Olga Teixeira
Olga Teixeira
04 Jun, 2020 - 09:49

Produtos portugueses: a escolha certa para apoiar a economia

Olga Teixeira

Comprar produtos portugueses contribui para que as empresas possam superar a crise. Conheça algumas ideias para adquirir o que é nacional.

Produtos portugueses

Qual a relação entre produtos portugueses, COVID-19 e o apoio à economia nacional? Ao preferir produtos nacionais está a contribuir para que as empresas afetadas pela pandemia possam recuperar do impacto, gerar receita e manter empregos.

Numa altura em que a maioria das empresas nacionais está a ser afetada por grandes quebras de faturação, decorrentes não só do encerramento de espaços comerciais e de lazer, mas também de uma diminuição do consumo, ganha importância o “made in Portugal”.

Retirando, obviamente, o que não pode ser produzido em Portugal, por que não optar por escolher produtos portugueses?

E não falamos apenas das laranjas do Algarve ou dos enchidos de Trás-os-Montes, mas também de vestuário, tecnologia e, até, de serviços como férias.

Produtos portugueses valem milhões de euros

Somos um país relativamente pequeno, mas as nossas compras valem muitos milhões. Vejamos dois exemplos:

Em 2017 (últimos dados disponíveis na Pordata) os portugueses gastaram 26.574,5 milhões de euros em alimentação, bebidas e tabaco e 8.302,3 milhões em vestuário e calçado. Obviamente que nem todo este dinheiro vai diretamente para as empresas, devido ao pagamento de impostos e intermediários.

Seja como for, e se tivermos em conta que 2019 as importações de bens ascenderam a 74.873,6 milhões de euros, percebemos a dimensão dos valores envolvidos.

Sim , é certo que Portugal importa, por exemplo, máquinas e matérias-primas para a indústria ou bens alimentares que não podem ser produzidos no nosso país.

Ainda assim, são muitos os produtos portugueses que poderiam ser adquiridos em detrimento dos estrangeiros, até porque, na maior parte das vezes, a qualidade do que é nacional é bastante superior.

São milhares de milhões de euros que ficam em Portugal e que podem ajudar a relançar uma economia bastante afetada pela pandemia.

A tendência para preferir o que é nacional era, aliás, notória ainda antes da crise provocada pela COVID-19. De acordo com dados do Observador Cetelem Consumo divulgados em maio de 2019, no momento da compra, 57% dos portugueses privilegia os produtos nacionais.

carrinho de compras

O que pode mudar no consumo?

Durante a fase de confinamento os portugueses cozinharam mais, fizeram mais compras online e até aderiram a soluções como cabazes de produtos frescos entregues à porta. Verificou-se também um regresso ao pequeno comércio de proximidade, algo que não se sabe ainda se vai continuar a ocorrer na fase pós-COVID.

No entanto, isto pode indicar também um regresso ao que é local, o que é benéfico para dinamizar a economia.

As preocupações ambientais são igualmente importantes: comprar produtos portugueses reduz as emissões de CO2, já que não há viagens de avião envolvidas. E, caso compre a produtores locais, é também reduzida a pegada ecológica relativa a transportes de longo curso.

As novas regras relativas aos estabelecimentos comerciais e de restauração, por outro lado, podem levar a que os portugueses demorem ainda algum tempo a retomar os padrões de consumo que eram habituais.

Por isso, podem estar criadas as condições para uma nova mudança na forma de fazer compras, assim como em relação ao que se compra.

Plataformas para produtos portugueses: alguns exemplos

Nas últimas semanas surgiram vários exemplos de plataformas destinadas a promover o consumo de produtos portugueses e certamente que os próximos tempos irão trazer bastantes novidades a este respeito.

Quem não gosta de fazer compras online pode também apoiar a economia nacional verificando, por exemplo, a origem dos produtos frescos que compra e optando pelos que são portugueses.

Das máscaras de proteção aos sapatos, passando pelo vestuário, artigos para a casa, alimentação de animais e até aplicações para telemóvel, existem inúmeras opções para adquirir o que é nacional. São pequenos gestos diários que, afinal, podem ter grande impacto.

Se faz compras através da internet, conheça então algumas das novidades que surgiram nos últimos tempos.

Alimente quem o Alimenta

Numa parceria entre o Ministério da Agricultura e várias entidades, surgiu a campanha Alimente quem o Alimenta, que tem como objetivo apelar a um consumo, responsável e consciente, de produtos locais e frescos.

A ideia é também agradecer a quem, diariamente e durante esta fase de pandemia, “trabalha em prol do normal funcionamento do setor da agroalimentar e da respetiva cadeia de abastecimento, ajudando no escoamento de produtos”.  

Assim, qualquer consumidor pode pesquisar produtores ou estabelecimentos do seu concelho e encomendar os produtos desejados, que incluem, por exemplo, queijos, frutos secos, pão, mel ou produtos hortícolas.  

Nesta plataforma também é possível encontrar iniciativas a nível local, promovidas por autarquias ou outras entidades, que incentivam o comércio de proximidade.

Escolhe Portugal

Criada por um grupo de empreendedores, a plataforma Escolhe Portugal quer reunir empresas portuguesas de pequena, média ou grande dimensão, sensibilizando os consumidores para a importância de comprar produtos portugueses.

Ainda numa fase inicial, este projeto vai proporcionar, mesmo às empresas mais pequenas, os meios para que possam estar presentes nesta montra online, divulgando e vendendo os seus produtos.

O único requisito para participar é que seja “um negócio sediado em Portugal, que gera empregos e paga impostos ao “Estado português”.  

Consumir Português

Comprar produtos portugueses e ajudar os hospitais que estão a salvar vidas e a lutar contra a COVID-19 é o objetivo deste movimento.

O projeto “Eu Apoio a Produção Nacional”, acessível através do site Consumir Português,  junta, num único portal, as lojas online de várias marcas portuguesas.

Vinhos, joalharia, têxtil e cerveja artesanal são alguns dos produtos solidários cujas vendas revertem em 10% para hospitais públicos.

Com as lojas encerradas, muitas destas empresas viram a sua faturação diminuir e sentiram grande dificuldade em escoar produtos que não são encarados como bens de primeira necessidade.  

Agora, é possível conhecer as marcas e os seus produtos, bastando alguns cliques para ir do vinho à decoração ou à moda.  

A plataforma, promovida pela Global Press, tem já várias empresas disponíveis, mas está ainda a aceitar candidaturas, pelo que pode vir a ter mais opções para compras online de produtos portugueses.

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