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Ebook Finanças (s)em Crise
Um guia para tempos complicados
Pedro Andersson
Pedro Andersson
04 Jan, 2021 - 11:49

Já decidiu o que vai fazer diferente este ano nas suas finanças?

Pedro Andersson

Tem dificuldade em chegar ao fim do mês com dinheiro, sente necessidade de poupar mais ou precisa de ideias para investir? Veja estas sugestões para 2021.

Rubrica Pedro Andersson no Ekonomista

Esta crónica de início de ano só não se aplica a um tipo de pessoas: as que já poupam e investem mensalmente mais de 20% dos seus rendimentos. Essas não precisam de ler o que escrevo. Precisam seguir dicas de outros especialistas. 

Estas sugestões são para quem ainda tem dificuldades em chegar ao fim do mês com dinheiro na conta, que sente a necessidade de poupar mais ou que precisa de ideias sobre onde colocar/investir o que poupa (muito ou pouco). 

Acho que já partilhei convosco uma frase de Albert Einstein de que gosto muito para me motivar quando preciso mudar alguma coisa na minha vida: “Estupidez é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.  

A mudança de ano (em todos os anos) dá sempre para fazer aqueles balanços do ano que passou e traçar objetivos para o ano que se inicia. 2020 foi um ano atípico. Não sei muito bem que balanço se pode fazer de 2020. Falando apenas do aspeto financeiro foi um ano ótimo para muitos de nós e péssimo para outros e para outros foi, como sempre, mais ou menos.

Independentemente da sua situação atual, quero sugerir-lhe 3 objetivos para 2021.  

Defina um objetivo que possa atingir 

Em primeiro lugar, traçar objetivos não é tão fácil como parece. Muitas pessoas decidem perder peso, acabar com as dívidas, fazer desporto, passar a ter uma alimentação saudável, etc. Esqueça! Esse tipo de objetivos estão condenados ao fracasso. É limpinho. 

Boas intenções não chegam. Passadas 4 ou 5 semanas já nos esquecemos de tudo o que prometemos a nós próprios. Porquê? Porque são demasiado genéricos. Dizer aquilo ou não dizer nada é a mesma coisa. Tem de decidir uma coisa muito específica que possa medir, estabelecer prazos e mini-prazos e que possa acompanhar ao longo do ano.  

Como por exemplo, perguntará você? Ponto prévio: há coisas que dependem de si e coisas sobre as quais não tem qualquer controlo. Estas últimas estão automaticamente excluídas. Vamos às que pode controlar ou pelo menos tentar. 

A primeira coisa que pode fazer é mudar a sua perspetiva sobre o dinheiro. Por exemplo, se tem dívidas, em vez de as considerar uma sina da qual não pode fugir, decida que vai atacá-las de uma vez por todas como se fossem o seu pior inimigo, ou uma terrível doença que vai ter de vencer. 

Acabar com as dívidas, como lhe disse, não é objetivo nenhum. Um objetivo é sentar-se a uma mesa e fazer o levantamento de todas as suas dívidas (cartões de crédito, crédito auto, crédito pessoal, etc). Nesta fase não inclua o crédito à habitação.

Depois de saber que deve 3.500, 5 mil ou 8 mil euros (ao cêntimo) decida quando quer ter essas dívidas pagas. Em 6 meses? Em dezembro deste ano? Em dezembro de 2022? Divida o valor em dívida pelo número de meses. É comportável para si fazendo alguns sacrifícios? Então amortize mensalmente esse valor e avance. Todos os meses saberá se está a atingir o seu objetivo ou não. Se tiver um mês em que pode amortizar o dobro, faça-o. Assim alivia a pressão nos meses seguintes ou atinge o seu objetivo mais cedo e atira-se a outro. 

Se perceber que é um desafio demasiado grande para si, escolha apenas a dívida com o juro mais alto. E dê cabo dela o mais depressa possível. Isto sim, é um objetivo para 2021. Específico, mensurável e relevante. Saber qual é o seu objetivo é o “segredo” para o atingir. Assim, perante a “tentação” de gastar o seu dinheiro noutra coisa, vai lembrar-se do seu objetivo maior.  

Não trace um objetivo que é impossível de atingir, mas que seja ao mesmo tempo desafiante. Se definir um objetivo demasiado fácil, não terá nem motivação nem grandes resultados. Se no final não o atingir, ninguém lhe vai bater. Basta prolongar um pouco mais o prazo. Mas atinja-o! 

Aumente os seus rendimentos 

Pode ter como objetivo aumentar as suas receitas mensais. Há alguma coisa que sabe e gosta de fazer que lhe possa render dinheiro? 50 ou 100 euros por mês de renda extra pode ser a solução para parte dos seus problemas ou o primeiro passo para começar a construir uma reserva de emergência ou o seu património para começar a investir em produtos sem capital garantido e assim pôr o seu dinheiro a trabalhar para si.

Há alguma coisa em casa que já não queira ou que não lhe faça falta e que possa vender? Decida que vai ganhar dinheiro fora do seu trabalho “normal” e decida quanto quer ganhar mensalmente com isso (25 euros, 50, 100?). Faça acontecer. 

Decida fazer coisas que nunca fez 

Decida, por exemplo, investir. Saia da sua zona de conforto financeiro. Mas leia primeiro bastante sobre investimentos. Nunca invista em coisas que não percebe.

Há investimentos que são clássicos e que, em princípio, não oferecem riscos de burla, como os Fundos PPR e os Fundos de investimento, subscritos através de bancos ou corretoras supervisionadas pela CMVM. Tem sempre o risco de perda de capital. Mas isso não quer dizer automaticamente que seja mau. Pode ganhar muito (ou perder). Por isso a minha sugestão é que teste estes 2 produtos com pequenos valores como 100 ou 200 euros, só para perceber como funcionam.

fundos e seguros ppr
Veja também Fundos ou seguros PPR: qual a melhor opção para poupar?

Se daqui a um ano já se sentir mais confortável e com mais conhecimento pode decidir investir mais, mas em consciência. O que tenho percebido é que o medo vem mais do desconhecimento do que propriamente dos riscos do investimento. Falo por experiência própria. 

Se nunca começar, nunca perceberá porque as pessoas ricas têm sempre mais dinheiro, aparentemente sem fazerem nada. Pergunte-lhes se têm o dinheiro em depósitos a prazo.  

A menos que recebam uma herança gigantesca, ou que ganhem o Euromilhões, a maior parte das pessoas começa por baixo e com valores pequenos. 

Não me canso de repetir que, não tendo nenhuma formação financeira, nos últimos 2 anos consegui rentabilizar as minhas poupanças dezenas de vezes mais do que em todas as décadas em que vivi salário a salário, com a conhecida técnica do “chapa ganha, chapa gasta”.  

Hoje sei quanto ganho e quanto gasto (primeira fase), aumentei as minhas fontes de rendimento (segunda fase), e invisto todos os meses uma percentagem dos nossos rendimentos familiares e num PPR para os meus dois filhos (terceira fase). Isto não se faz de um dia para o outro.  

Que tal começar este ano?   

Vou resumir: 

  1. Decida o valor que vai amortizar das suas dívidas e em que prazo 
  2. Aumente as suas fontes mensais de rendimento (como e o valor expectável) 
  3. Comece a investir (pode ser pouco mas defina um valor) em produtos sem capital garantido 

Voltamos a falar sobre isto em dezembro, combinado? 

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