Ekonomista
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26 Ago, 2026 - 10:00

IA fez o trabalho de casa do seu filho? Assim pode saber

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Uma resposta de IA pode parecer certa e estar errada. Saiba como ensinar o seu filho a confirmar sempre a informação antes de a usar num trabalho escolar.

O regresso às aulas traz também o regresso da inteligência artificial aos cadernos e às explicações de casa. Cada vez mais crianças recorrem a chatbots para perceber uma matéria, rever um texto ou resolver um exercício de matemática, à medida que estas ferramentas se tornam tão habituais nos estudos como um motor de pesquisa ou um dicionário online.

O problema é que a IA pode confundir factos, inventar fontes ou descrever com toda a confiança acontecimentos que nunca aconteceram, as chamadas “alucinações” da IA.

Sem orientação em casa, um destes erros pode passar de trabalho de casa a nota errada no teste, sem que os pais percebam sequer onde a criança foi buscar a informação.

Porque é que a IA pode enganar o seu filho

Um modelo de IA não sabe se aquilo que está a dizer é verdade. Limita-se a prever que palavras têm maior probabilidade de surgir a seguir a outras, com base nos padrões que aprendeu durante o treino. Quando não tem informação suficiente sobre um tema, preenche as lacunas com uma resposta que parece convincente, mas que pode estar errada.

Estes erros podem confundir factos, inventar fontes ou citar estudos que não existem. Quanto mais importante for a informação, mais cuidado a criança deve ter em confirmá-la antes de a usar num trabalho escolar.

A IA deve ajudar a estudar, não substituir o trabalho de casa

Gerar a resposta completa a um exercício em poucos segundos pode ser tentador, mas impede a criança de desenvolver a competência que o trabalho pretende treinar. A regra é simples: a IA pode explicar uma matéria, sugerir uma estrutura, dar exemplos ou criar perguntas de prática, mas não deve escrever o trabalho todo.

Em vez de pedir “escreve o meu trabalho“, a criança pode pedir à IA que explique um termo que não conhece, aponte falhas num texto já escrito por ela própria ou sugira diferentes argumentos para desenvolver sozinha. Depois de perceber o método de um exercício de matemática, deve tentar resolvê-lo de novo sem consultar a resposta.

Confirme sempre a resposta da IA com o manual escolar ou os apontamentos das aulas antes de a criança a dar como certa.

Cinco perguntas antes de confiar numa resposta da IA

Um conjunto simples de perguntas ajuda a criança a parar e pensar antes de usar uma informação num trabalho escolar:

  • Qual é a fonte? Se a IA mencionar um livro, estudo ou acontecimento histórico, confirme a sua existência;
  • A resposta vai de encontro ao que foi pedido? A IA pode escrever um texto convincente que, ainda assim, ignora a pergunta ou as instruções do professor;
  • Consigo explicar isto por palavras próprias? Se não conseguir, não deve entregar o conteúdo como seu;
  • Onde posso confirmar esta informação? No manual, nos apontamentos das aulas ou em fontes educativas oficiais;
  • Devo pedir ajuda a um adulto? Sempre que o tema for sensível, delicado ou simplesmente não fizer sentido.

Segundo Andrey Sidenko, responsável pelos Projetos de Literacia Digital da Kaspersky, uma das competências mais importantes é “aprender a não aceitar uma resposta sem a questionar“.

Proteja os dados pessoais e reforce a segurança digital em casa

Para uma criança, conversar com um chatbot pode parecer tão privado como falar com um amigo. Mas os pedidos feitos a estas ferramentas podem ficar guardados e, consoante a plataforma, ser usados para treinar novos modelos de IA. Nunca deve introduzir o nome completo, a morada, o telefone, o nome da escola, palavras-passe ou dados de cartões bancários numa conversa com um chatbot, a mesma regra aplica-se a fotografias ou documentos de outras pessoas.

Ative a autenticação de dois fatores nas contas da criança, use uma palavra-passe forte e exclusiva por conta, e instale aplicações apenas a partir de lojas oficiais.

No primeiro fim de semana de aulas, teste em conjunto. Sente-se junto ao computador com o seu filho e faça uma pergunta escolar num chatbot. Reveja a resposta, aponte o que está certo, o que falta e o que precisa de ser confirmado. É esse hábito que evita entregar um trabalho com um erro que ninguém detetou a tempo.

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