Share the post "Passe Ferroviário Verde vai chegar às áreas suburbanas de Lisboa e Porto por 20 euros"
Milhares de pessoas que todos os dias apanham o comboio para ir trabalhar ou estudar nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto vão passar a poder contar com uma nova opção de mobilidade.
O Governo confirmou que o Passe Ferroviário Verde, o título de transporte de 20 euros que já permite viajar por todo o país, vai ser alargado às linhas suburbanas destas duas regiões já no próximo mês de setembro.
Criado em outubro de 2024, o Passe Ferroviário Verde surgiu para substituir o antigo Passe Ferroviário Nacional, alargando a sua utilização a mais serviços.
Por 20 euros, válidos durante 30 dias consecutivos, o passe dá acesso a viagens ilimitadas nos comboios Regionais, Inter-Regionais (em segunda classe) e Intercidades (também em segunda classe, mediante reserva de lugar obrigatória e gratuita). Existem ainda modalidades de 60 e 90 dias, com custos de 40 e 60 euros, respetivamente.
O título está disponível para todos os residentes em Portugal, sem restrições de idade ou de comprovativo de rendimentos, e pode ser carregado no Cartão CP em qualquer dia do mês.
Grande parte das reservas é já feita através da aplicação CP, que permite autenticação com a Chave Móvel Digital, tornando o processo mais simples e rápido.
A grande limitação: os suburbanos de Lisboa e Porto
Desde o início, o passe deixou de fora a maior parte dos comboios urbanos das duas maiores áreas metropolitanas do país.
A justificação do Governo prendia-se com a existência de passes intermodais próprios nestas regiões (o Navegante, em Lisboa, e o Andante, no Porto), pelos quais a maioria dos utilizadores já viaja.
Na prática, isto significava que o Passe Ferroviário Verde só cobria pequenos troços fora das áreas metropolitanas propriamente ditas, como o trajeto Carregado–Azambuja, em Lisboa, e as ligações Vila das Aves–Guimarães, Paredes–Marco de Canaveses, Paramos–Aveiro e Lousado–Braga, no Porto.
Quem se deslocava diariamente dentro do Grande Porto ou da Área Metropolitana de Lisboa não conseguia beneficiar da poupança que o passe representa para viagens de longo curso.

O que muda a partir de setembro
Segundo garantiu o primeiro-ministro, essa restrição vai terminar. A partir do início de setembro, o Passe Ferroviário Verde passará a ser válido também para os transportes urbanos dentro das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, aproximando finalmente esta solução das necessidades de quem se desloca diariamente para trabalhar ou estudar.
Luís Montenegro enquadrou o alargamento entre os investimentos do executivo na rede ferroviária, sublinhando que a medida pretende facilitar a mobilidade de quem “tem de se deslocar para ir trabalhar, para ir estudar, mas também para conhecer o país”.
O anúncio surge depois de o passe ter registado uma adesão relevante desde o seu lançamento, com centenas de milhares de títulos vendidos em pouco mais de um ano.
Quanto vai custar e como funciona
O preço mantém-se inalterado nos 20 euros por 30 dias, sem necessidade de comprovativos adicionais. As modalidades de 60 e 90 dias continuam disponíveis, respetivamente por 40 e 60 euros.
O passe não é acumulável com outros descontos e continua a exigir o carregamento no Cartão CP, que tem um custo próprio de seis euros (três euros para estudantes).
Até à data, o Governo não avançou pormenores técnicos sobre a forma como a expansão às linhas suburbanas se vai articular com os passes Navegante e Andante, nomeadamente se haverá algum tipo de complementaridade entre títulos ou se o novo passe passará simplesmente a cobrir a totalidade da rede ferroviária das duas áreas metropolitanas.
Esses detalhes deverão ser esclarecidos nas próximas semanas, à medida que se aproxima a data de entrada em vigor.
Poupança direta
Para quem vive nos concelhos limítrofes de Lisboa e do Porto e utiliza o comboio como principal meio de transporte, o alargamento pode traduzir-se numa poupança direta e num incentivo adicional ao uso do transporte público em detrimento do automóvel.
A medida insere-se, aliás, numa estratégia mais ampla de mobilidade sustentável, que o executivo tem vindo a apresentar como prioritária, a par de investimentos na rodovia, nos portos e nos aeroportos.