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David Afonso
David Afonso
19 Jan, 2021 - 12:15

Renault Twingo: o eterno redondinho da marca francesa

David Afonso

Fique a conhecer o modelo que encantou gerações e quebrou conceitos. Descubra a história do Renault Twingo, um rendondinho que virou um clássico de culto.

renault twingo 2019

Twist, Swing e Tango. Estas três palavras dizem-lhe algo? Uma ajuda: formam um nome próprio do mundo automóvel. E agora, ficou mais fácil? Bem, se calhar é melhor acabar com o mistério. Para quem não sabe, estas três palavras deram origem ao eterno “redondinho” Twingo. Sim, o famoso citadino francês Renault Twingo que está no mercado há 27 anos e já está vai na sua terceira geração (uma versão 100% elétrica).

Mas para conhecer melhor a trajetória do Renault Twingo no mercado, façamos uma viagem no tempo para conhecer a história deste carro francês cheio de particularidades.

Viajamos até 1971?

Renault Twingo: o carro que era para ser o Renault 2

O ano era 1971, o mês era maio e a ideia era construir um carro acessível, de baixa gama, compacto, mas amplo no seu interior. Para dar vida a esta ideia, os escolhidos foram Robert Opron, conhecido pelos famosos Citroën GS e CX, e Gastón Juchet.

Se tudo corresse como planeado, ganharia vida o Renault 2. Com todas as diretrizes referidas no parágrafo anterior, este novo modelo tinha como objetivo dar seguimento ao começado com o Renault 4, uma década antes. Assim, tinha de ser um carro de fácil condução e ideal para todos aqueles que gostavam de circular pela cidade.

Em julho de 1975, depois de muitos avanços e recuos, a dupla apresentou dois modelos, à escala real, à administração da Renault. Contudo, indecisa sobre os possíveis lucros do projeto, a marca arquivou-o temporariamente.

Foi então que, em 1983, o plano voltou à vida graças ao protótipo polaco FSM Beskid 106, que chamou a atenção da marca francesa. Isto aconteceu devido à sua carroçaria de minivan que conseguia maximizar o habitáculo apesar da sua dimensão.

Assim, em 1985, depois do estudo da parte mecânica e estrutura, o projeto foi encomendado ao designer Jean-Pierre Ploué, a quem mais tarde se juntou Patrick LeQuément, em 1988, para definir a forma “final” do carro.

Renault Twingo: o primeiro do seu nome (1993-2007)

Com efeito, depois de quase 20 anos no forno, em 1989, a Renault estava então decidida em conceber o tão desejado modelo compacto, com um design inovador, atraente e que tivesse um preço acessível. Contudo, esforços foram feitos para que não fosse um concorrente do Clio, que estava também prestes a ser comercializado.

Finalizados os últimos pormenores, o Renault Twingo foi finalmente apresentado no Salão Automóvel de Paris em 1992. Na exposição foram logo reservadas 2.240 unidades.

O seu lançamento comercial ocorreu um ano depois, em 1993, através de uma campanha publicitária muito original, baseada em desenhos animados.

O conceito

O nome Twingo resultou então da fusão de “Twist”, “Swing” e “Tango”, estilos de dança que representam o otimismo e a alegria de viver. No fundo, o Twingo pretendia ser um “guilty pleasure” e nunca uma forma de despertar o olhar de terceiros.

Pretendia-se um carro que se fundia com o condutor, enquanto oferecia uma experiência de afirmação pessoal.

Por outras palavras, um carro que era a extensão do seu proprietário.

O design

Com uma peculiar forma dianteira com faróis salientes que lembram os olhos de um sapo e uma forma redonda, o Twingo era contra natura para a época. Era, portanto, diferente e audaz.

Prova disso, foi também a palete de cores inicial igualmente peculiar: azul-marinho, vermelho coral, verde coentro e amarelo indiano. Só mais tarde é que acabaram por ser disponibilizadas as cores mais “clássicas”.

O interior

A estrutura de monovolume, que permitia até 4 passageiros, otimizava ao máximo o volume do habitáculo. Para além disso, os bancos podiam ser completamente rebatidos, formando uma espécie de “cama” na parte traseira. No fundo, conseguiu-se o tão desejado espaço modular, pretendido desde 1971.

No que toca a outros elementos do habitáculo, o painel de controlo era simples, com o velocímetro digital ao centro e os piscas em forma de nariz de palhaço.

Por outro lado, tinha teto de abrir em tela, uma das grandes novidades para a época.

O motor

Uma única versão, um único motor. A escolha recaiu sobre um Cleón-Forte C3G, 1,2L, 8 válvulas, com 55 cv de potência a 5.300 rpm e 90 Nm a 2.800 rpm. Tudo isto ligado a uma caixa de cinco velocidades.

