Miguel Pinto
Miguel Pinto
24 Set, 2026 - 14:00

Porto das Salemas: o segredo turquesa que só aparece na maré baixa

Miguel Pinto

Saiba como chegar ao Porto das Salemas, quando ir com a maré baixa e o que levar para as piscinas naturais da costa norte do Porto Santo.

porto das salemas

O Porto das Salemas é uma pequena enseada na costa norte do Porto Santo onde, na maré baixa, surgem piscinas naturais de água turquesa aos pés de falésias vulcânicas. É um recanto escondido e de difícil acesso. Não tem serviços, a descida final faz-se a pé e a visita só compensa se for planeada com a maré.

É também um dos cenários mais fotogénicos da Ilha Dourada, muito longe do areal de nove quilómetros que lhe valeu o apelido. O Porto das Salemas fica na linha de costa da Camacha, não muito longe da Fonte da Areia. O sítio aparece com nomes diferentes, como Praia das Salemas, piscinas das Salemas ou Porto as Salemas, mas todos se referem à mesma zona.

Porto das Salemas: o que esperar da descida

A viagem faz-se em duas partes. Os últimos 100 metros de estrada são de terra batida e terminam num parque de estacionamento.

Conforme o estado do piso, os veículos 4×4 conseguem descer mais, mas o caminho é muito íngreme e cheio de buracos.

O resto do percurso é a pé. Faz-se por uma estrada íngreme, por vezes com pedras soltas.

O acesso foi melhorado em 2021, mas o terreno continua irregular e cheio de seixos rolados, pelo que não é aconselhável a quem tenha mobilidade reduzida.

Convém poupar energia para o regresso, porque a subida custa bem mais do que a descida. A caminhada é exigente e longa, mas o sossego compensa.

Quando ir? A maré manda

As piscinas só se revelam na baixa-mar e é esta a regra que não convém ignorar. No verão, durante a maré baixa, ficam expostas piscinas convidativas a banhos.

O ideal é começar a descer cerca de uma hora antes da baixa-mar e sair da água logo depois, porque algumas ondas podem apanhar os banhistas de surpresa.

A luz também conta. A tarde tende a ser melhor, porque só então o sol ultrapassa as falésias, aquece o ambiente e faz a água parecer ainda mais límpida. Com ondulação forte na costa norte, o mais prudente é adiar a visita para outro dia.

Porto das Salemas: o que deve levar

piscinas no porto das salemas

O calçado é o que mais importa. As rochas são extremamente escorregadias, e sapatos de água ou de surf ajudam a explorar com calma.

Os chinelos são má ideia numa descida sem pavimento. Como não existem restaurante nem casas de banho, é um lugar completamente selvagem, por isso convém levar água, comida e proteção solar.

Uma máscara de snorkeling é um bom complemento para espreitar os peixes que ficam retidos nas poças, e um saco para o lixo evita deixar rasto num sítio sem serviços.

Piscinas, falésias e uma aula de geologia

Antes de chegar ao mar, a descida atravessa uma ravina escavada pela força da água. Segue-se uma praia de rochas cinzentas com areia misturada de grãos dourados e pretos e, em frente, uma vasta área que a maré vai descobrindo.

Há piscinas de todas as formas e profundidades e algumas ficam isoladas do mar, com a água perfeitamente calma.

Para quem gosta de geologia, o local é um livro aberto. O Porto das Salemas corresponde ao troço final da Ribeira do Perril e mostra materiais vulcânicos do Miocénico Inferior, formados quando o vulcanismo ainda decorria debaixo de água, já a pouca profundidade.

As arribas exibem tufos, brechas e escórias, atravessados por uma densa rede de filões, que são antigas condutas de lava entretanto consolidadas. Vistos de perto, esses filões desenham linhas de direções e espessuras diferentes na rocha.

E depois das piscinas?

Vista geral do Porto Santo

A zona permite compor o resto do dia sem grandes deslocações. A Fonte da Areia fica a cerca de um quilómetro e o Museu do Cardina a menos de um.

O Miradouro do Pico do Castelo está a pouco mais de dois quilómetros. Para a refeição depois do banho, o Restaurante Torres e a Rafaela Casa de Chá ficam ambos a cerca de um quilómetro.

O Porto das Salemas não é um destino de espreguiçadeira e guarda-sol,e é isso que lhe dá graça. Pede algum esforço, um olhar atento ao relógio das marés e vontade de trocar o conforto do areal por um recanto que só se mostra durante algumas horas.

Quem lá vai costuma voltar a subir com as pernas cansadas e o cartão de memória cheio.

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