Covid-19
Especial Covid-19
Descomplicamos a informação sobre o novo Coronavírus
Olga Teixeira
Olga Teixeira
09 Dez, 2019 - 10:55

Poupar com bancos digitais: tudo sobre comissões, cartões e IRS

Olga Teixeira

Poupar com os bancos digitais é já uma opção para muitos portugueses, que optam por estas soluções para escapar aos impostos e taxas. Valerá mesmo a pena?

Como poupar com os bancos digitais

Para poupar com os bancos digitais é importante perceber o que oferecem e quais os custos que podem ter. Veja o que oferecem e compare.

A tecnologia mudou muitos aspetos da nossa vida e um deles foi, seguramente, a nossa relação com os bancos.

Dos dias em que era impossível viver sem cheques e em que a vida financeira era ditada pelas horas de abertura e fecho dos bancos até ao momento em que podemos fazer pagamentos usando apenas o smartphone não passou assim tanto tempo.

As mudanças trazidas pela banca digital

Consegue lembrar-se da última vez que esteve no banco? Se as caixas multibanco e, depois, o homebanking mudaram muita coisa, o que dizer de empresas como a Revolut, a N26 ou a Monese?

Tudo começa no processo de abertura de conta, muito mais simples e sem necessidade de deslocação a um espaço físico.

Provavelmente o seu banco tradicional também já tem esta opção, por isso, vamos considerar que, neste aspeto, até pode existir um empate entre a banca e as fintech.

E as comissões de manutenção, taxas e impostos por cada cartão ou serviço utilizado? E as taxas quando se recebe em moedas que não o Euro ou quando se levanta dinheiro no estrangeiro?

Pois, aqui as coisas já são realmente diferentes. Se é verdade que, na banca tradicional já pode ter contas de serviços mínimos bancários e até isenção ou redução de comissões em operações online, nada parece bater a forma como pode poupar com os bancos digitais.

Mas, como em todas as opções financeiras, o melhor é analisar e comparar.   

Onde é possível poupar com bancos digitais?

cancelar o cartão de crédito

Vejamos, então, o que oferecem, gratuitamente, as três empresas mais populares em Portugal nesta área.

Todas elas têm vários planos, mas se a ideia é poupar com bancos digitais, o critério passa por analisar a opção grátis.

Obviamente que nos planos mais caros terá mais funcionalidades, mas se quer poupar com bancos digitais, talvez o melhor seja começar com as opções gratuitas e ver se o seu banco lhe cobra pelos mesmos serviços.

Ou se, eventualmente, não fará sentido manter a conta no banco tradicional – que lhe concede, por exemplo, crédito à habitação – e ter uma segunda conta num banco digital.

Revolut

É a mais conhecida e até tem instalações em Portugal. O seu plano standard, ou seja, gratuito, oferece:

  • conta bancária gratuita no Reino Unido
  • cartão de débito Mastercard
  • conta IBAN em euros gratuita
  • pagamentos em mais de 150 moedas à taxa de câmbio interbancário
  • operações de câmbio em 30 moedas fiduciárias até 6 000€ por mês  
  • isenção de taxas por levantamentos no multibanco até 200€ por mês

A aplicação permite também poupar dinheiro, ao arredondar os trocos, colocando esses valores numa segunda conta.

Possibilita ainda fazer pagamentos, quer seja do aluguer da casa ou a divisão da conta de um jantar, por exemplo, uma funcionalidade já conhecida entre os utilizadores de MBWay.  

Veja também Está com pressa? Conheça as transferências imediatas

N26

A empresa alemã é bastante popular na Europa e tem também disponível uma plataforma online, onde é possível efetuar as mesmas operações que faz na app.

O plano grátis permite fazer levantamentos ilimitados em euros e pagamentos gratuitos em qualquer moeda, oferecendo igualmente um cartão de débito Mastercard.

