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Catarina Gonçalves
Catarina Gonçalves
20 Jun, 2018 - 10:53

Inflação: como afeta a sua carteira

Catarina Gonçalves

Presente na rotina de todos nós, a palavra inflação pode assustar. Saiba tudo sobre este tema tão importante: o que significa e como é calculada.

inflação

Embora nos anos mais recentes a inflação esteja com valores baixos, próximos de 0%, e não notório o seu efeito real, certamente já se deu conta de entrar no supermercado e perceber que com a mesma quantia de dinheiro, compra menos produtos que os que comprava em anos anteriores.

Esta perceção empírica significa que a inflação subiu e que se revela na sua carteira. É como se tudo ficasse mais caro, perdesse poder de compra e o dinheiro perdesse o seu valor.

O que é a inflação e como é calculada?

A inflação é a subida generalizada dos preços de todos os produtos. É natural, pelo efeito da lei da oferta e da procura, os preços dos bens e serviços mudarem. Por exemplo, se há maior procura por um determinado produto, é normal que o seu preço suba.

Alguns preços sobem, outros descem. No entanto, em momentos de inflação os preços sobem independentemente da aplicação dessa lei e essa subida generalizada dos preços verifica-se durante um período de tempo prolongado.

mulher analisa preços na fatura do supermercado

Como se calcula a inflação?

Índice de preços no consumidor

A inflação é apurada mensalmente e é dada pela variação do IPC – Índice de Preços no Consumidor de mês para mês. Para se calcular o IPC, divide-se o custo do cabaz de compras em dado período pelo custo do cabaz no período-base e multiplica-se o resultado por 100.

Cabaz representativo

Por sua vez, para chegar ao IPC, é necessário definir um cabaz de produtos representativos do padrão de consumo de uma família.

Esse cabaz de compras contém uma ampla variedade de bens e serviços, como produtos alimentares, vestuário e calçado, automóveis, computadores, rendas de habitação, água, energia e combustíveis. Depois aplicam-se ponderações diferentes para cada produto, uma vez que têm pesos diferentes no orçamento familiar.

Ou seja, nem todos os bens vão ter o mesmo peso no cálculo da inflação. Assim, é possível ter um valor mais perto do real impacto do aumento de preços nos bolsos das famílias.

Exemplo

Pensando num cabaz de compras representativo da despesa anual de um estudante universitário, estas despesas podem corresponder a: renda do quarto, material escolar, transportes, propinas, 100 refeições e 50 bebidas.

Se quisermos fazer o cálculo anual, pensamos que no ano base o custo deste cabaz foi 2000 euros, aumentando para 20100 euros, um ano depois (ano 1), e para 20300 euros, dois anos depois (ano 3).

IPC para o ano 1 = (Custo do cabaz no ano 1 – Custo do cabaz no ano 0) x 100 = (2100€ / 2000€) x 100 = 105

IPC para o ano 2 = (Custo do cabaz no ano 2 – Custo do cabaz no ano 0) x 100 = (2300€ – 2000€) x 100 = 115

Taxa de inflação

A inflação é medida pela taxa de inflação que indica a percentagem de aumento de um cabaz de produtos num determinado momento em relação ao outro momento anterior. Este cálculo está a cargo do INE – Instituto Nacional de Estatística que calcula todos os meses a inflação.

Nesse caso designa-se por taxa de inflação homóloga e é a mais utilizada. Representa o preço do cabaz completo num determinado mês comparado com o seu preço no mesmo mês um ano antes.

Como interpretá-la?

Se esta taxa estiver entre 0% e 1%, significa que os preços ficaram praticamente na mesma; se for superior a 2% então estamos num período de inflação que pode ser mais difícil controlar. Se a taxa de inflação for negativa então significa que houve uma deflação. Os preços do período em questão diminuíram em relação aos preços verificados no período utilizado para comparação.  

Inflação e deflação: quais as diferenças?

