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Pedro Andersson
Pedro Andersson
07 Mar, 2022 - 09:48

Inflação: o maior desafio (financeiro) de 2022

Pedro Andersson

Meta na cabeça que não estamos a viver em tempos “normais”. As crises estão a suceder-se a um ritmo alarmante. Previna-se!

Inflação 2022

A guerra na Ucrânia veio baralhar as contas de um problema que já não estava muito fácil de resolver. Ou muito me engano, ou este ano vai ser terrível para as nossas finanças pessoais. A inflação está galopante e o dinheiro dos nossos salários não estica.

O episódio mais recente é a subida de cerca de 14 cêntimos no gasóleo e 8 na gasolina em apenas uma semana. Choca pelo susto e pelo dramatismo, mas a verdade é que desde o início do ano (em 2 meses) os combustíveis já tinham subido lentamente a cada semana um total de 16 e 19 cêntimos por litro. Só que – tal como a história do sapo que não se apercebe de que está numa panela a ferver – só nos apercebemos da gravidade da situação quando apanhamos um susto valente.

O meu objetivo é alertá-lo….

O meu objetivo é alertá-lo de que há coisas que pode e deve fazer para lidar com esta situação e que não deve ser apanhado de surpresa por este tipo de fenómenos que vão acontecer várias vezes ao longo deste ano.

Por exemplo, a eletricidade vai provavelmente sofrer mais aumentos em 2022. No momento em que escrevo esta crónica, a eletricidade atingiu o máximo histórico de sempre ao chegar aos 500 euros o MegaWatt no mercado grossista (OMIE), onde as empresas vão comprar a eletricidade para depois a vender a si. Deve compreender que a eletricidade subiu 900% em apenas um ano. Já está a adivinhar quem é que vai pagar a fatura, certo?

Com a guerra na Ucrânia, os combustíveis vão continuar a subir e o gás também. Por acréscimo, todos os bens vão subir de preço por causa dos transportes ou do aumento das várias matérias-primas.

E o que posso fazer? Pergunta e muito bem

Pode fazer duas coisas. Primeiro, deve refazer todas as suas contas do orçamento mensal e evitar/cortar todos os gastos supérfluos. Deve criar ou reforçar um fundo de emergência (enquanto pode) para lidar com imprevistos ou aumentos incontornáveis de preços de bens ou serviços que para si são absolutamente essenciais. Decida já que o reembolso do IRS, por exemplo, vai servir para isso em vez de o gastar em coisas não prioritárias.

Meta na cabeça que não estamos a viver em tempos “normais”. As crises estão a suceder-se a um ritmo alarmante. Não se esqueça de que para além de tudo o que está a acontecer, o risco de novas variantes da COVID-19 ainda não passou. E se a guerra passar para o lado de cá, podemos passar meses ou anos de enormes dificuldades. Previna-se.

A segunda maneira de se proteger é por procurar ativamente preços mais baratos para tudo o que precisa ou consome. Se as pessoas podem dar-se ao luxo de perder uma ou duas horas numa fila num posto de combustível para poupar 7 euros, também deviam poder “perder” uma hora a renegociar o preço da eletricidade, do gás, das telecomunicações, dos seguros de vida, da casa, dos carros ou de saúde. Talvez pudessem (digo eu) perder meia hora a ver como podem acabar ou reduzir os 7 euros mensais da comissão de manutenção do banco. Etc, etc, etc.

É que às vezes as pessoas esquecem-se de que não são obrigadas a pagar o que lhes pedem. Podem dizer que não querem, ou que só aceitam se fizerem mais barato. E podem mudar de empresa, marca ou serviço. O mais curioso é que muitas vezes, quando procurar, conseguem um produto ou serviço melhor, pagando menos.

É por isso que digo que o maior desafio financeiro que vai enfrentar este ano é a inflação, mas ao mesmo tempo, digo-lhe que uma parte da solução para esse problema está nas suas mãos, se arregaçar as mangas e assumir que há coisas que estão ao seu alcance. Se cruzar os braços e achar que a vida é uma desgraça porque está tudo cada vez mais caro e que não há nada a fazer, vai perder claramente essa “guerra”.

Prepare-se. Se tiver cabeça, talvez consiga passar esta crise sem perder o equilíbrio financeiro.

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