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Um guia para tempos complicados
Valdemar Jorge
Valdemar Jorge
13 Mai, 2021 - 15:15

135 anos do Automóvel: do carro a gás de Benz ao Tesla de Musk

Valdemar Jorge

O carro é uma das invenções com influência decisiva no desenvolvimento do mundo. Viaje pelos 135 anos de história do automóvel.

benz e tesla

2021 marcou o 135.º aniversário da história do automóvel, assinalando a criação do primeiro automóvel criado por Carl Benz (1844-1929). Ele, juntamente com Gottlieb Daimler (1834-1900) foram os pioneiros da construção de automóveis nos finais do século XIX.

Estes dois empreendedores e visionários criaram as respetivas empresas (Rheinische Gasmotorenfabrik, de Carl Benz e Daimler Motorengesellschaft – DMG –, Gottlieb Daimler) que, em 28 de junho de 1926, fundiram para dar corpo ao que hoje é o gigante Daimler-Benz AG, com sede em Unterturkheim, na Alemanha.

É aqui que se inicia a história do automóvel, com Karl Benz reconhecido como o criador do primeiro automóvel movido por motor de combustão interna.

Os primórdios da história do automóvel

Benz Patent Motor Car de três rodas surge em 1886

Contar a história do automóvel implica regressar ao ano de 1885, quando Gottlieb Daimler e Wilhelm Maybach deram o primeiro passo para o que seria o início da mobilidade: instalaram um motor a gás ou movido a parafina num veículo de duas rodas.

Segundo informação da Daimler

o motor – muito menor, mais leve e mais potente do que todos os motores anteriores – foi apelidado de “relógio de pêndulo” devido ao seu formato característico.

Este veículo concluiu um teste com sucesso em novembro de 1885.

Mas ainda não era um automóvel. E, nesta fase, Carl Benz reconhecia que era importante um motor leve, mas teria de ser potente. Não existindo, até então, solução para a direção de um veículo de quatro rodas, Benz concentrou-se

na construção de um veículo de três rodas que formava uma peça única de chassi e motor.

Deste modo, 29 de janeiro de 1886 é a data que podemos associar ao “nascimento” do primeiro automóvel com Carl Benz a solicitar a patente para o seu “veículo movido com motor a gás”, a que foi atribuído o número de registo 37435.

Cinco meses mais tarde, em junho de 1886, Carl Benz era notícia, com os jornais a darem conta da saída do Benz Patent Motor Car de três rodas, modelo n.º 1.

Curiosa viagem de Bertha Benz impulsiona sucesso do marido

Após o sucesso do fabrico do primeiro automóvel, Carl Benz dedica-se a aperfeiçoar o seu produto. Entre 1891 e 1897 encontra algumas das soluções que perseguia e que foram determinantes para o sucesso do automóvel, tal como hoje o conhecemos.

Entre as inovações desenvolvidas estão o sistema de direção de pivô (patenteado em 1893); o “contra motor”, com os cilindros a poderem estar dispostos frente a frente, ou a engrenagem planetária.

Mas antes de todas estas inovações se tornarem uma realidade, a mulher de Benz, Bertha Benz, toma uma decisão que atraiu a atenção do público para a invenção do marido.

Na companhia dos filhos Eugen, de 15 anos, e Richard, de 14 anos, realiza a primeira viagem de automóvel, de longa distância, entre Mannheim e Pforzheim, que distam, aproximadamente, 100 kms.

Nesta aventura que Bertha Benz realizou, sem o conhecimento do marido, utilizou uma versão melhorada do primeiro automóvel então construído. Um ato corajoso que constituiu um impulso para o que viria a seguir. A aventura automóvel nunca mais parou de acontecer.

Benz Velo o primeiro automóvel de produção em série

Ao longo do século XIX, outros inventores juntaram os seus nomes ao pioneiro Carl Benz e a Gottlieb Daimler.

O suíço Isaac de Rivaz (1807), o belga Jean-Joseph-Etienne Lenoir (1863) e Siegfried Marcus na Áustria (1870) são disso exemplo, ao contribuírem com os seus projetos, uns mais capazes que outros, para o desenvolvimento do automóvel.

