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Miguel Pinto
Miguel Pinto
03 Jan, 2020 - 15:03

Irão: breve história de uma cultura milenar

Miguel Pinto

O Irão volta a estar nas bocas do mundo e não pelas melhores razões. Mas o país tem vindo a abrir-se ao turismo e conta com paisagens deslumbrantes.

Mesquita no Irão

O Irão é um mistério para a generalidade das pessoas. Principalmente depois da revolução islâmica, em 1979, o país como que se fechou sobre si mesmo, pouco se conhecendo do que as questões políticas que, ao longo dos anos, foram incendiando os palcos geo-estratégicos.

Agora, de novo sob fogo cerrado por parte dos Estados Unidos da América, o Irão volta à primeira das noticias mundiais.

Por isso, conhecer um pouco da história e as curiosidades em torno deste pais do Médio Oriente, é também um passo para compreender a tensão permanente que se vive na região.

Muito mais do que uma mera teocracia religiosa, o Irão tem uma história riquíssima, vastos recursos naturais e, claro, paisagens e monumentos milenares de inusitada beleza.

O retrato que lhe vamos traçar aqui é necessariamente limitado e apolítico. Haverá muitos marcos que ficarão de fora. Mas esta é apenas uma imagem do Irão, um país que não obstante a instabilidade política se vai abrindo ao turismo e revelando tesouros absolutamente fascinantes.

Irão: da pérsia à revolução islâmica

Cidade no Irão

Pérsia

Antes de ser conhecido como a República Islâmica do Irão, o nome do país era Pérsia, berço de uma das mais antigas civilizações do mundo e que remonta a 2.800 antes de Cristo.

Foi com a formação do reino de Elam que a nação começou ganhar forma, tendo depois anexada uma vasta série de impérios, até atingir o seu esplendor durante o Império Aquemedina, em 550 antes de Cristo.

Ao longo dos séculos, a Pérsia foi o coração da chamada idade de ouro islâmica, com fortes avanço na área do conhecimento. Foi a revolução constitucional persa que, em 1906, estabeleceu o primeiro parlamento, numa lógica de monarquia constitucional.

O reinado do Xá

Em 1953, ocorreu um golpe de Estado, apoiado pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, com o país a tornar-se progressivamente autocrático.

O poder absoluto do Xá, Reza Pahlavi, foi-se consolidando, mas a crescente influência estrangeira  e a repressão política sobre a oposição, terminou em nova revolução, em 1979, que levou à instauração de uma república islâmica, na altura com a liderança política e espiritual do Ayatollah Khomeini.

Foi o início do domínio dos ayatollahs no país, que dura até hoje. O nem sempre fácil equilíbrio entre as forças conservadoras e reformadoras tem marcado desde então o cenário político do Irão, que, no entanto, foi prosperando, mesmo que se longe dos olhares estrangeiros.

O petróleo e a economia

Durante séculos, o Irão foi um país predominantemente agrícola, mas as vastas reservas do petróleo de que dispõe acabaram por transformar de forma radical a estrutura económica.

Mas nem só do ouro negro se vive na região. A pesca tem um lugar relevante na economia (com grandes quotas de captura de salmão e esturjão), o mesmo acontecendo com o setor das frutas, frescas e secas. São particularmente famosos mundialmente os pistachios do Irão.

O que ver no irão

Ruínas de Persepolis no Irão

Teerão

É a capital e a maior cidade do país. Conjuga de forma harmoniosa a antiguidade de uma civilização milenar, com a modernidade e as novas tecnologias. Tem cerca de 14 milhões de pessoas e é uma das mais vibrantes cidades do Médio Oriente.

A Torre Azadi, o Trono do Pavão (em ouro maciço) no Palácio do Golestão, o Museu Nacional do Irão os palácios de Sa’dabad ou o monumental Museu de Arte Contemporânea (com obras de Van Gogh, Picasso ou Andy Warhol) são algumas das atrações a não perder.

Obviamente que estando no Médio Oriente, não pode faltar uma visita aos mercados locais. Em Teerão, o mais famoso será mesmo o Tajrish, uma mistura de centro comercial e bazar.

Pasargada

Cidade da antiga Pérsia, é atualmente um espaço arqueológico, considerado Património Mundial da Unesco. É lá que situa o imponente túmulo de Ciro, o Grande. Ou pelo menos, acredita-se que seja.

Alexandre o Grande também passou por ali e viu o túmulo, uma estrutura com seis largos degraus que conduzem a um edifício onde terá encontrado uma cama dourada, um caixão dourado e uma inscrição, que não sobreviveu ao avançar dos tempos.

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Persépolis

Outro espaço arqueológico cuja origem se perde na bruma dos séculos e que a Unesco também classificou Património da Humanidade. A construção desta magnifica cidade começou com o rei Dario I, cerca de 512 antes de Cristo, e durou mais de dois séculos.

Foi o centro do Império Aquemedina, acabando conquistada e saqueada por Alexandre Magno. É uma área frágil e que, por isso, obriga a uma visita cuidada.

Cidades imperdíveis

A vasta cultura iraniana estende-se um pouco por todo o país, mas há algumas cidades que são incontornáveis numa visita ao país.

Esfahan, Yazd ou Shiraz são locais que já olham para o turismo como uma importante fonte de receita, montando cada vez mais infra-estruturas para receber os visitantes.

Os Kaluts, formações rochosas que se assemelham a castelos de areia e que ficam num dod desertos iranianos, o Dasht-e Lut, ou Bisotun, são locais que proporcionam experiências inesquecíveis.

Dicas úteis sobre o irão

Mercado em Teerão

Língua Oficial: Farsi (Persa);

Capital: Teerão;

Religião: A maioria dos iranianos é muçulmana, com cerca de 90% da população a pertencer ao ramo xiita;

Temperatura: Recomendável na primavera e outono;

Moeda: Rial iraniano (um euro vale cerca de 47 rial);

ATM: As máquinas não aceitam cartões estrangeiros. O cartão Revolut pode ser uma opção. Os cartões de crédito também não são aceites na esmagadora maioria das lojas.

O que comer: Pão e arroz são omnipresentes nas refeições iranianas, existindo quatro variedades de pão: lavash, barbari, sangak e taftun. As carnes mais consumidas são ovelha e carneiro. O chá tem preponderância sobre o café.

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