A reter desta primeira geração (o modelo original)

  • 1994: um cidadão Francês percorreu, na Austrália, 240 000 km com um Twingo, demonstrando a fiabilidade do modelo numa utilização muito para além da sua vocação urbana. No final desta aventura o carro foi decorado por um pintor aborígene;
  • 1994: lançamento do Twingo Easy de caixa manual sem embraiagem;
  • 1996: lançamento da série limitada «Benetton» e do Twingo’Matic equipado com uma caixa automática de 3 relações. O motor passa a dispor de 60 cv;
  • 1998: restyling do modelo com evolução do chassi, dos bancos, do painel de bordo e das óticas e para-choques dianteiro. Lançamento da série limitada Elite;
  • 1999: lançamento da versão topo de gama «Initiale»;
  • 2000: lançamento do motor de 16 válvulas de 75 cv e da caixa sequencial Quickshift;
  • 28 junho de 2007: produção da última unidade do Twingo I na Europa, do qual se venderam 2 075 300 exemplares durante 14 anos. A Colômbia chegou a prolongar a sua produção até 2012, face à popularidade o Renault Twingo I no mercado local.

Renault Twingo II: o período de mudança (2007-2014)

renault twingo
Groupe Renault | Site Media

A apresentação do substituto para a primeira geração do Renault Twingo foi inicialmente planeada para o ano 2000, com o objetivo de iniciar vendas em 2002. No entanto, o projeto foi adiado e desacelerado até estar totalmente operacional.

Assim, o Renault Twingo II só foi oficialmente apresentado no Salão Automóvel de Genebra de 2007.

Neste evento, a Renault apresentou um produto muito mais maduro e deixou de lado a estética clássica do modelo e optou pela influência estética de outros modelos da família Renault.

Em vez de faróis redondos, a frente do carro agora era dominada por grandes lentes em forma de lágrima. Com 3,69 metros de comprimento, era 16 centímetros, maior que o primeiro. Como alternativa ao banco traseiro integral, possuía agora dois assentos individuais, que também podiam ser movidos até 25 centímetros.

Durante esta geração foram comercializadas variantes a gasolina e, como novidade, diesel. Além das alternativas de combustível, teve ainda uma versão desportiva, desenvolvida pela Renault Sport. Esta foi uma grande novidade para os amantes do modelo que podiam agora usufruir de um carro mais robusto em força.

Apesar de todas as críticas iniciais, o Twingo II revelou-se um verdadeiro best-seller. Assim, esteve presente em 48 países e, no final da produção, em 2014, a Renault produziu cerca de 911 mil unidades.

A reter desta segunda geração

  • Em 2012, o Twingo II recebeu um restyling, com uma frente mais marcante;
  • O ponto mais marcante ao nível técnico do Twingo II foi a versão Gordini, com 133 cv de potência.

Renault Twingo III: a caminhar para mobilidade elétrica (2014-…)

O Renault Twingo III estreou-se no Salão Automóvel de Genebra de 2014. Foi construído em plataforma com o Smart Forfour II e Smart Fortwo III, sendo o resultado de uma parceria com a Daimler.

São oferecidas três variantes mecânicas deste Twingo III, todas de três cilindros. O motor básico é o SCE 70, 1L, com potência de 70 cv e torque máximo de 91 Nm; o TCE 90, um Turbo de 0,9L, que chega aos 90 cv e 135 Nm de torque; e o mais potente chega aos 110 cv e 170 Nm de torque.

Está disponível com caixa de cinco velocidades ou automática de seis velocidades, com sistema Start & Stop. Uma novidade desta geração é o sistema de cinco portas.

Esta geração, além de todos os avanços tecnológicos, volta aos standards do modelo original, apresentando também estas variações com uma forma mais redonda e compacta.

Renault Twingo Z.E

O Renault Twingo Z.E totalmente elétrico deveria ter sido apresentado, no Salão do Automóvel de Genebra de 2020. Contudo, face às restrições, a marca apresentou o modelo através das plataformas digitais.

Este é um Twingo que conta com cinco portas; possui um motor elétrico de 60 kW (81 cv) e 160 Nm de torque na traseira; e bateria de íon-lítio de 21,3 kWh, permitindo autonomia de 180 quilómetros em Ciclo WLTP.

Portanto, o Twinzo Z.E. acaba por provar que este é um clássico que também se soube adaptar aos novos tempos!

E agora? Qual é o futuro do Twingo?

Entre a origem nas danças cheias de alegria e a recente mobilidade elétrica, o Twingo será sempre um marco na história automóvel. Afinal, será sempre o eterno e clássico redondinho da Renault.

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