Share the post "Redes sociais são tão nocivas como o tabaco, alertam os médicos"
O uso excessivo das redes sociais pode ser tão prejudicial para crianças e adolescentes como o tabaco foi para gerações anteriores. O alerta foi lançado por várias organizações médicas do Reino Unido, que defendem uma intervenção urgente dos governos para limitar os efeitos negativos das plataformas digitais nos mais jovens.
A comparação, feita pela Academia das Faculdades Reais de Medicina do Reino Unido, está a gerar um intenso debate internacional sobre saúde mental, dependência digital e proteção de menores online. Para os especialistas, os danos associados às redes sociais já representam uma verdadeira questão de saúde pública.
Porque é que se comparam redes sociais ao tabaco?
Segundo os médicos britânicos, existem semelhanças importantes entre a forma como o tabaco e as redes sociais afetam a sociedade. Durante décadas, o cigarro foi promovido como algo socialmente aceitável antes de se conhecerem plenamente os seus efeitos nocivos.
Os especialistas acreditam que algo semelhante está agora a acontecer com plataformas como Instagram, TikTok ou Snapchat. São produtos altamente populares, desenhados para criar hábitos intensivos de utilização e cuja dimensão dos danos só começou recentemente a ser compreendida.
O relatório entregue ao Governo britânico refere que crianças e adolescentes estão “continuamente expostos a conteúdos viciantes, violentos e perturbadores”. Muitos médicos afirmam observar semanalmente problemas relacionados com o uso excessivo de tecnologia, incluindo ansiedade, distúrbios do sono, automutilação, isolamento social e dificuldades de concentração.
O impacto das redes sociais na saúde mental

Vários estudos internacionais já associaram o uso intensivo das redes sociais ao aumento de problemas de saúde mental entre jovens. Os especialistas alertam especialmente para mecanismos considerados altamente aditivos, como scroll infinito, notificações constantes, algoritmos personalizados, recompensas sociais através de “likes” ou vídeos curtos de consumo contínuo.
Estas funcionalidades estimulam o cérebro através de ciclos de recompensa imediata, incentivando longos períodos de utilização e dificultando a desconexão digital. Além disso, médicos britânicos sublinham que os adolescentes estão frequentemente expostos a conteúdos relacionados com violência, suicídio, pornografia extrema, desafios perigosos e padrões irreais de aparência e sucesso.
Especialistas dividem-se sobre uma proibição total
Apesar do consenso sobre os riscos, nem todos os especialistas defendem um bloqueio absoluto das redes sociais. Algumas organizações ligadas à segurança digital consideram que uma proibição total pode ser difícil de aplicar e até incentivar formas de contornar os sistemas de verificação de idade.
Outros defendem antes uma regulação mais exigente sobre o design das plataformas e maior literacia digital nas escolas. Há também quem sublinhe que as redes sociais podem trazer benefícios importantes quando utilizadas de forma equilibrada, como acesso à informação, contacto social, criatividade e aprendizagem.
“O novo tabaco” da era digital

A expressão “o novo tabaco” tornou-se simbólica no Reino Unido porque traduz a ideia de que os impactos negativos das redes sociais podem demorar anos a revelar toda a sua dimensão social e sanitária.
Os médicos defendem que os governos devem agir agora, antes que os efeitos se agravem ainda mais entre as gerações mais jovens. A comparação surge numa altura em que o Reino Unido também aprovou legislação histórica para reduzir o consumo de tabaco e criar uma “geração livre de fumo”.
Como reduzir os riscos das redes sociais?
Especialistas em saúde mental recomendam algumas medidas práticas para um uso mais saudável das plataformas digitais:
- definir horários sem ecrãs;
- evitar redes sociais antes de dormir;
- desligar notificações desnecessárias;
- promover atividades offline;
- acompanhar o conteúdo consumido por crianças e adolescentes;
- incentivar conversas abertas sobre saúde mental e internet.
A principal mensagem dos médicos britânicos não é eliminar completamente a tecnologia, mas reconhecer que o uso excessivo e descontrolado das redes sociais pode ter consequências reais na saúde física e emocional.