Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
20 Out, 2026 - 15:00

Regra 60-30-10: 3 cores para mudar uma divisão sem obras

Cláudia Pereira

A regra 60-30-10 ajuda a escolher as cores de uma divisão sem erros caros. Veja como distribuir as cores, quanta tinta comprar e onde pode poupar dinheiro.

A sala acabou de ser pintada, os móveis estão no sítio e, ainda assim, algo não bate certo. As cores parecem lutar entre si. E corrigir o erro com uma nova pintura custa tempo e dinheiro.

A regra 60-30-10 é uma das referências mais usadas no design de interiores para evitar este cenário. Divide a divisão em três cores: uma dominante, que ocupa 60% do espaço, uma secundária, com 30%, e uma de destaque, com apenas 10%. Não há fórmula mágica, mas há proporção e é a proporção que dá equilíbrio ao olhar.

A vantagem prática vai além da estética. Quem segue esta lógica pinta as paredes uma vez e muda o ambiente com almofadas, mantas ou quadros, sem voltar a gastar em tinta.

O que é a regra 60-30-10 na decoração

A regra 60-30-10 é um princípio de design de interiores que distribui as cores de uma divisão em três proporções: 60% para a cor dominante (normalmente paredes e grandes superfícies), 30% para a cor secundária (móveis e têxteis) e 10% para a cor de destaque (acessórios e pormenores).

A lógica é simples, com uma cor claramente dominante, o espaço ganha uma base; as outras duas entram como apoio e como ponto de interesse. Quando as três aparecem em quantidades iguais, nenhuma se impõe e o ambiente tende a parecer confuso.

Os números são uma referência, não uma conta exata. Ninguém mede a área do sofá ao centímetro, e há até quem coloque o sofá ou um roupeiro grande nos 60%, em vez das paredes. O que importa é que uma cor domine claramente, outra acompanhe e a terceira apareça em pequenas doses.

Como escolher as cores de uma divisão com a regra 60-30-10?

Saber a teoria é fácil, a dificuldade está em decidir que cor fica com cada fatia — e a ordem pela qual se decide faz diferença.

A cor dominante (60%)

É a base do espaço e entra nas paredes, no pavimento ou num tapete grande. Funciona melhor em tons neutros ou suaves: branco-sujo, bege, cinza-claro, verde-sálvia. Depois, há um teste rápido. Se a cor cansaria ao fim de uma semana, não serve para os 60%.

A cor secundária (30%)

Aparece no sofá, nas cortinas, numa cómoda ou numa parede de destaque. Deve contrastar com a dominante, mas sem competir com ela. Um tom mais escuro da mesma família, ou uma cor vizinha na roda das cores, costuma resultar. Para perceber que cores combinam entre si, consulte o guia sobre combinação de cores na decoração.

A cor de destaque (10%)

É a que dá personalidade: almofadas, uma jarra, molduras, um candeeiro. Pode ser intensa, como mostarda, terracota, azul-petróleo, porque aparece pouco.

Na prática, a distribuição fica assim:

ProporçãoOnde entraExemplo numa sala
60%Paredes, pavimento, tapete grandeBranco-sujo
30%Sofá, cortinas, móveis maioresCinza-antracite
10%Almofadas, quadros, acessóriosMostarda

Antes de comprar tinta, faça este exercício: fotografe a divisão, escolha três amostras e coloque-as lado a lado à luz natural. É um exercício rápido e evita a pintura errada.

Como a luz e o tamanho mudam a escolha

A mesma cor muda de divisão para divisão. E a proporção, sozinha, não resolve isto.

Em Portugal, como em todo o hemisfério norte, as divisões viradas a norte recebem uma luz mais fria e suave, mas constante ao longo do dia. Aqui, tons quentes na cor dominante, como creme, areia, rosa-pálido, compensam essa frieza. Já as divisões viradas a sul recebem luz forte e mais quente, e por isso equilibram bem tons frios, como azuis e verdes acinzentados.