O primeiro efeito da deflação é a subida do poder de compra das famílias, uma vez que com o mesmo dinheiro passam a poder comprar mais produtos. É precisamente a situação contrária à inflação que provoca uma redução do poder de compra. Se for temporariamente a deflação pode ser positiva e dar um maior fôlego financeiro às famílias.

A deflação pode ser tão prejudicial quanto a inflação

No entanto, se a deflação persistir no tempo (por vários anos), pode afetar negativamente as famílias e a economia. Isto porque as decisões de consumo são adiadas na expectativa de que os preços venham a descer mais ainda.

Este comportamento vai gerar uma espiral deflacionista nefasta para a economia: as empresas vendem menos, reduzem o investimento e o pessoal, como forma de compensar a queda nas receitas. Com menos dinheiro, as famílias tenderão a comprar ainda menos.

Qual o impacto da inflação nas nossas vidas?

Uma inflação baixa e estável estimula o crescimento económico. Uma inflação elevada leva a uma perda significativa do poder de compra, isto é, com o mesmo dinheiro passa a comprar menos do que antes.

Este cenário pode ainda ser mais grave se os preços subirem sem controlo. Um dos piores casos de inflação ocorreu na Alemanha, depois da I Guerra Mundial. Entre 1921 e 1924, a moeda alemã perdeu quase 100% do seu valor e um simples pão custava milhões de marcos alemães.

Efeitos no consumo e no custo de vida (poder de compra)

A inflação pode roubar poder de compra à sua poupança se estas não estiverem aplicadas, como acontece no caso de ter o seu dinheiro poupado numa conta corrente, que não lhe paga juros, o que equivale a guardar o dinheiro em casa.

Assim, cada euro que tem poupado vai valer menos por causa da inflação.

Por exemplo, se estiver a poupar para uma viagem que hoje custa 1.200 euros, supondo uma taxa de inflação anual de 5%, daqui a 2 anos a mesma viagem irá custar 1.320 euros.

Qual o impacto nos nossos investimentos?

A variação dos preços é bastante importante não só para avaliar o poder de compra das famílias, como também para medir o ganho real dos investimentos.

É importante garantir que com os seus investimentos não irá perder poder de compra. Desta forma, sempre que decidir colocar o dinheiro a render procure saber a taxa de inflação e se esse produto lhe oferece uma taxa superior.

Em que produtos investir se proteger da inflação?

Obrigações indexadas à inflação: oferecem uma taxa de juro igual à inflação, à qual acresce uma parte fixa, o “juro real”. Pode investir diretamente nestas obrigações ou subscrever unidades de participação de fundos de obrigações indexadas à inflação.

Dívida de curto prazo: este tipo de investimento protege o seu dinheiro no médio prazo. Em caso de aceleração dos preços, o banco central deve intervir, subindo as taxas de juro.

Dívida de longo prazo: este tipo de investimento protege o seu dinheiro no longo prazo, mas caso os preços subam mais que o previsto pode ser um investimento de risco.

Tipos de inflação

Existem diferentes tipologias de inflação consoante a sua intensidade. Geralmente considera-se que existe inflação quando os preços sobem acima de 2%.

Inflação Deslizante

A inflação deslizante é sinónimo de inflação moderada. Tem como consequência um aumento lento dos preços, que sobem por volta dos 3%.

Inflação Galopante

A inflação galopante é aquela que denomina uma situação onde a moeda perde valor e que as taxas de aumento ultrapassam os 10%.

Hiperinflação

A hiperinflação designa casos extremos onde o aumento dos preços ultrapassa os 50%.

Inflação média, mensal e homóloga

Existem essencialmente duas formas de apresentar a inflação:

Inflação Mensal: Reflete a variação dos preços entre dois meses consecutivos. Permite um acompanhamento corrente da evolução dos preços.

Inflação Homóloga: Reflete a variação dos preços entre o mês corrente e o mesmo mês do ano anterior.

Variação média dos últimos doze meses: compara a inflação média dos últimos doze meses com a dos doze meses imediatamente anteriores.

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