Miguel Pinto
Miguel Pinto
14 Out, 2026 - 17:00

Lufthansa vence concurso pela TAP. Alemães assumem gestão da companhia aérea nacional

Miguel Pinto

Os alemães da Lufthansa vão pagar 1.201 milhões de euros por 44,9% da TAP, podendo, nesta fase, chegar aos 49,9%. Saiba o que muda.

avião da TAP

A Lufthansa venceu o concurso para a aquisição de uma participação no capital da TAP Air Portugal. O grupo alemão foi escolhido após uma disputa com a Air France-KLM e apresentou a proposta financeiramente mais vantajosa, com um plano de crescimento que pretende reforçar a posição da transportadora portuguesa no mercado internacional.

A decisão, anunciada após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, representa um passo importante no processo de privatização da TAP.

Segundo o Governo, a operação permitirá um encaixe financeiro de até 1.201 milhões de euros, correspondente à alienação de uma participação de até 49,9% do capital da companhia aérea.

O processo ainda terá de cumprir os procedimentos aplicáveis, incluindo as aprovações regulatórias necessárias.

Lufthansa apresenta proposta 16% superior

A proposta da Lufthansa foi considerada superior à apresentada pela Air France-KLM, tanto pelo valor financeiro como pela capacidade de concretizar o plano industrial para a TAP.

De acordo com o Governo, a oferta alemã é até 16% mais elevada do que a do grupo franco-neerlandês.

A operação prevê a venda inicial de 44,9% do capital da companhia à Lufthansa, acrescida de uma participação de até 5%, caso os trabalhadores não exerçam o direito de aquisição das ações que lhes estão reservadas.

O Estado português manterá, nesta fase, 50,1% do capital da TAP, conservando a posição de acionista maioritário.

Esta estrutura permite ao Governo manter o controlo acionista da transportadora, ao mesmo tempo que procura assegurar o acesso a recursos financeiros, conhecimento técnico e capacidade de expansão através de um parceiro internacional.

A avaliação das propostas teve em conta três componentes principais: a oferta financeira, o plano técnico e industrial e as condições contratuais.

O Executivo considera que a Lufthansa apresentou uma proposta financeiramente mais robusta e com menor grau de incerteza.

Mais aviões e reforço das ligações a partir de Portugal

TAP vai cancelar voos

Um dos principais objetivos da parceria é aumentar a dimensão e a competitividade da TAP. O plano apresentado pela Lufthansa prevê o crescimento da frota para 117 aeronaves até 2035 e para 130 aviões posteriormente.

O reforço da operação deverá abranger não apenas o aeroporto de Lisboa, principal centro de operações da TAP, mas também o Porto, Faro, os Açores e a Madeira.

O objetivo passa por melhorar a conectividade aérea do país e criar condições para aumentar o número de passageiros e de destinos servidos.

A Lufthansa compromete-se igualmente a preservar a marca TAP, manter a sede em Portugal e reforçar o papel de Lisboa como centro de ligações internacionais.

O plano inclui ainda investimentos adicionais nas áreas da manutenção e engenharia aeronáutica, bem como a possibilidade de criar uma escola de treino militar de pilotos em Tancos..

Importância da TAP para a Lufthansa

A TAP tem um posicionamento estratégico que vai muito além do mercado português.

A sua rede de rotas, particularmente as ligações ao Brasil, a outros países da América Latina, a África lusófona e aos Estados Unidos, constitui um dos seus ativos mais relevantes.

Para a Lufthansa, a entrada no capital da companhia portuguesa representa uma oportunidade para reforçar a presença no sudoeste da Europa e ampliar o acesso a mercados onde a TAP dispõe de uma posição consolidada.

O grupo alemão já integra várias companhias aéreas, incluindo a SWISS, a Austrian Airlines e a ITA Airways.

O que muda agora na privatização da TAP?

voo atrasado ou cancelado

A escolha da Lufthansa não significa que a privatização esteja concluída. A operação terá ainda de avançar para as etapas necessárias à sua concretização, incluindo a análise das autoridades reguladoras e de concorrência.

O Governo prevê que uma eventual segunda fase possa envolver a alienação de uma participação maioritária, através de um processo autónomo.

A possibilidade de uma privatização mais ampla mantém, assim, em aberto o futuro da estrutura acionista da companhia aérea.

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