Após a grande invenção e a projeção que esta teve, Carl Benz rapidamente chega à conclusão da necessidade de produção em massa do automóvel. E, se assim pensou, melhor implementou. Em 1984 surge o Benz Velo, o primeiro automóvel do mundo com produção em série.

Para consolidar o processo de produção, a marca “Mercedes” (Daimler-Motoren-Gesellschaft) é registada em 23 de setembro de 1902, para satisfazer a

crescente demanda que acompanhou os sucessos do automobilismo e garantir a necessária expansão da produção.

História do automóvel: do carro a gás de Benz ao Tesla de Musk

A “viagem” continua ao longo de 135 anos. Ao empreendedor Carl Benz, referenciado como o “pai” do automóvel, juntaram-se, então, muitos outros atores que contribuíram para o sucesso da história.

Prosseguimos, assim, a viagem pela história do automóvel através de uma linha de tempo onde aglutinamos os principais acontecimentos que contribuíram para o sucesso do automóvel que, entre 2019 e 2021, conhece um novo paradigma: a eletrificação, por uma maior sustentabilidade.

De 1886 a 1900: o primeiro automóvel a passar a barreira dos 100 km/h

Após o sucesso de Carl Benz (1844 – 1929) e Gotlieb Daimler (1834 – 1900) surge, em 1889, Armand Peugeot, que inicia com a empresa da família a produção de automóveis sob o emblema Peugeot Frères.

Seis anos mais tarde (1895), a Peugeot torna-se a primeira marca a utilizar pneus pneumáticos, em vez da borracha rígida sólida. Na mesma altura, Armand Peugeot toma a decisão de se afastar da empresa familiar e abrir a sua própria fábrica sob o nome Peugeot, marca que se mantém até aos dias de hoje.

Na Inglaterra (1896), a Wolseley Sheep Shearing Machine Company apresenta o seu primeiro automóvel, designado Wolseley Autocar 1. Tratou-se de um projeto do designer Herbert Austin, primeiro Barão Austin (8 de novembro de 1866 – 23 de maio de 1941).

Herbert Austin funde, em 1905, a The Austin Motor Company Limited. O controlo da empresa foi dividido com a Morris Motors Limited, em 1952. Assim, surge uma nova estrutura, a The British Motor Corporation Limited, na qual, tanto a Austin quanto a Morris, mantiveram as suas identidades.

Louis Renault constrói quadriciclo em 1898

Em França, o automóvel também dava os primeiros “arranques”, com Louis Renault a construir em Billancourt, Paris, em 1898, um quadriciclo na oficina que era propriedade família. O sucesso do pequeno automóvel levou a que o francês fabricasse, até finais de 1899, 71 unidades.

A fechar esse mesmo ano, surgiu o primeiro carro a atingir os 100 km/h: o La Jamais Contente. Na verdade este tornou-se o primeiro carro, à época, a ser considerado o mais rápido do mundo, ao atingir a marca de 106 km/h.

Os anos 1900 são decisivos na expansão das marcas e modelos

Os anos 1900 são determinantes para o que é a história do automóvel e o seu sucesso. Logo em 1901, Paul Daimler e Willhem Maybach projetam e constroem o automóvel que viria a ser padrão para outras marcas que foram surgindo na Europa. O automóvel ficou conhecido por Mercedes. Estava, assim, criada a marca que atualmente é um dos gigantes europeus.

Ainda na primeira década de 1900 os Estados Unidos da América registam novos avanços no sector, com Henry Martyn Leland e Robert Fauconer a projetarem um motor monocilíndrico, que seria utilizado em veículos da marca Oldsmobile.

O negócio não corre bem e Leland, que também desempenhava funções como consultor da Henry Ford Company, colocou o seu motor num chassi Ford, criando então o seu automóvel, o Model A.

Cadillac Model A, um dos carros importantes da história do automóvel
Cadillac Pressroom

Após Henry Ford deixar a fábrica, nascia uma nova marca, a Cadillac, em homenagem ao francês que fundou a cidade de Detroit no século XVIII. O Cadillac Model A foi apresentado no Salão do Automóvel de Nova Iorque em 1903.

Henry Ford funda a marca da oval azul em 1903

Nesse mesmo ano (1903) Henry Ford abre a sua própria empresa de construção de automóveis, a Ford Motor Company, e produz o primeiro automóvel, o Modelo A de 2 cilindros.

