/Info/pt/precos.html

Naturtejo. (s.d.). Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO. https://naturtejo.com/ficheiros/beira

Turismo de Portugal. (s.d.). Geoparques. VisitPortugal. https://www.visitportugal.com/pt-pt/node/426541

UNESCO. (2026). Nominations of new UNESCO Global Geoparks: Details of the nominations (Conselho Executivo, 224.ª sessão). https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000397215

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