Paula Landeiro
Paula Landeiro
23 Nov, 2021 - 11:45

Inflação está a subir: saiba como afeta a sua carteira

Paula Landeiro

Presente na rotina de todos nós, a palavra inflação pode assustar. Saiba tudo sobre este tema tão importante: o que significa e como é calculada.

inflação

Embora nos anos mais recentes a inflação tenha estado em valores muito baixos, a retoma económica tem sido acompanhada por uma pressão inflacionista e, certamente, já se deu conta de entrar no supermercado e perceber que com a mesma quantia de dinheiro, compra menos produtos do que aqueles que comprava em anos anteriores.

Esta perceção empírica significa que a inflação subiu e que se revela na sua carteira. É como se tudo ficasse mais caro, perdesse poder de compra e o dinheiro perdesse o seu valor.

A Comissão Europeia reviu em alta, este mês, a previsão para a taxa de inflação de 2021 e 2022, situando-se na zona Euro perto dos 2%. No entanto, a evolução da taxa de inflação não será idêntica em todos os países.

A inflação em Portugal em 2021 e 2022

A Comissão Europeia estima que, em Portugal, a inflação se situe nos 0,8% em 2021, e em 1,7% em 2022, valores abaixo dos 2% previstos para a zona Euro.

Em 2020, a economia portuguesa registou deflação dos preços em resultado dos preços dos bens industriais e energia, mas sobretudo do turismo, claramente afetado pela pandemia.

O aumento dos preços da energia e combustíveis irá traduzir-se num aumento da inflação nos meses de inverno, mas sobretudo em 2022, com o retomar do turismo.

De facto, em outubro, a inflação homóloga situou-se nos 1,8%, uma subida face aos 1,5% registados em setembro.

Note-se, no entanto, que o Governo estima que, em 2022, a inflação se situe perto do 1%, valor bastante inferior à previsão de Bruxelas.

O que é a inflação e como é calculada?

A inflação é a subida generalizada dos preços de todos os produtos. É natural, por isso, pelo efeito da lei da oferta e da procura, os preços dos bens e serviços mudarem. Por exemplo, se há maior procura por um determinado produto, é normal que o seu preço suba.

Alguns preços sobem, outros descem. No entanto, em momentos de inflação, os preços sobem independentemente da aplicação dessa lei e essa subida generalizada dos preços verifica-se durante um período de tempo prolongado.

Como se calcula a inflação?

Índice de Preços no Consumidor (IPC)

A inflação é apurada mensalmente e é dada pela variação do IPC – Índice de Preços no Consumidor de mês para mês. Para se calcular o IPC, divide-se o custo do cabaz de compras em dado período pelo custo do cabaz no período-base e multiplica-se o resultado por 100.

Cabaz representativo

Por sua vez, para chegar ao IPC, é necessário definir um cabaz de produtos representativos do padrão de consumo de uma família.

Esse cabaz de compras contém uma ampla variedade de bens e serviços, como produtos alimentares, vestuário e calçado, automóveis, computadores, rendas de habitação, água, energia e combustíveis. Depois aplicam-se ponderações diferentes para cada produto, uma vez que têm pesos diferentes no orçamento familiar.

Ou seja, nem todos os bens vão ter o mesmo peso no cálculo da inflação. Os produtos em que se gasta mais, como a eletricidade, têm um peso maior, do que aqueles em que se gasta menos, como por exemplo o açúcar.

Também é preciso ter em conta que as famílias têm hábitos de consumo diferentes. Algumas comem carne e outras são vegetarianas, uns têm automóvel próprio e outras só utilizam transportes públicos.

Assim, a ponderação dada a cada produto é determinada em função do gasto médios de todas as famílias. Só assim,  é possível ter um valor mais perto do real impacto do aumento de preços nos bolsos das famílias.

Exemplo:

Pensando num cabaz de compras representativo da despesa anual de um estudante universitário, estas despesas podem corresponder a: renda do quarto, material escolar, transportes, propinas, 100 refeições e 50 bebidas.

Se quisermos fazer o cálculo anual, pensamos que, no ano base, o custo deste cabaz foi 2000 euros, aumentando para 2100 euros, um ano depois (ano 1), e para 2300 euros, dois anos depois (ano 3).

  • IPC para o ano 1 = (Custo do cabaz no ano 1 – Custo do cabaz no ano 0) x 100 = (2100€ / 2000€) x 100 = 105.
  • IPC para o ano 2 = (Custo do cabaz no ano 2 – Custo do cabaz no ano 0) x 100 = (2300€ – 2000€) x 100 = 115.

Taxa de inflação

A inflação é medida pela taxa de inflação, que indica a percentagem de aumento de um cabaz de produtos num determinado momento em relação ao outro momento anterior. Este cálculo está a cargo do INE – Instituto Nacional de Estatística, realizando-o todos os meses .