No Reino Unido nasce uma marca que atualmente é emblemática, a Rolls Royce, enquanto Herbert Austin, abre a Austin Motor Company, produzindo o modelo 20hp.

A indústria automobilística nos Estados Unidos da América avança a bom ritmo, muito devido a Henry Ford e ao seu Model T. O grupo GMC dá os primeiros passos e, na Europa, empresas como Daimler, Opel, Renault e Peugeot projetam-se como fabricantes.

Henry Ford ao lado do Model T, um marco da história do automóvel
Ford Media Center

Em Itália, o francês Alexandre Darracq, industrial e fabricante de carros, montou uma fábrica em Milão. No entanto, não tem o sucesso esperado. Por isso, passou o negócio para um consórcio de investidores italianos, que criam Anonima Lombarda Fabbrica Automobili, conhecida por Alfa. O primeiro carro desportivo foi o 24HP.

Tratou-se de um projeto de Giuseppe Merosi, que tinha motor de 4 cilindros e 4.082 cm3. Em 1915 a empresa passa a ter a participação do empresário Nicola Romeo e, cinco anos mais tarde, muda o nome para Alfa Romeo. Esta é outra marca que perdura até aos dias de hoje, apresentando automóveis onde design e performance são conjugados com arte.

A fechar a primeira década de 1900, August Horch, engenheiro alemão, funda a Audi. Manteve-se na estrutura durante cerca de 10 anos, após o que se afasta por não comungar da visão dos restantes diretores da empresa.

Primeira Grande Guerra não refreou empenho dos empreendedores

A segunda década de 1900 ficou marcada pela I Grande Guerra Mundial (28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918), que assolou a Europa e envolveu potências de todo o mundo.

Foi um período que trouxe grandes dificuldades aos povos e que custou a vida a nove milhões de combatentes.

Ainda antes da guerra começar, Louis Chevrolet e William C. Durant fundam a Chevrolet, enquanto Ray Harroun vence as 500 milhas de Indianápolis. A somar à vitória existe a curiosidade do piloto ter utilizado o que se pode apelidar de primeiro espelho retrovisor, que foi colocado no automóvel pelo próprio piloto. Uma inovação que perdurará até aos nossos dias.

Henry Ford implementa a primeira linha de produção

Entretanto, Henry Ford, apura o sistema de fabricação. Faz modificações na fábrica e das melhorias implementadas surge a primeira linha de produção de veículos em série. A cada 3 horas saia um Model T da linha de produção.

Estava criado o sistema de fabrico de automóveis que foi adoptado por outros fabricantes e que se mantém até aos dias de hoje. Este foi, sem dúvida, um importante momento da história do automóvel.

Em França, Louis Renault produzia mais 10.000 carros e veículos comercias, colocando a Renault como maior construtor de automóveis naquele país. Por seu lado, Karl Rapp abria uma fábrica de motores de avião na Alemanha.

Mais tarde, já sem a participação de Rapp, a fábrica tornou-se na Bayerische Motoren Werke, ou BMW, que hoje é um dos maiores construtores automóveis da Europa.

A Aston Martin surge em 1914, no Reino Unido, como resultado da vontade de Robert Bamford e Lionel Martin.

A Primeira Guerra Mundial foi também um momento de oportunidades. Em França, André Citröen, que durante o período da guerra fabricou engrenagens e munições para o exército francês, enriqueceu o que lhe permitiu criar a sua própria fábrica de automóveis. O Type A 10CV foi o primeiro carro a sair da linha de montagem.

O ano de 1922 marca o arranque de outra marca que viria a impor-se no sector automóvel: a Jaguar. O embrião da marca inglesa resulta do empreendedorismo de dois apaixonados por motos, William Lyons e William Walmsley, que fundaram a Swallow Sidecar Company, que deu origem à Jaguar.

Anos 30: a estética começa a despontar

A década de 30 do século XX abre um novo capítulo no sector e história do automóvel. As linhas de montagem são cada vez mais uma realidade e a pouco e pouco os carros começam a deixar de ter o ar de uma carruagem com rodas e motor.

A estética e aerodinâmica começam a marcar pontos, se bem que de início estes fatores não eram vistos com bons olhos.