Pode estabelecer limites de gastos diários ou bloquear e desbloquear o cartão através da app. Permite fazer transferências gratuitas para Portugal e em 19 moedas diferentes.

Possibilita também gerir o orçamento e estabelecer metas de poupança. Ou seja, poupar com os bancos digitais é possível de duas formas: paga menos pelas contas e tem ainda possibilidade de fazer uma poupança.  

Monese

Lançada em 2015, esta empresa britânica está também a conquistar clientes em Portugal, sendo bastante popular entre quem viaja com frequência para o Reino Unido.

A tarifa Simple, ou seja, gratuita, permite ter um cartão de débito contactless (sendo, no entanto, cobradas 4.95£ pela entrega), levantamentos em multibanco sem taxas até 200£ por mês (acima desse valor paga uma comissão de 2%).

Com o plano grátis pode gastar até 2000£ em moeda estrangeira sem pagar comissões e fazer transferências em moeda estrangeira, que são grátis e instantâneas para outras contas Monese.

Brevemente, os clientes desta aplicação vão ter uma nova funcionalidade: a possibilidade de criação de contas conjunta.

Esta conta, também isenta de comissões, permite a gestão de pagamentos e despesas, débitos diretos e até criar orçamentos mensais.

Ao partilhar uma conta, a poupança torna-se mais fácil, já que esta funcionalidade possibilita uma lista partilhada de transações e a análise de despesas.

Uma das grandes vantagens desta aplicação, sobretudo para quem viaja, vive, trabalha ou estuda no Reino Unido, é que é possível ter uma segunda conta, em libras, sem custo adicional.  

Tenho de declarar estas contas no IRS?

Já vimos que é possível poupar com bancos digitais, mas estas contas devem ser comunicadas ao Fisco?

Não há uma resposta clara para esta pergunta, porque o que é válido hoje pode ser diferente amanhã e o que foi definido para a declaração de IRS em 2019 pode não continuar igual em 2020.

A questão quanto à obrigatoriedade de declarar estas contas na declaração de rendimentos foi suscitada em 2019, aquando da entrega das declarações relativas a 2018.

Estando estas contas sedeadas no estrangeiro, deveriam ou não ser obrigatoriamente declaradas no anexo J do modelo 3?

Este anexo diz respeito a rendimentos obtidos fora do território português por um residente e identifica contas de depósitos ou títulos numa entidade financeira não residente em território nacional.

A dúvida surgiu numa altura em muitos contribuintes já tinham submetido a sua declaração, levantando também a possibilidade de essa declarações terem de ser substituídas.

Na altura, falou-se sobretudo da Revolut e a declaração da Autoridade Tributária foi bastante clara em relação a este caso concreto:

“Uma vez que a referida entidade não operou em 2018 como instituição de crédito/banco, as respetivas contas são qualificadas como contas de pagamento e, como tal, os contribuintes detentores das mesmas não estão obrigados a declará-las no Anexo J da Declaração Modelo 3 do IRS”.

Em relação aos outros casos, as Finanças esclareceram que os contribuintes teriam, para cada caso, de avaliar se se trata de uma conta de depósitos ou de títulos e se a mesma se encontra aberta em instituição financeira não residente em território português ou em sucursal localizada fora do território português.

Assim, uma conta na Monese também não teria de ser declarada, uma vez que não corresponde a uma instituição que tenha operado como banco.

Uma exceção

No entanto, a situação da alemã N26 é diferente.

Acontece que, à data da entrega das declarações de IRS a N26 já era considerada, pelo Banco de Portugal, como um serviço bancário, pelo que as contas abertas neste serviço já teriam de ser declaradas.

Uma obrigação que viria a ser confirmada pela própria empresa e que, por isso se vai manter nas próximas declarações de IRS.

Como as fintech surgem com bastante rapidez e como a lista de entidades reconhecidas pelo Banco de Portugal também vai sendo atualizada, a melhor opção é manter-se informado e ver qual a situação quando entregar a sua declaração.

Veja também