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Luís Vicente
Luís Vicente
21 Out, 2019 - 15:08

Guiné-Bissau: um paraíso natural ainda longe das rotas turísticas

Luís Vicente

O arquipélago de Bijagós é o cartão de visita da Guiné-Bissau. Composto por 88 ilhas, é lá que se pode avistar a última comunidade de hipopótamos-marinhos.

Casa tradicional da Guiné-Bissau

Bissau ligou-se por justa-posição a Guiné por razões práticas mas também identitárias. Guiné-Bissau, antiga colónia portuguesa, distingue-se assim, pelo nome, da Guiné, de passado francês, e da Guiné Equatorial, antigo Reino de Espanha.

Apesar das ligações a Portugal, como território ultramarino até 1974, apenas 27% da população fala português. Outrora idioma oficial, esta viu-se ultrapassada em larga escala pelo Crioulo.

Ouve-se crioulo tanto em Bissau, a capital, como nas 88 ilhas que compõe o reduto de biodiversidade natural Bijagós. O arquipélago classificado pela UNESCO como Reserva da Biosfera é conhecido pelo Parque Nacional Marinho João Vieira, Parque Nacional de Orango e Área Protegida Comunitária das Ilhas de Urok.

Com uma economia presa ao parco desenvolvimento do país, é através da exportação mundial da castanha de caju que a Guiné-Bissau vai equilibrando a balança comercial.

Com muito por descobrir, onde ainda reina a preservação natural ao largo deste país tropical no oeste africano, a maioria dos turistas passa pouco tempo na capital.

guiné-Bissau: resquícios da época colonial

vista da capital da Guiné-Bissau
A capital Bissau ainda mantém muitas características deixadas pela presença portuguesa

Pouco há para fazer em Bissau. A maior parte das viagens até à Guiné-Bissau servem apenas de escala, sendo o arquipélago de Bijagós o destino final.

Ainda assim, uma vez na capital, pode ser interessante ganhar mundo conhecendo melhor esta cidade repleta de edifícios coloniais portugueses.

Com cerca de 400 mil habitantes, muitos deles podem ser encontrados no Mercado de Bandim. Esta é uma experiência sem dúvida singular, com muitos vendedores ambulantes e regateio de preço. Neste mercado poderá ser o sítio ideal para levar uma lembrança.

Onde comer

O Bistro

Tido por muitos como uma surpresa, o restaurante O Bistro é o mais apreciado por quem visita, a julgar pelos comentários nos sites especializados. Entre os elogios, é comum ler-se que a comida é surpreendentemente saborosa, tanto as pizzas como as massas.

Restaurante Papa Loca

As gastronomias portuguesa e italiana juntam-se na cozinha do Papa Loca para uma das melhores refeições em Bissau. Por isso, para quem é fã de novilho à portuguesa e ainda uma fatia de pizza para entrada, este é o local ideal.

O restaurante fica muito próximo do Ceiba Hotel, uma das unidade hoteleiras mais conhecidas da capital da Guiné-Bissau.

Onde dormir

Fruto da pouca procura e de instabilidades subjacentes ao próprio país, Bissau acaba por ter uma oferta hoteleira muito reduzida. Dos poucos hotéis no centro, destacam-se o Ceiba Hotel e Royal Hotel; ironicamente, ambos são de 5 estrelas, o que também espelha a falta de diversidade económica e ausência de classe média.

guiné-bissau:arquipélago dos Bijagós

Arquipélago dos Bijagós na Guiné-Bissau
Nas ilhas de Bijagós, as paisagens paradisíacas sucedem-se

O grande ponto de interesse turístico são as ilhas de Bijagós. A maior parte dos visitantes recorre a excursões organizadas de modo a melhor explorar este protegido ecossistema.

Entre os animais, podem avistar-se a última comunidade hipopótamosmarinhos. As águas são límpidas e quentes, sendo habitat de 155 espécies de peixes, que também podem ser observados. Do mar para o ar, também é comum dedicar-se tempo nas excursões à observação de aves.

Regra geral, as refeições também estão incluídas no programa, cujo objetivo é a integração cultural.

Por isso mesmo, a viagem é também gastronómica, às raízes bijagós, onde a culinária é também um ritual religioso-simbólico. Mas também saboroso! Para isso apontam os alimentos que servem de base para a alimentação local: arroz, feijão, amendoim (conhecido como mancarra), o óleo de palma, peixe, marisco – ostras, caranguejos, lingueirão – e moluscos.

Algumas excursões também abordam o carácter social dos nativos, sendo abordados os costumes da etnia Papel. A visita às várias povoações, conhecidas como Tabankas e aos Balobas, lugares sagrados, são também outros pontos de interesse.

A ilha principal do arquipélago chama-se Bubaque, onde está grande parte do Parque Nacional de Orango. Rubane e Bolama são outras ilhas de relativa importância. A primeira é uma emergente ilha turística, com tartarugas, flamingos e macacos; a segunda é a capital oficial do arquipélago, com muita arquitectura colonial.

Plahtoas tradicionais na Guiné-Bissau
Casas tradicionais na ilha de Bubaque, reserva da biosfera da UNESCO

Onde dormir

Hotel Ponta Anchaca

Localizado na ilha de Rubane, este empreendimento em madeira quase em cima do Atlântico é um dos melhores resorts do arquipélago. Muita praia nos tempos livres e peixe fresco às refeições são os ingredientes para a visita. Está também muito próximo da ilha de Bubaque.

Orango Parque Hotel

“Natureza em estado puro” é o lema desta unidade hoteleira. Organiza excursões que permitem explorar toda a riqueza que o Parque Nacional de Orango tem para oferecer. Trata-se de uma viagem de ecoturismo, de praia e de conexão cultural, durante 10 dias.

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