A Peugeot lança o modelo 201, ainda de linhas muito retas, mas já com oferta de modelo coupé. A marca francesa com este modelo, simples e barato, deu início ao seu padrão de nomenclatura automóvel com três números, sendo que o do meio é um zero.

A par das mudanças que se anunciavam, surge em 1930 o primeiro teste de colisão automóvel numa iniciativa da General Motors. No ano seguinte, surge o dinamómetro, dispositivo de teste para pneus que se pautou como significativo avanço na medição das propriedades mecânicas necessárias dos pneus.

Na Alemanha, sob o olhar atento e a supervisão de Adolf Hitler, surge o esboço do que seria o automóvel mais popular até então. A proposta é da Volkswagen e o carro é o conhecido “carocha” (“fusca”, no Brasil).

produção do Volkswagen Carocha
Volkswagen Newsroom

Ainda na Alemanha surge um dos maiores conglomerados automóveis, a Auto Union que juntou a Audi, Horch, DKW e Wanderer. Neste grupo, a DKW era a responsável pelos automóveis de baixo custo, a Audi e Wanderer pelos carros da classe média e a Horch pelos modelos de luxo.

Peugeot apresenta primeiro cabriolet do mundo

O pulsar da mobilidade volta a centrar atenção em França, com a Citröen a inovar e a lançar o modelo 7CV. Este automóvel tinha tração dianteira e chassis e carroçaria integrados. Uma configuração que vingou e que passou a ser o padrão dos carros produzidos até hoje, com motor dianteiro e estrutura monobloco.

Também a Peugeot volta a dar um ar da sua graça. Após o sucesso do 201, lança o 402 Eclipse Décapotable, sendo pioneira ao apresentar o primeiro cabriolet com teto rígido elétrico.

Do outro lado do mundo, a oriente, Michio Suzuki funda a Suzuki Loom Works e em 1909, investe num projeto automóvel com a sua marca. Os anos 30 marcam ainda o aparecimento do que se pode chamar automóvel “concept”. O primeiro “concept”, na assunção da palavra, surge na Buick com o Y-Job.

Curiosamente o modelo nunca foi apresentado oficialmente, nem fabricado. Apenas um exemplar é conhecido. No entanto, o automóvel serviu de exemplo e definiu a tendência de design que viria a ser adotado noutros carros da marca.

Outros destaques desta década

  • 1932: A Ford projeta o primeiro modelo voltado para o mercado europeu, o Ford Model Y;
  • 1934: William Walsmsley sai da Swallow Sidecar Company, e esta passa a designar-se SS Cars. No ano seguinte lança o primeiro desportivo, o SS Jaguar 90 e de seguida o SS Jaguar 100. Surgem, deste modo, os primeiros automóveis a receberem o nome da conhecida marca britânica. Depois da Segunda Guerra Mundial a SS Cars altera de novo a sua designação, tirando o “SS” e adotando definitivamente o nome Jaguar;
  • 1936: A Toyoda produz o modelo AA, derivado de projetos americanos;
  • 1937: A Toyoda altera a designação para Toyota Motor Company Limited;
  • 1938: Ferdinand Porsche e Erwin Komenda entregam os primeiros protótipos do “carocha” antes da Segunda Guerra Mundial;
  • 1939: A Packard passa a oferecer o ar condicionado como opcional no modelo One-Eighty.

Segunda Grande Guerra destrói grupo Auto Union

A segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) foi um conflito militar global que traz más memórias. Envolveu todas as grandes potências do mundo e mobilizou mais de 100 milhões de militares. O conflito foi marcado pelo significante ataque contra civis, sendo o Holocausto o mais significativo.

Com a guerra a declarar-se, surge no mercado o último Audi pré-guerra. Com o eclodir dos combates a marca dedica-se a fazer veículos exclusivamente militares e o nome Audi quase desaparece.

O grupo Auto Union, com a divisão da Alemanha, estabelece-se no lado oriental. A Audi deixa o mercado, bem como a Horch e Wanderer. Walter P. Chrysler morre em 1940 e deixa um legado e uma marca que hoje é pertença do Grupo Fiat.

Ainda em Itália, Enzo Ferrari toma a decisão de deixa a Alfa Romeo e altera o nome da sua equipa para Auto Avio Costruzione.

Entretanto, em Inglaterra, a Austin Motor Company alcançava a significativa marca de 1.000.000 da carros fabricados. Por seu lado, na Alemanha, a Volkswagen dá início à exportação dos seus automóveis.

