Share the post "A mania dos squishies: todos querem espremer estes brinquedos"
Os squishies são brinquedos macios feitos de espuma de poliuretano de baixa densidade, um material especialmente formulado que volta lentamente à forma original depois de ser espremido, esticado ou amassado.
Existem em centenas de formatos, como animais fofos, fatias de pizza, sorvetes, pãezinhos, frutas, cubos de gelo ou hambúrgueres. Muitos têm até aroma (morango, baunilha ou menta) para reforçar a experiência sensorial.
O nome vem do inglês to squish (esmagar, comprimir), e a expressão kawaii squishy também é comum, uma referência à cultura japonesa do “fofo” (kawaii significa “bonito” ou “adorável” em japonês).
A origem japonesa dos squishies
Os squishies têm raízes no Japão, onde a cultura kawaii e os brinquedos sensoriais são uma tradição de longa data. Os primeiros modelos começaram a surgir nas lojas japonesas ainda nos anos 1980, mas foi apenas por volta de 2017 que chegaram com força ao mercado americano e europeu e ao resto do mundo.
A partir daí, a combinação de redes sociais, YouTube e, mais tarde, TikTok, transformou estes pequenos objetos em protagonistas de vídeos com milhões de visualizações.
Hoje, os squishies fazem parte de uma categoria mais alargada de brinquedos de manipulação sem esforço cognitivo a mesma família das bolas anti-stress, dos fidget spinners e das massas moldáveis, mas com um apelo visual e sensorial muito mais forte.
Por que são tão populares em 2026?

Ao contrário de muitas modas que explodem num único momento viral, os squishies cresceram de forma gradual e orgânica. Não houve um único vídeo que despoletou tudo. Esta é uma forma de viralidade de “chama lenta”.
Muitos criadores pequenos foram publicando vídeos de squishies de forma independente ao longo de meses, cada um construindo a sua própria audiência. Essa acumulação lenta de exposição acabou por atingir um ponto de viragem em que os consumidores do mercado geral de repente sentiram que toda a gente tinha um.
A escassez alimenta o desejo
Um dos motores mais poderosos da febre dos squishies, em especial da marca americana NeeDoh, que se tornou a mais desejada de 2026, é a dificuldade em encontrá-los. Quando algo é difícil de obter, as pessoas querem-no ainda mais.
O medo de ficar de fora é, na realidade, mais poderoso do que o desejo pelo próprio produto. É o mesmo mecanismo que explica as filas para ténis em edição limitada ou os drops de coleccionáveis.
Os squishies fazem bem à saúde mental?

Esta é uma das questões que mais curiosidade desperta e a resposta, surpreendentemente, é que sim, podem ajudar. Especialistas explicam que espremer objetos como os squishies pode ajudar a acalmar o cérebro e o corpo através de uma tarefa sensoriomotora simples e repetitiva.
Esse envolvimento físico pode desviar a atenção dos pensamentos acelerados e ajudar as pessoas a ancorar-se no momento presente.
Os squishies podem puxar-nos para fora das preocupações com o futuro ou das ruminações sobre o passado, oferecendo uma forma de nos sentirmos enraizados e de trazer a nossa atenção de volta ao corpo e ao momento presente. As sensações de apertar, esticar ou rolar fornecem uma âncora, algo previsível e controlável para o nosso cérebro se focar.
Quem usa Squishies e para quê
O perfil do utilizador de squishies mudou radicalmente. Se antes eram associados sobretudo a crianças e adolescentes, hoje encontram-se em mesas de escritório, mochilas de universitários e até nas mãos de executivos durante reuniões.
Ao contrário das modas de brinquedos tradicionais, o seu apelo é “orientado para o processo”, o que significa que o prazer vem do uso contínuo e não de uma conclusão, o que pode prolongar a sua vida útil.
O mercado em números
O crescimento deste nicho é impressionante. Os squishies são o segmento líder no mercado de brinquedos anti-stress, com uma valorização de 1,2 mil milhões de dólares em 2024 e a projeção aponta para 2 mil milhões de dólares até 2035.
O mercado global de fidget toys, onde os squishies se inserem, foi avaliado em 8 mil milhões de dólares em 2026 e deverá atingir os 13,6 mil milhões em 2030, crescendo a um ritmo anual de 14,3%.
Os tipos de squishies mais populares

O universo dos squishies é vasto. E há muitos formatos por onde escolher:
Slow-rising squishies – os clássicos, feitos de espuma densa, voltam à forma original de forma lenta e suave. Muitos são perfumados. São os mais colecionados.
NeeDoh e similares – cheios de um gel ou massa especial, são mais firmes e permitem ser esticados e moldados. A marca NeeDoh tornou-se a mais desejada do momento, com filas nas lojas e frequentes esgotamentos.
Mochi squishies – pequenos, redondos e inspirados no doce japonês mochi. São perfeitos para levar no bolso.
Taba squishies – tendência forte no TikTok, com texturas ultra-suaves e quase etéreas, muito populares entre os fãs dos estilos “manteiga” e “mochi”.
Squishies em forma de comida – um subgénero muito popular: batatas, pãezinhos, hambúrgueres, donuts. Quanto mais realistas, mais partilhados nas redes sociais.
Squishies de pata de gato – um dos formatos mais virais, com uma textura ligeiramente pegajosa que adiciona uma dimensão sensorial extra.
São seguros? O que devem saber os pais
A maioria dos squishies modernos é fabricada em espuma de poliuretano, TPR (borracha termoplástica) ou silicone alimentar e são considerados seguros para uso. No entanto, há alguns pontos a ter em conta.
Verificar sempre se o produto tem certificação de segurança europeia (marcação CE) e se é indicado para a faixa etária da criança. Squishies muito pequenos podem representar risco de engolimento para crianças abaixo dos 3 anos.
Evitar comprar em lojas sem reputação, onde a qualidade dos materiais pode ser duvidosa. Os materiais mais valorizados atualmente são o silicone de grau alimentar e o TPR ecológico, que oferecem opções mais seguras e sustentáveis.