Existem várias taxas de inflação que se podem indicar, pelo que é importante conhecer o seu significado. Sendo que a taxa de inflação homóloga e é a mais utilizada.

  • Inflação Mensal: Reflete a variação dos preços entre dois meses consecutivos. Permite um acompanhamento corrente da evolução dos preços.
  • Inflação Homóloga: Reflete a variação dos preços do cabaz representativo entre o mês corrente e o mesmo mês do ano anterior.
  • Variação média dos últimos doze meses: compara a inflação média dos últimos doze meses com a dos doze meses imediatamente anteriores.

Como interpretá-la?

Se esta taxa estiver entre 0% e 1%, significa que os preços ficaram praticamente na mesma. Mas se for superior a 2% então estamos num período de inflação, que pode ser mais difícil controlar.

Se a taxa for negativa então significa que houve uma deflação. Os preços do período em questão diminuíram em relação aos preços verificados no período utilizado para comparação.  

Inflação e consumo

Inflação e deflação: quais as diferenças?

O primeiro efeito da deflação é a subida do poder de compra das famílias, uma vez que com o mesmo dinheiro passam a poder comprar mais produtos. É precisamente a situação contrária à inflação que provoca uma redução do poder de compra. Se for temporariamente a deflação pode ser positiva e dar um maior fôlego financeiro às famílias.

A deflação pode ser tão prejudicial quanto a inflação

No entanto, se a deflação persistir no tempo (por vários anos), pode afetar negativamente as famílias e a economia. Isto porque as decisões de consumo são adiadas na expectativa de que os preços venham a descer mais ainda.

Este comportamento vai gerar uma espiral deflacionista nefasta para a economia: as empresas vendem menos, reduzem o investimento e o pessoal, como forma de compensar a queda nas receitas. Com menos dinheiro, as famílias tenderão a comprar ainda menos.

Qual o impacto da inflação nas nossas vidas?

Uma inflação baixa e estável estimula o crescimento económico. Uma inflação elevada leva a uma perda significativa do poder de compra, isto é, com o mesmo dinheiro passa a comprar menos do que antes.

Este cenário pode ainda ser mais grave se os preços subirem sem controlo. Um dos piores casos de inflação ocorreu na Alemanha, depois da I Guerra Mundial. Entre 1921 e 1924, quando a moeda alemã perdeu quase 100% do seu valor e, por isso, um simples pão custava milhões de marcos alemães.

Efeitos no consumo e no custo de vida (poder de compra)

A inflação pode roubar poder de compra à sua poupança se estas não estiverem aplicadas, como acontece no caso de ter o seu dinheiro numa conta è ordem, que não lhe paga juros, e por isso equivale a guardar o dinheiro em casa.

Assim, cada euro que tem poupado vai valer menos por causa da inflação.

Por exemplo, se estiver a poupar para uma viagem que hoje custa 1.200 euros, supondo uma taxa de inflação anual de 5%, daqui a 2 anos a mesma viagem irá custar 1.320 euros.

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Qual o impacto nos nossos investimentos?

A variação dos preços é bastante importante não só para avaliar o poder de compra das famílias, como também para medir o ganho real dos investimentos.

É importante garantir que com os seus investimentos não irá perder poder de compra. Desta forma, sempre que decidir colocar o dinheiro a render procure saber a taxa de inflação e se esse produto lhe oferece uma taxa superior.

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Em que produtos investir se proteger da inflação?

Obrigações indexadas à inflação: oferecem uma taxa de juro igual à inflação, à qual acresce uma parte fixa, o “juro real”. Pode investir diretamente nestas obrigações ou subscrever unidades de participação de fundos de obrigações indexadas à inflação.

Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro: têm capital garantido e as suas taxas acompanham a inflação.

Aproveite taxas promocionais de depósitos a prazo – mas só se a taxa de juro for superior à taxa de inflação.

Fundos PPR, Fundos de Investimento ou ETF: são produtos com maior rentabilidade, normalmente bastante acima da inflação, mas atenção não têm capital garantido, o que é seguramente um risco que tem de ponderar se vale a pena correr.

Mas aplique o seu dinheiro, dinheiro parado na conta à ordem só estará a ser “comido” pela inflação. Dinheiro que seguramente lhe custou a ganhar.

Inflação
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Tipos de inflação

Existem diferentes tipologias de inflação caracterizadas pela sua intensidade. Geralmente considera-se que existe inflação quando os preços sobem acima de 2%.

Inflação Deslizante

A inflação deslizante é sinónimo de inflação moderada. Tem assim como consequência um aumento lento dos preços, que sobem por volta dos 3%.

Inflação Galopante

A inflação galopante é aquela que denomina uma situação onde a moeda perde valor e que as taxas de aumento ultrapassam os 10%.

Hiperinflação

A hiperinflação designa casos extremos onde o aumento dos preços ultrapassa os 50%.

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