Share the post "Motociclos disparam em junho: o que o boom das duas rodas revela sobre a carteira dos portugueses"
O mercado português de motociclos, ciclomotores e triciclos fechou Junho de 2026 com um crescimento de 30,7% face ao mesmo mês de 2025, segundo dados da ACAP – Associação Automóvel de Portugal. Foram matriculadas 6.106 unidades num único mês, um número que confirma uma tendência que já dura seis meses consecutivos.
O motivo não é apenas gosto por velocidade. Com o custo de vida a pressionar o orçamento das famílias, cada vez mais portugueses trocam o segundo carro ou o único, por um veículo de duas rodas, mais barato de comprar, segurar e abastecer. E os números do primeiro semestre confirmam que não se trata de um fenómeno passageiro.
Seis meses de crescimento consecutivo
Entre janeiro e junho de 2026, foram matriculados 26.619 veículos novos de duas e três rodas em Portugal, mais 23,0% do que no mesmo período de 2025. Os motociclos lideram este crescimento, com 25.834 unidades registadas no semestre, um aumento de 23,6%.
Dentro desta categoria, a distinção por cilindrada é reveladora. Os motociclos até 125 cm³, que não exigem carta de condução de categoria A e podem ser conduzidos com carta de carro após formação complementar, cresceram 30,5% no semestre, somando 12.109 unidades.
Já os motociclos acima de 125 cm³ aumentaram 16,6%, com 13.287 registos. A leitura é simples: quem procura mobilidade acessível está a apostar nas cilindradas mais pequenas, precisamente as que pesam menos no bolso, tanto na compra como no seguro.
Os ciclomotores, por seu lado, tiveram um mês forte, com 41,3% de crescimento em junho, mas um semestre mais modesto, com apenas 5,6% de subida acumulada.
Elétricos: o segmento que está mesmo a acelerar
Se há uma história dentro da história, é a dos motociclos elétricos. Em junho, foram matriculadas 60 unidades, um salto de 130,8% face ao ano anterior. No acumulado do semestre, o crescimento atinge 98,2%, com 438 motociclos elétricos novos em circulação.
Os triciclos elétricos, apesar de partirem de números baixos, também mostram apetite crescente: 8 unidades em junho representam um aumento de 700% face a 2025. São números pequenos em termos absolutos, mas confirmam que a eletrificação já não é uma curiosidade de nicho, está a ganhar espaço real no mercado de duas rodas.
Para quem pondera esta mudança, vale a pena comparar o custo total de posse ao longo de vários anos, e não apenas o preço de compra. A poupança em combustível e manutenção costuma compensar o investimento inicial mais elevado em poucos anos de utilização diária.
Quadriciclos e minicarros: a alternativa ao carro
O segmento que mais surpreende, no entanto, é o dos quadriciclos da categoria europeia L, onde se incluem os chamados minicarros, veículos que podem ser conduzidos a partir dos 16 anos com licença de ciclomotor. Em junho, foram matriculadas 161 unidades, um crescimento de 59,4%. No semestre, o aumento chega aos 43,8%, com 933 veículos registados.
Dentro desta categoria, os minicarros elétricos lideram, com 97 unidades em junho (+86,5%) e 506 no semestre (+39,8%). São veículos particularmente procurados por famílias com jovens condutores ou por quem vive em centros urbanos e precisa de uma alternativa ao carro tradicional para trajetos curtos.
Este crescimento acentuado dos minicarros levanta uma questão prática para quem está a pensar comprar um: mesmo sem exigir carta de condução tradicional, estes veículos implicam custos de seguro obrigatório, inspeção periódica e manutenção que devem entrar na equação orçamental antes da decisão de compra.
O que este boom significa para quem quer comprar
Três fatores explicam este crescimento sustentado. Primeiro, o preço de entrada mais baixo face a um automóvel, tanto na compra como no crédito ao consumo necessário para a financiar. Segundo, o custo operacional reduzido como combustível, portagens e estacionamento pesam significativamente menos numa moto ou num minicarro. Terceiro, a proliferação de modelos elétricos com autonomias já adequadas ao uso urbano diário, o que reduz a fatura de eletricidade face ao gasóleo ou à gasolina.
Antes de avançar para a compra, há três pontos que qualquer comprador deve verificar. O seguro obrigatório varia significativamente consoante a cilindrada e o tipo de veículo, pelo que comparar propostas evita surpresas na fatura anual. A inspeção periódica, obrigatória a partir do quarto ano para a maioria dos motociclos, tem de entrar no orçamento de manutenção. E, para quem escolhe financiamento, comparar as taxas de juro entre bancos e financeiras de crédito automóvel pode representar uma poupança de várias centenas de euros ao longo do contrato.
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ACAP – Associação Automóvel de Portugal. (2026). Mercado de ciclomotores, motociclos, triciclos e quadriciclos em Portugal [Comunicado de imprensa Nº38]. https://www.acap.pt