Outros destaques da década de 1940

  • 1940: Morre André Citröen, deixa um legado que ainda hoje marca o avanço da tecnologia e produção automóvel, nomeadamente com a marca DS;
  • 1941: Morre Louis Chevrolet; Morre Herbert Austin criador da Austin Motor Company;
  • 1944: Libertação de Paris do domínio alemão. Louis Renault é preso e acusado de colaborar com os alemães. O empreendedor falece três meses após ser preso. Hoje a Renault é um dos maiores construtores europeus e projeta o legado de Louis na França e no Mundo.
  • 1945: Henry Ford II assume o cargo de presidente da Ford Motor Company;
  • 1947: O empresário David Brown compra a Aston Martin e a Lagonda. O Aston Martin passa a ter chassis Aston Martin e motor Lagonda. Desta junção nasce o Aston Martin DB2; A Ferrari lança o primeiro automóvel de estrada o 125 Spyder; Morre Henry Ford, com 83 anos;
  • 1948: A Ford dá início a família de veículos F-Series, um dos projetos mais lucrativos, até hoje; A Jaguar apresenta no London Motor Show, o modelo XK 120; A Citröen lança o Citröen 2CV, um projeto que se manteve ativo por 42 anos.

1950 a 1999: evolução generalizada e avanço tecnológico

O Mundo gira e, por esta altura, o automóvel cada vez mais está distante do Benz Patent Motor Car que Carl Benz apresentou em 1886.

Por seu lado, aproxima-se a grande velocidade o que virá a ser o novo paradigma: a eletrificação, de que a Tesla de Musk é o expoente máximo em 2021 e uma marca importante na história do automóvel.

Os 49 anos que medeiam entre 1950 e 1999 ficam marcados por avanços tecnológicos significativos que elevaram o conceito automóvel a um nível nunca antes visto. As marcas investem milhões em cada novo projeto e, a industrialização projeta cada vez mais fábricas. É preciso dar resposta à crescente procura.

As marcas investem como nunca se tinha visto. Mas vão buscar o retorno na venda de milhões de automóveis.

Das marcas generalistas às mais conceituadas e luxuosas todas querem manter e, porque não, conquistar mais clientes e admiradores.

Outros destaques da década de 1950

  • 1950: A Chevrolet disponibiliza, pela primeira vez, como opcional, a caixa de velocidades automática; A BMW entra no segmento de carros de luxo com o 501; A Alfa-Romeo lança o 1900, o primeiro automóvel com carroceria monobloco; A Porsche, de Ferdinand Porsche e do seu filho Ferry, aventura-se como fabricante de automóveis e apresenta o deslumbrante 356.
  • 1951: Chrysler Motor Corporation introduz o primeiro sistema de direção hidráulica, e regista o primeiro motor V8 Firepower, mais conhecido como HEMI; A Toyota lança o Land Cruiser;
  • 1952: A Austin Motor Company alcança os 2.000.000 de carros fabricados;
  • 1954: A Porsche lança o 356 Speedster, uma versão descapotável. Foi um sucesso em todo o Mundo; A Alfa-Romeo lança o Giulietta Sprint. Caraterística deste é o motor de 1.300 cm3 em alumínio com duplo comando de válvulas; A Mercedes lança o carro de Fórmula 1 W196, o primeiro com injeção de combustível, e, ainda neste ano estreia o mesmo sistema no modelo 300 SL “asas de gaivota”; A Citröen lança o revolucionário DS;
  • 1956: A Renault coloca no mercado o Dauphine, um dos seus automóveis com mais sucesso e antecessor de outro êxito comercial o Renault Gordini;
  • 1957: A Toyota anuncia-se no mercado norte-americano com o Toyota Crown;
  • 1958: A Daimler-Benz adquire parte da Auto-Union e DKW; A Peugeot apresenta o 504, modelo com assinatura da casa Pininfarina;
  • 1959: A British Motor Corporation lança o Mini, projeto de Alec Issigonis, e fabricado tanto pela Morris como pela Austin. O Mini revolucionou no design, na colocação do motor dianteiro transversal, na caixa de velocidades (mais compacta); A Volvo coloca no mercado o modelo PV544. Automóvel pioneiro ao ser equipado de série com cintos de segurança de três pontos.

