Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
21 Ago, 2026 - 15:00

Registo Nacional de Utentes: o que é e o que pode custar-lhe

Cláudia Pereira

Saiba o que é o Registo Nacional de Utentes (RNU), como funciona e por que motivo um registo desatualizado pode fazer-lhe pagar mais numa consulta do SNS.

Todos os portugueses que já foram a um centro de saúde ou a um hospital público têm um número de utente. Esse número vem de uma base de dados chamada Registo Nacional de Utentes (RNU) e que o estado desse registo pode determinar se paga ou não pela próxima consulta, se mantém o médico de família ou se continua isento de taxas moderadoras.

O tema ganhou urgência em 2026. A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) está a atualizar cerca de 20 milhões de registos administrativos no RNU, aplicando novas regras que já deixaram mais de 262 mil utentes com o registo por regularizar. Perceber como funciona este sistema deixou de ser um detalhe burocrático para se tornar uma questão com impacto direto na carteira.

O que é o Registo Nacional de Utentes

O RNU é a base de dados nacional que identifica e regista todos os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), independentemente da nacionalidade, do local de residência ou da frequência com que recorrem aos serviços de saúde. É através dele que é atribuído o Número Nacional de Utente (NNU), um número único, nacional e definitivo, que nunca é substituído nem atribuído a título provisório.

O registo no RNU é obrigatório para qualquer cidadão que contacte uma unidade de saúde do SNS e pode ser feito de três formas: através do portal do RNU nas próprias unidades de saúde (hospitais e cuidados de saúde primários); através do pedido do cartão de cidadão, por interoperabilidade com o Instituto dos Registos e Notariado; ou através de outras entidades, como a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), em processos específicos.

Verifique se o seu registo está atualizado através da app SNS 24 antes de precisar de o fazer com urgência numa ida às urgências.

Guia prático do Serviço Nacional de Saúde (SNS)
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Que dados tornam o registo “atualizado”

Nem todos os registos no RNU têm o mesmo estatuto. Desde a atualização de 2026, existem cinco classificações: registo atualizado, registo atualizado não residente, registo em curso, registo incompleto e registo em histórico (destinado a óbitos).

Para um cidadão português residente em Portugal, o registo só é considerado “atualizado” quando reúne nome, sexo, data de nascimento, país de nacionalidade e de naturalidade, distrito, concelho e freguesia de naturalidade, tipo e número de documento de identificação, Número de Identificação Fiscal (NIF) e morada nacional.

Cidadãos estrangeiros têm ainda de apresentar o documento de autorização de residência. Um registo sem estes dados fica classificado como “em curso” durante 180 dias; se o prazo terminar sem correção, passa automaticamente a “incompleto”.

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Porque é que um registo desatualizado pode custar dinheiro

Um registo incompleto dificulta a identificação da Entidade Financeira Responsável correta nos sistemas de faturação, ou seja, de quem deve pagar a prestação de cuidados. Sem essa identificação clara, o utente arrisca-se a ser cobrado por valores que, com o registo em dia, estariam comparticipados ou isentos pelo SNS.

O mesmo se aplica às isenções de taxas moderadoras. A informação de isenção, por insuficiência económica, incapacidade ou outros critérios, fica associada ao registo de utente e é reavaliada automaticamente todos os anos, a 30 de setembro, com base nos rendimentos declarados. Se a morada ou os dados de identificação estiverem desatualizados, a comunicação dessa reavaliação pode nem sequer chegar ao utente, com o risco de a isenção caducar sem aviso.

Há ainda o efeito indireto de perder o médico de família: sem consultas regulares nos cuidados de saúde primários, torna-se mais comum recorrer a urgências hospitalares ou a consultas privadas, que têm custos claramente superiores aos dos cuidados de saúde primários do SNS.

Se tem Cartão de Cidadão, a morada de correspondência no RNU é automaticamente a que consta nesse cartão, por isso, manter a morada do Cartão de Cidadão atualizada é o que garante que recebe as notificações do SNS a tempo, incluindo as relativas a isenções.

Como verificar e corrigir o seu registo

A atualização de dados obrigatórios, como morada, NIF ou documento de identificação, tem de ser feita presencialmente numa unidade de saúde do SNS, para confirmação da identidade e prevenção de fraude. Antes de se deslocar, é possível confirmar o estado atual do registo e marcar a consulta online, se necessário, através do portal ou da app SNS 24.

Adiar esta verificação não poupa tempo, poupa apenas o incómodo de uma ida ao centro de saúde. Esse incómodo é bem mais barato do que uma fatura inesperada ou uma isenção perdida sem aviso. Já perceber o que acontece a quem não tem contacto com o SNS há cinco anos ajuda a decidir se a sua situação exige uma correção urgente ou não.

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Fontes

ACSS. (2026). Registo Nacional de Utentes. Administração Central do Sistema de Saúde. https://www.acss.min-saude.pt/2025/07/16/registo-nacional-de-utentes/

Despacho n.º 14830/2024, de 16 de dezembro. Diário da República n.º 242/2024, Série II.

Despacho n.º 3118/2026, de 11 de março. Diário da República n.º 49/2026, Série II.

ERS. (2025). Acesso de cidadãos estrangeiros à prestação de cuidados de saúde no Serviço Nacional de Saúde. Entidade Reguladora da Saúde. https://www.ers.pt/pt/utentes/perguntas-frequentes/faq/acesso-de-cidadaos-estrangeiros-a-prestacao-de-cuidados-de-saude-no-servico-nacional-de-saude/

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