Miguel Pinto
Miguel Pinto
30 Set, 2026 - 14:00

Rendas sempre a crescer em Portugal passam os 10 euros por metro quadrado pela primeira vez

Miguel Pinto

As rendas dos novos contratos subiram para 10,17 euros por metro quadrado, segundo o INE. Veja onde sobe mais e o impacto na sua carteira.

rendas vão aumentar

Arrendar casa em Portugal tem um novo patamar de referência. No segundo trimestre de 2026, as rendas mediana dos novos contratos ultrapassou os 10 euros por metro quadrado, fixando-se em 10,17 €/m², de acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). É a primeira vez que o indicador passa esta fasquia. 

O número diz algo a quem procura casa, mas diz sobretudo aquilo que já se sente ao percorrer os anúncios: a subida não abrandou, acelerou.

Segundo o INE, as rendas medianas dos novos contratos de arrendamento é de 10,17 euros por metro quadrado. A mediana é o valor central, ou seja, metade dos contratos ficou abaixo deste preço e metade acima.

Refere-se apenas a contratos novos, não às rendas que já estavam em vigor.

A evolução foi rápida. No primeiro trimestre de 2026, a mediana era de 9,46 euros por metro quadrado. Em cadeia, face aos primeiros três meses do ano, o aumento foi de 7,5%. Foi a maior subida homóloga desde o primeiro trimestre de 2025. 

O que significa, na prática, pagar 10,17 €/m²?

Os euros por metro quadrado ganham sentido quando se fazem contas. Num apartamento de 70 m², a renda mediana nacional ronda os 712 euros por mês.

Em Lisboa, onde a mediana municipal é mais alta, a mesma área custaria perto de 1.245 euros. São estimativas ilustrativas, calculadas a partir dos valores medianos, e cada casa terá o seu preço consoante a zona, o estado e as características.

Onde sobem mais as rendas?

Em nenhuma região do país se escapou à subida, mas o ritmo e o valor variam bastante.

As mais caras. A Grande Lisboa lidera com 15,24 €/m², seguida da Região Autónoma da Madeira (12,78), da Península de Setúbal (11,99), do Algarve (11,56) e da Área Metropolitana do Porto (10,83). Estas cinco são as únicas acima da média nacional.

As que mais aceleram. O Alentejo Litoral (21,6%), Terras de Trás-os-Montes (17,6%), a Madeira (17,4%) e a Lezíria do Tejo (17,0%) registaram as maiores variações homólogas. Os territórios menos pressionados vão ganhando terreno, à medida que quem procura casa alarga o raio de pesquisa.

Nos grandes municípios. Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Guimarães teve a maior variação homóloga (20,7%), e Lisboa a maior renda mediana (17,79 €/m²). No caso de Lisboa, a subida foi de 5,1%, abaixo da nacional. Loures (13,03 €/m² e 16,1%), Amadora (14,03 €/m² e 10,3%) e o Funchal (14,49 €/m² e 17,0%) também se destacam.

Lisboa é a mais cara, mas já não é a que mais sobe

pagar rendas

A capital continua no topo em valor absoluto, mas o crescimento parece ter deslocado a pressão para a periferia e para outras cidades.

Quando os preços nos centros urbanos atingem o limite do orçamento de muitas famílias, a procura escoa para concelhos vizinhos, como Loures ou a Amadora, e para cidades como Guimarães.

O resultado é que a subida se espalha por quase todo o território, em vez de ficar concentrada nas duas áreas metropolitanas.

Preços a subir, número de contratos praticamente parado

O volume de negócio mostra outra face do mercado. Entre abril e junho foram celebrados 35.407 novos contratos, contra 35.266 no mesmo período de 2025, um aumento de apenas 0,4%.

Ou seja, as rendas subiram a dois dígitos sem que houvesse mais casas a mudar de mãos. Em 14 dos 24 grandes municípios o número de contratos diminuiu, com destaque para Matosinhos (-14,0%) e a Maia (-13,2%).

A Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto concentraram 45,1% dos novos contratos. 

Uma oferta que não acompanha a procura é, tradicionalmente, um dos motores da subida de preços.

O que pode fazer quem procura casa

Não há soluções mágicas, mas há formas de tornar a procura menos penosa:

  • Compare por euro por metro quadrado. Um anúncio mais barato pode sair mais caro se a área for pequena.
  • Alargue o mapa. Concelhos vizinhos e cidades médias com boa ligação de transportes podem oferecer melhor relação entre preço e espaço.
  • Some os custos totais. Condomínio, energia, água e transportes pesam no orçamento mensal, sobretudo em zonas mais afastadas.
  • Leia o contrato com atenção. Duração, condições de renovação e atualização da renda devem estar claras antes da assinatura.
  • Defina um limite. Uma referência muito usada é não gastar com a habitação mais de cerca de 30% do rendimento líquido do agregado, embora cada situação seja diferente.
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