Segurança passa a ser palavra de ordem na construção automóvel

O desaire da Chevrolet com o controverso modelo Corvair acabou por potenciar a melhoria da segurança nos automóveis. O Corvair, coupé de motor traseiro e com suspensão traseira com eixo do tipo oscilante, revelou-se um desaire, pela falta de segurança e instabilidade direcional.

A marca teve de lutar em tribunal para se defender das acusações dos clientes.

Impunha-se evidente reflexão sobre a segurança do automóvel. Tema recorrente ao longo dos anos, com as marcas a serem “obrigadas” a desenvolver sistemas que protegesse condutor, passageiros e peões.

1960-1999: outros destaques

  • 1961: A Jaguar lança o modelo E-Type, um desportivo atualmente considerado um dos carros mais bonitos do mundo;
  • 1962: A GM desenvolve um trenó de alta velocidade destinado aos testes de impactos de automóveis; A Porsche lança o 911;
  • 1964: O primeiro Ford GT40 é revelado na Inglaterra; A Aston Martin lança o Aston Martin DB5:
  • 1965: A Peugeot apresenta o 204, o primeiro automóvel da marca com tração dianteira; A Alfa-Romeo lança o Alfa-Romeo Spider, roadster que permanece no ativo até 1993; A Toyota desvenda o Corolla que, até 2009, é o automóvel mais vendido no Japão;
  • 1968: Nos Estados Unidos entra em vigor nova legislação para segurança de automóveis, que reúne os requisitos a serem seguidos com relação a segurança pré e pós colisões.
  • 1971: Devido a dificuldades financeiras a Rolls Royce passa a ser propriedade do governo. Entretanto, a divisão de automóveis é separada da empresa original, que também fabricava motores para aviões. Nasce a Rolls Royce Motors;
  • 1972: Toyota torna-se o terceiro construtor do mundo;
  • 1974: A Peugeot compra 38,2% das ações da Citröen;
  • 1975: A Porsche lança a versão topo de linha do 911, o 911 Turbo;
  • 1979: A BMW começa a produção, limitada, do seu primeiro supercarro, o M1;
  • 1980: A Audi lança o Audi Quattro. O carro destacou-se no Mundial de Ralis de 1982 a 1984, foi o pioneiro da tecnologia quattro de tração integral;
  • 1982: O grupo British Leyland muda de nome para Austin Rover;
  • 1983: A Peugeot lança o hatchback 205;
  • 1986: A Fiat compra a Alfa Romeo;
  • 1987: A Ford compra a Aston Martin; A Ferrari, em comemoração dos 40 anos lança o F40.
  • 1988: Morre Enzo Ferrari.
  • 1989: A Toyota lança a sua divisão de luxo Lexus, nos Estados Unidos da América;
  • 1990: A Volkswagen compra a Seat;
  • 1991: A Chrysler Motor Corporation lança o primeiro superdesportivo, Dodge Viper, com motor V10;
  • 1993: A Aston Martin lança o DB7;
  • 1994: Lançamento do citadino Smart;
  • 1997: A Mercedes-Benz inicia a comercialização do A-Class; A Toyota apresenta nos Estados Unidos da América, o seu primeiro carro híbrido, o Prius.
  • 1999: A Renault concretiza uma aliança com a Nissan e tornou-se acionista maioritária da Dacia.

A viragem para o Século XXI

A entrada de um novo século em 2000 trouxe novos anseios, nomeadamente, ambientais. Assim, inicia-se um novo capítulo da história do automóvel, em que os veículos são vistos como um bem importante para a mobilidade.

No entanto, são também acusados de contribuir para o desgaste do ambiente. Principalmente com as motorizações diesel, que emitiam elevadas nuvens de fumo para a atmosfera.

Mas, fosse a gasolina, ou a diesel, o facto é que ambos os combustíveis são nocivos e as marcas, pressionadas pelas crescentes diretivas emanadas pelas entidades mundiais ligadas ao ambiente, são obrigadas a encontrar fórmulas e meios de controlar as emissões nocivas dos automóveis.

Os últimos 30 anos são disso exemplo.

um dos carros elétricos mais baratos a carregar

Marcas juntam-se para resultados sustentáveis

A par deste desiderato, as marcas acabam também por encontrar estratégias para se manterem no mercado.

