Pedro Andersson
Pedro Andersson
09 Dez, 2020 - 13:01

PPR: Uma escolha inteligente para si ou para os bancos e seguradoras?

Pedro Andersson

Fazer um PPR não deveria ser para apenas termos um spread mais baixo, nem para receber os benefícios fiscais. Deveria ser para ganharmos dinheiro com ele.

No momento em que escrevo esta crónica, estamos em Dezembro. Desde o início do mês que estamos a ser bombardeados com publicidade de vários bancos, corretoras e seguradoras para fazermos os famosos PPR antes de acabar o ano, para termos os igualmente famosos benefícios fiscais no IRS do ano que vem.

E é por aqui que quero começar. Não acha estranho que todas as instituições (se conhecer alguma que não o faça, diga) promovam os seus produtos financeiros dando como oferta uma coisa que não lhes sai do bolso? Mal comparado – como se diz na minha terra – era como se o dono de um restaurante me tentasse convencer a ir comer ao estabelecimento dele, dizendo que na loja ao lado estão a oferecer garrafas de vinho.

Quero apenas, com este exemplo, abrir-lhe os olhos para o que deve realmente procurar quando quiser subscrever um PPR. É que não há uma instituição que se “atreva” a tentar convencer-me a subscrever o PPR dela porque é a que dá o maior rendimento, ou porque tem as comissões menores, ou as melhores garantias… Nenhuma quer abrir esse jogo. Porquê?

Porque assim as pessoas não criam expectativas e podem colocar as comissões que quiserem e reduzir ao mínimo o rendimento desses produtos para o lado do cliente, aumentando naturalmente o rendimento deles (com o seu dinheiro).

É que já percebi há muito tempo que os portugueses aparentemente só fazem PPR por razões paralelas ao Plano Poupança Reforma e não pelo PPR em si (que é um produto fantástico de poupança/investimento a vários níveis). Contentamo-nos com pouco.

Fazer um PPR deveria ser para ganhar dinheiro com ele

Fazer um PPR não deveria ser para apenas termos um spread mais baixo (no crédito à habitação), nem para receber os benefícios fiscais (entre 300 e 400 euros por ano no IRS). Deveria ser para ganharmos dinheiro com ele, por fazer o nosso dinheiro trabalhar para nós ou mesmo para termos a melhor reforma possível.

Estou convencido de que – escolhendo um PPR melhor do que o que tem – exatamente com o mesmo esforço mensal ou anual poderia multiplicar o seu investimento dezenas de vezes. Não se iluda: estamos a falar de dezenas de milhares de euros de diferença.

Os bancos e seguradoras acenam-lhe com a cenoura das deduções fiscais (e está tudo certo, é verdade) e você entrega-lhes o dinheiro e eles é que ficam com a fatia maior do rendimento, quando deveria ser o contrário. Porque vão ganhar dinheiro com o seu dinheiro e você fica com as migalhas.

Não basta fazer um PPR para receber os benefícios fiscais. Se não desconta para o IRS ou se só desconta 200 euros por ano, não vai receber os 300 euros máximos no reembolso do IRS.

Portanto, subscreva o PPR, mas primeiro decida se quer colocá-lo no IRS ou não. Se colocar, vai receber 20% do que investir este ano até um máximo de 300 ou 400 euros dependendo da sua idade. Atenção a um pormenor: só vai receber um reembolso maior se descontar o suficiente para isso na retenção na fonte. Se não desconta para o IRS ou se só desconta 200 euros por ano, não vai receber os 300 euros máximos no reembolso do IRS. Isso ficou claro?

Muitos podem ser levados ao engano pensando que basta fazer um PPR para receber o dinheiro. O mesmo para quem tem muitas deduções: há um limite a partir do qual o Estado já não devolve nada, faça você os PPR que fizer.

Por exemplo, no meu caso, fiz as contas e mesmo que colocasse o valor do PPR no IRS não iria receber nada porque já atingi esse limite. Mas mesmo que pudesse receber, não vou colocar o que investi em PPR no IRS porque quero ficar livre como um passarinho para levantar esse dinheiro quando quiser ou me apetecer, sem qualquer penalização.

Assim não tenho de devolver os benefícios fiscais com uma multa de 10%. Dava-me prejuízo. Naturalmente, espero ganhar (escolhendo os PPR mais rentáveis do mercado) ganhar muito mais do que esses 300 ou 400 euros. Isso seria apenas uma espécie de bónus.

mulher lê documentos acerca das condições para resgate antecipado do PPR
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Assim, ao escolher um PPR use as listas da ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) e as listas da APFIPP (Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios). Têm lá praticamente todos os produtos no mercado com as respectivas rentabilidades, comissões e condições. Dá trabalho comparar?

Claro que dá trabalho. Mas é como deve fazer antes de ir às compras ao hipermercado. Pega no folheto e vê o que está em promoção e compara com a sua lista de compras. Analisar o mercado antes de comprar é a técnica mais eficaz de poupança imediata.

Neste caso dos PPR, não é para poupar, mas sim para investir no que lhe dá mais dinheiro. É tão simples quanto isto.

Em resumo, faça um PPR o mais cedo possível para si e para os seus filhos. Reforce-o mensalmente ou o mais regularmente possível. Decida se quer um Seguro PPR ou um Fundo PPR. Pesquise no mercado quais são os que são mais rentáveis e com menores comissões dentro do que lhe parece mais adequado ao seu perfil. Não escolha com base numa “oferta” dos bancos que nem sequer são eles que dão. As deduções do Estado são só um chamariz. Não vá atrás do canto da sereia. Pense pela sua cabeça. A sua carteira agradece.

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