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GUIA DO REGRESSO ÀS AULAS
Prático e Descomplicado
Afonso Aguiar
Afonso Aguiar
17 Ago, 2021 - 16:44

Reprogramar a centralina: sim ou não?

Afonso Aguiar

Andou a poupar para melhorar o seu carro e não sabe se deve ou não reprogramar a centralina? Descubra aqui se deve ou não fazê-lo e porquê.

Reprogramar a centralina

Para aqueles que gostam de transformar carros, tornando-os mais potentes, há uma questão incontornável que costuma ocorrer quando se está a desenvolver o início desse vício ou paixão: será que deve ou não reprogramar a centralina?

Não interessa verdadeiramente a razão. A realidade é que quer otimizar o seu carro e ou está a pensar em reprogramar a centralina, ou ouviu algum amigo dizer que essa alteração é essencial.

Se está em alguma destas categorias, ou se simplesmente quer saber mais, continue a ler e a descobrir em que é que consiste, quais as vantagens e desvantagens e, finalmente, se reprogramar a centralina é legal ou não.

Reprogramar a centralina: em que é que consiste?

A reprogramação da centralina, conhecida na linguagem corrente como “repro”, é um processo meramente eletrónico, efetuado por especialistas, que tem como objetivo alterar os parâmetros do computador do carro. Ou seja, todos os veículos têm uma espécie de computador, apelidado de ECU (Engine Control Unit em inglês).

O ECU tem como função gerir algumas das características essenciais da parte mecânica automóvel, como a duração de injeção, a pressão na régua injecão, a pressão do turbo, a posição geometria, a borboleta de admissão, o volume de gases recirculados (EGR), a mistura de ar com combustível (AFR), o tempo de ignição, o início da injeção, etc.

Recorrendo a um programa próprio, e descobrindo como está programado o ECU, consegue alterá-lo e adaptá-lo às suas necessidades. A reprogramação da centralina costuma ter um custo associado de 250 euros.

Vantagens

Normalmente, os apaixonados por automóveis optam por reprogramar a centralina essencialmente por duas razões.

O aumento da potência

Segundo especialistas, ao reprogramar a centralina consegue otimizar a potência máxima do seu veículo e ampliá-la em cerca de 30 %. Isso significa que se um carro tiver cerca de 100 cavalos, ao fazer este processo a potência vai aumentar para cerca de 130 cv.

Também a velocidade de ponta poderá sofrer alterações. Isso significa que poderá conduzir mais rápido cerca de 10 ou 15 km/h.

Pode ainda verificar-se uma diminuição dos consumos, uma vez que acaba por recorrer menos à caixa de velocidade e, ao mesmo tempo, pode programar todos os atos da combustão automóvel para estarem otimizados. Assim, acaba por consumir cerca de 0.5 a 1.5 litros a menos a cada 100 quilómetros.

É reversível

Além disso, se não estiver satisfeito com o resultado final pode fazer novamente uma reprogramação da centralina e restabelecer os parâmetros de fábrica.

mecânico a reprogramar a centralina

Desvantagens

Pode prejudicar algumas peças

Apesar de se dizer que uma repro prejudica várias peças automóveis, nomeadamente o turbo e a embraiagem (os quais correspondem a mais de 90% dos problemas relacionados com uma reprogramação da centralina), os casos costumam ser inferiores a 1%.

Ainda assim, é um facto que há um aumento de risco da saúde do seu automóvel, com especial incidência sobre os seguintes componentes:

Perda da garantia automóvel

Uma vez que altera o automóvel, vai perder qualquer direito sobre a garantia. Ao contrário dos Centros de Inspeção, as fabricantes e até os stands (caso tenha adquirido o veículo neste último) normalmente verificam minuciosamente se foram feitas alterações significativas ao seu carro, inclusive “repros”, de forma a assegurar que o acordo de garantia automóvel foi cumprido.

Obriga a aprovação

Embora não seja oficialmente ilegal em Portugal, todo o processo para legalizar qualquer transformação ao nível da motorização de um veículo deve ser aprovado pelo IMT (Instituto de Mobilidade e Transporte).

Ou seja, tem de submeter para avaliação todo um projeto estruturado, com um custo que varia entre os 50 e os 150 euros só pela análise, onde também deverá constar um certificado do próprio fabricante a atestar que a transformação não coloca em causa os níveis de segurança do veículo, assim como não prejudica o meio ambiente.

Por várias razões, as marcas nunca aceitam passar esse atestado. Quer seja porque o veículo foi projetado com essa potência de forma a cumprir com as normas europeias de diminuição de gases poluentes, ou simplesmente porque a possibilidade de reprogramar a centralina acaba por não compensar financeiramente às marcas. É que o cliente acaba por gastar cerca de 250 euros para aumentar a potência de um veículo e torná-lo idêntico a um outro cerca de 4.000 euros mais caro…

Ainda assim, apesar de ser praticamente impossível conseguir legalizar este processo, há muitas oficinas especializadas que têm fama de conseguir tornar a reprogramação da centralina indetetável nas inspeções periódicas.

Agora que já sabe em que é que consiste o reprogramar a centralina pode tomar uma decisão sobre se deve ou não fazê-lo e, acima de tudo, porque é que optou por essa escolha. Afinal, decisões que poderão pesar na carteira ou na segurança rodoviária devem ser sempre bem ponderadas.

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