As parcerias, junção de grupos, ou vendas de participação são formas que encontraram para também mobilizarem recursos e conterem gastos durante o desenvolvimento de novos projetos.

Deste modo, ao longo dos últimos anos assistiu-se à junção em parceria de diversas marcas.

Parcerias entre marcas

  • Chevrolet toma do controlo acionista da Daewoo;
  • BMW compra o grupo Rover e a reinventa a marca MINI;
  • Cerberus Capital Management compra a Chrysler do grupo Daimler-Chrysler;
  • Ford vende a Aston Martin a um consórcio do Kuwait e a Jaguar e Land Rover ao grupo indiano Tata;
  • Grupo Volkswagen adquiriu, ao longo dos anos, participações e reforçou-se com marcas como: Audi, Seat, Bentley, Bugatti, Lamborghini, Ducati e Scania;
  • Em 1999, a Renault constitui com a Nissan a aliança Renault-Nissan;
  • Em 2016, a Renault-Nissan adquire parte da Mitsubishi;
  • A PSA, em 2017, compra a alemã Opel e a inglesa Vauxhall (Grupo General Motors);
  • Peugeot Citroën (PSA) e Fiat Chrysler (FCA) fundiram, recentemente, os dois grupos surgindo o Grupo Stellantis, o quarto maior do mundo.

História do automóvel: os desafios do futuro

A viagem proposta pelos 135 anos de história do automóvel poderia chegar agora ao fim. Mas, não. O futuro é promissor e traz novos caminhos.

No virar de 2019 para 2020 assistiu-se de forma global (e este global quer referir-se ao Mundo), ao escalonar do que viria a designar-se por pandemia COVID-19.

Todo o mundo, e por consequência, todos os mercados, todas as economias, todos os cidadãos, desde então, vivem sob o flagelo de um vírus que de uma forma invisível, tem limitado as mais diversas atividades.

O problema não é nosso ou deles. É um problema à escala global que obrigou a encontrar novas formas de comércio e o reforçar de outras já existentes, que tiveram de aprender rapidamente a dar resposta positiva às exigências do mercado.

O sector automóvel foi um dos mais atingidos. As marcas tiveram de alterar padrões de fabrico e adaptar-se a uma nova realidade. Começaram a escrever um novo capítulo na história do automóvel.

Para além disso, eram já pressionadas pelas exigências emanadas pela União Europeia, no que toca a emissões nocivas para o ambiente e à obrigatoriedade de terem de desenvolver sistemas cada vez mais eficientes.

Assim, verifica-se uma mudança de paradigma: eletrificação automóvel.

A solução dos elétricos

Se algumas marcas já tinham abraçado o caminho da eletrificação automóvel, nomeadamente com adoção de sistemas híbridos (motor a combustão associado a motor elétrico), caso da Toyota com o modelo Prius cuja primeira geração data de 1997, outras viriam a fazê-lo.

Timidamente, algumas nos últimos 10, 15 anos, outras como a Toyota/Lexus, ganham vantagem por terem sistemas híbridos capazes, conotados com parâmetros de economia/fiabilidade muito altos.

Outras ainda saltam esta fase e dedicam-se à produção de viaturas elétricas para integrarem o seu portfólio. Atualmente a marca que abraçou, desde a sua fundação, em 2003, essa vontade é a norte-americana Tesla, de Elon Musk.

Tesla model S
Tesla

A realidade é esta e, a pouco e pouco, vai-se ouvindo que a produção de motorizações diesel vai ser abandonada.

Na longa e rica história do automóvel assistiram-se a momentos verdadeiramente impulsionadores da vontade humana, do arrojo, do ensaio, da experimentação.

O resultado está à vista de todos. A mobilidade é cada vez mais elétrica (e segura), com automóveis a reclamarem cada vez mais sistemas de ajuda à condução e à condução autónoma.

Para além disso, os automóveis apresentam-se com um design cada vez mais arrebatador, quer no exterior, quer nos habitáculos diferenciadores e confortáveis. E, mais ainda, a mobilidade é mais sustentável e amiga do ambiente.

Como serão os próximos 135 anos do automóvel, não sabemos. Apenas, podemos adiantar que a viagem pelos 135 anos de história do automóvel foi fantástica.

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