O tamanho também pesa. Num quarto pequeno, uma cor dominante clara ajuda o espaço a parecer maior, e a secundária pode surgir só nos têxteis em vez de numa parede inteira. Numa sala ampla, há mais margem para escurecer os 60% sem que o espaço pareça fechado.

Repare noutro pormenor: o pavimento existente. Um soalho de madeira escura já ocupa boa parte da fatia dominante ou secundária, e tem de entrar nas contas. Para orientações por tipo de espaço, veja as cores de tintas mais indicadas para cada divisão. Mas a escolha da cor é só metade da decisão. A outra metade é quanto vai gastar para a aplicar.

Quanta tinta precisa e onde poupa

Aqui entra a vantagem financeira da regra. A cor dominante é a única que exige tinta em quantidade; a secundária e a de destaque podem viver em objetos que se trocam sem obras.

Faça as contas para um quarto de 4 por 3,5 metros, com pé-direito de 2,6 metros. O perímetro é de 15 metros (4 + 3,5 + 4 + 3,5). Multiplicado pela altura, dá 39 m² de parede. Retirando cerca de 3,5 m² de porta e janela, ficam 35,5 m².

A ficha técnica de uma tinta plástica mate de interior de uso corrente indica um rendimento de 8 a 12 m² por litro por demão, com recomendação de duas a três demãos. Com um valor médio de 10 m² por litro e duas demãos, a conta é esta: 35,5 m² × 2 = 71 m², a dividir por 10 = 7,1 litros.

Se optar por uma parede de destaque na cor secundária, a conta muda. Uma parede de 4 metros por 2,6 metros tem 10,4 m². Com duas demãos, são 20,8 m², ou seja, cerca de 2,1 litros dessa cor e os restantes 5 litros na cor dominante.

Arredonde sempre para cima. As latas vendem-se em tamanhos fixos e o rendimento varia com a superfície, uma parede rugosa ou nunca pintada fica mais perto dos 8 m² por litro do que dos 12. Se nunca pintou, aprenda a pintar paredes como um profissional antes de abrir a primeira lata.

É nos 10% que está a maior margem de poupança. Trocar capas de almofada, uma manta ou dois quadros renova a divisão sem gastar em tinta nem em mão de obra. E quem gosta de estilos mais contidos, como o Japandi, que combina tons neutros com madeira natural, consegue adaptar o ambiente a cada estação só com acessórios.

Há, ainda assim, limites. Se a divisão tem paredes com humidade ou fissuras, o problema não é a cor, e nenhuma regra disfarça uma parede mal preparada. Quando a dúvida é maior, veja como trabalha e como cobra um decorador de interiores.

Comece pelos 10%, não pelas paredes

Escolha primeiro a cor de destaque, a almofada que adora, o quadro que já tem. Depois, encontre a secundária que a acompanha e, só no fim, a dominante que serve de fundo. Teste durante uma semana com amostras na parede. Se não convencer, gastou apenas uma amostra. Mas teste antes de comprar 7 litros de tinta.

Receba no seu email as melhores dicas para poupar em casa. Subscreva a newsletter do Ekonomista e fique a par das estratégias que fazem a diferença no seu orçamento, da decoração às contas da casa.

Fontes

Barbot. (2024). Ficha técnica: 1943 – Tinta plástica mate interior (Rev. 02). https://barbot.pt/wp-content/uploads/2024/02/1943-barbot-ft-t.plastica-mate-interior-pt-rev.02.pdf

Benjamin Moore. (s.d.-a). Best paint colours for north-facing rooms. https://www.benjaminmoore.com/en-ca/colour-overview/colour-palettes/colour-by-direction/north-facing-room-paint-colours

Benjamin Moore. (s.d.-b). Best paint colours for south-facing rooms. https://www.benjaminmoore.com/en-ca/colour-overview/colour-palettes/colour-by-direction/south-facing-room-paint-colours

Veja também