Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
25 Ago, 2026 - 15:00

Faculdade custa 700€ ou 18500€ por ano? Eis a conta real

Cláudia Pereira

A propina pública custa 697€ por ano, a privada até 18.500€ em Medicina. Some alojamento e alimentação e veja quanto custa mesmo andar na faculdade.

A propina do ensino público está fixada em 697€ por ano. No privado, a maioria das licenciaturas fica entre 2.000€ e 5.000€, mas em Medicina pode chegar aos 18.500€. E mesmo assim, a propina raramente é a maior despesa do ano.

A diferença real entre público e privado não está só na matrícula. Está em onde o estudante vai viver: se fica em casa dos pais, se é deslocado, e se tem direito a bolsa de ação social.

Um estudante do ensino público a viver em casa gasta perto de 1.200€ por ano. O mesmo estudante, deslocado para o Porto e a alugar quarto no mercado privado, ronda os 5.900€; em Lisboa, sobe para perto dos 7.300€. É essa diferença que este artigo desmonta, com valores oficiais.

Propinas no público do privado

No ensino superior público, a propina de licenciatura está congelada em 697€/ano para o ano letivo de 2026/2027. O Governo tinha anunciado uma subida para 710€, mas o Parlamento chumbou a proposta em novembro de 2025, mantendo o valor fixado desde 2020. Este teto aplica-se a licenciaturas, mestrados integrados e CTeSP, e é igual em todas as universidades e politécnicos públicos.

Nas universidades privadas não há teto legal. Na Universidade Católica, a licenciatura em Direito custa entre 2.750€ e cerca de 4.980€/ano consoante o ano do curso; noutras áreas, os valores tendem a ficar entre 2.000€ e 5.000€. O extremo é Medicina, com propina de 18.500€/ano, quase 27 vezes o valor do público, segundo a própria faculdade.

Nos mestrados, público ou privado, a lei não fixa limite algum. As universidades públicas cobram tipicamente entre 750€ e 5.000€ por ano, dependendo da área.

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Casa dos pais ou quarto alugado

Compare os cenários com valores atuais:

No ensino público, a viver em casa dos pais: propina (697€) + material do primeiro ano (300 a 600€) + seguro escolar e taxas de inscrição (80 a 100€) somam cerca de 1.100€ a 1.400€ por ano, sem contar alimentação extra fora de casa.

No ensino público, deslocado, a alugar quarto no mercado privado: a renda média de um quarto ronda os 430€/mês no Porto e os 550€/mês em Lisboa. Somados à propina, o total anual fica perto dos 5.900€ no Porto e ultrapassa os 7.300€ em Lisboa. Uma refeição na cantina custa entre 2,80€ e 3€ nas universidades públicas, o que ajuda a controlar a alimentação, mas não resolve a renda.

No ensino público, deslocado, em residência SAS: para não bolseiros, um quarto individual costuma custar bastante menos do que no mercado privado, mas as vagas são limitadas, menos de um quarto dos estudantes deslocados consegue vaga em residência, segundo o idealista.

No ensino privado, deslocado: propina de 2.000€ a 18.500€ mais alojamento equivalente ao público podem levar o total anual a 8.000€ ou muito mais, dependendo sobretudo do curso escolhido.

Faça as contas com o curso e a cidade concretos antes de decidir onde o filho vai estudar, a diferença entre ficar perto de casa e mudar de cidade pesa mais no orçamento do que a escolha entre público e privado, exceto em cursos como Medicina.

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Bolsas que reduzem a fatura

O Indexante dos Apoios Sociais (IAS) está fixado em 537,13€ em 2026 (Portaria n.º 480-A/2025/1). O intervalo legal da propina pública situa-se entre 1,1 e 1,3 vezes o IAS, entre 590,84€ e 698,27€ e a maioria das instituições fixa o valor perto do máximo, nos 697€.

A bolsa de ação social mínima corresponde a 125% do valor da propina, ou seja, 872€/ano, o que já cobre a propina inteira. Estudantes no escalão de rendimento mais baixo ficam isentos do pagamento.

Estudantes deslocados bolseiros em residência SAS têm ainda direito a um complemento de alojamento de 30% do IAS (cerca de 161€/mês) no ano letivo de 2026/2027, independentemente de ficarem na residência ou no mercado privado. Estudantes deslocados não bolseiros também podem receber um complemento, com um limite de 50% do custo médio do alojamento no concelho, 250€ em Lisboa, 210€ no Porto, segundo os valores fixados para 2026/2027.

Quem ingressa pela primeira vez no ensino superior e está no 1.º escalão do abono de família pode ainda ter direito à Bolsa de Incentivo 2026, um apoio fixo de 1.075€.

Público ou privado: a decisão certa é fazer as contas antes

Quem fica em casa dos pais e vai para o público gasta pouco mais de 1.000€ por ano. Quem sai de casa, seja para público ou privado, vê o alojamento a comer a maior fatia do orçamento. Antes de decidir entre universidade pública ou privada, some sempre alojamento e alimentação à propina, e confirme o direito a bolsa antes de assumir que o valor final é incomportável.

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Fontes

Direção-Geral do Ensino Superior. (2026). Propinas. https://www.dges.gov.pt/pt/pagina/propinas

Direção-Geral do Ensino Superior. (2026). Regulamento das Bolsas de Estudo no Âmbito da Ação Social no Ensino Superior. https://www.dges.gov.pt/pt/pagina/regulamento-do-bolsas-de-estudo-no-ambito-da-acao-social-no-ensino-superior

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