Ekonomista
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26 Abr, 2018 - 09:00
razões para não fazer voluntariado

10 razões para não fazer voluntariado

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Há muitas razões para não fazer voluntariado, mas queremos que saiba como desfazer cada uma delas. Falta de tempo e descrença nas entidades associadas são algumas delas.

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Será que existem, mesmo, duas mãos cheias de razões para não fazer voluntariado? A resposta simples é: sim, há 10 ideias erradas que se pode fazer à volta do tema.

Todas as razões são boas para não nos envolvermos ativamente na implementação de soluções para os inúmeros problemas aos quais somos testemunhas diariamente e de que, inclusive, muitas vezes padecemos. É mais fácil virar o olhar e não fazer nada. É mais simples colocar a culpa no Estado, no modelo económico vigente, na mediocridade em que vive a sociedade… Enfim, a lista de argumentos para não fazermos parte da solução é interminável.

Eis 10 deles – os que mais ouço há 30 anos – para não se envolver na solução através do exercício do voluntariado.

As 10 razões para não fazer voluntariado

ajuda mãos

1. Não tenho tempo

É verdade, doar tempo a uma causa exige uma boa gestão das 24 horas diárias. Quem exerce o voluntariado precisa ter (ou desenvolver) técnicas de como gerir o tempo. Diz o velho ditado: “Se quer que alguma coisa seja bem feita, peça à pessoa mais ocupada”. Por isso, é comum as pessoas que exercem voluntariado terem agendas muito cheias.

Como existe o hábito de gerir o tempo com rigor, o voluntariado é entendido como mais um compromisso – claramente um que leva as pessoas a sair da sua rotina e, não raras vezes, a ir para lá da sua zona de conforto. No entanto, é preciso ter em consideração que nem todo o voluntariado é de longa duração – a atividade pode ser pontual (algumas vezes durante o ano) ou sazonal (durante as férias por exemplo).

2. Não quero assumir mais um compromisso na minha vida

O voluntariado é, sem dúvida, um compromisso de grande responsabilidade. Não é por não sermos remunerados que os níveis de compromisso e responsabilidade baixam – e, para algumas pessoas, a palavra “compromisso” tem uma conotação negativa. Há quem prefira manter o menor número de compromissos possível – porque eliminá-los é muito difícil, pois quem vive em sociedade e quer estar integrada/o tem de assumir sempre alguns.

Como o voluntariado é uma atividade exercida sem caráter de obrigatoriedade, os que evitam os compromissos dificilmente se envolverão nessa atividade de cidadania.

3. Não sou capaz

Baixos níveis de autoconfiança podem fazer as pessoas sentirem que o voluntariado é uma atividade para cidadãos especiais, com determinadas características que as distinguem das demais. Não é necessário ter super poderes para fazer voluntariado.

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O tipo de atividades a desenvolver é muito variado – como, por exemplo, dar apoio administrativo, fazer o trabalho no terreno diretamente com as populações mais vulneráveis, realizar tarefas de âmbito mais logístico… E muito mais.

4. As organizações sem fins lucrativos são todas corruptas

A opinião pública oscila entre uma visão romântica das organizações da economia social – que ajudam os que mais precisam com elevados valores éticos e morais – e uma visão demoníaca no momento em que são noticiadas más práticas. Basicamente, é como se as pessoas que fazem parte do setor fossem mais puras.

A distribuição dos seres humanos não é feita colocando os mais sérios nas organizações não-governamentais e os menos no setor público e empresarial. Como nos sentimos traídos graças a esta visão deturpada da realidade, passamos a assumir ceticismo e apreensão quando revelados maus atos. E passamos a classificar as demais como más, ainda que representem uma reduzida percentagem.

5. Já pago os meus impostos, a mais não sou obrigada/o

Esta visão de que o Estado é quem tem a responsabilidade de resolver os problemas – e os cidadãos apenas têm de cumprir com as obrigações ditadas pelas leis – demonstra o nosso baixo nível de consciência cívica.

“Faço apenas aquilo que a sou obrigada/o, demitindo-me de tudo o resto” – parece um certo autismo e visão de fantasia entender que ao Estado cabe resolver todos os problemas que surjam.

Em primeiro lugar, o Estado é composto por cada cidadão e por todos os cidadãos; em segundo, se colocássemos todos os problemas apenas nas mãos das estruturas estatais ou daquelas apoiadas por elas, seria impraticável melhorar as vidas das pessoas, do país e do mundo.

voluntários

6. Sou realista, é impossível mudar o mundo

Uma visão negativa do estado do mundo leva muitos a assumirem que o nível de coisas más é muito elevado e que, como muitos poderosos, não contribuem para a solução mas para o problema, não faz sentido os cidadãos se esforçarem. Se a maioria da população pensar assim, acredite: isso torna-se verdade.

No entanto, se os dois biliões de pessoas que exercem voluntariado em todo o planeta agirem concertadamente e estiverem preparados para as suas funções, o mundo será um local muito mais justo.

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7. Não vou ajudar malandros

Existe o preconceito de que as pessoas em situação de vulnerabilidade são culpadas da situação em que se encontram e que, por isso, não merecem ajuda.

“Estar mal é o castigo merecido pelas más opções” é um entre muitos argumentos de quem não quer fazer voluntariado por esta razão – pessoas que também defende que existe um aproveitamento dos apoios dados e que, portanto, ajudar é alimentar “vícios” dos que não querem trabalhar e dependem de subsídios.

Apesar de ser este um comportamento que possa existir, isso não significa que represente a maioria e que vulnerabilidade é sinónimo de pobreza. O voluntariado tenta contribuir para a solução de problemas aos mais variados níveis: ambiente, património, animais, pessoas, etc. E quando se tratam de pessoas, elas podem viver um infindável número de problemas: violência doméstica, desemprego, solidão…

8. Não serei cúmplice na substituição de mão-de-obra assalariada

Maus exemplos de organizações que utilizam o trabalho voluntário para substituir a mão-de-obra remunerada conduzem a uma extrapolação para as demais. Assumir que é transversal a todas as organizações é injusto.

9. Quem precisa de ajuda sou eu

Há alguns anos atrás eu também assumia que, para exercer o voluntariado, devem estar satisfeitas todas as necessidades enunciadas na pirâmide de Maslow. Pensava que alguém que se encontrasse com dificuldades na vida não estaria apto a ajudar os outros através do voluntariado. A prática e o estudo aprofundado fizeram-me compreender que estava a ter uma compreensão muito superficial do tema.

10. O que eu ganho com isso?

Ouvi, vezes sem conta, esta pergunta durante a minha vida. E sempre tive muita dificuldade em responder assertivamente, porque me parecia demasiado óbvia a resposta. Mais tarde percebi que a pergunta é feita por pessoas que nunca tiveram a oportunidade de experimentar o impacto que tem a sensação de sabermos que estamos a contribuir para melhorar algo no mundo: a vida de uma ou mais pessoas, a limpeza de um rio ou de uma floresta…

Certo é que os cidadãos têm ao seu dispor um conjunto variado de formas de contribuir para a solução. Uma delas é o exercício do voluntariado com um potencial poder de mudança extraordinário.

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