Share the post "Vale a pena dar o carro à retoma na compra de um automóvel novo? Nem sempre é o melhor negócio"
Trocar de carro já representa uma despesa considerável. Entre o preço da nova viatura, o seguro, os custos de manutenção e, eventualmente, o crédito automóvel, cada euro conta. É aqui que entra a retoma.
Entregar o automóvel antigo ao concessionário e descontar o respetivo valor na compra do próximo é o primeiro impulso. Menos burocracia, menos preocupações e, aparentemente, um negócio resolvido de uma só vez. Mas será que dar o carro à retoma compensa realmente ou é preferível vendê-lo a um particular?
A resposta depende do valor oferecido, das condições de compra e, também, do tempo e da disponibilidade que o proprietário tem para tratar da venda. A solução mais cómoda nem sempre é a mais vantajosa financeiramente.
Como funciona a retoma de um carro?
O processo é relativamente simples. Quando pretende comprar um automóvel novo, o cliente entrega o seu veículo usado ao concessionário, que o avalia e apresenta uma proposta de compra.
O montante acordado é depois utilizado para abater ao preço do carro que pretende adquirir. Imagine-se um automóvel novo com um preço de 28.000 euros e uma proposta de retoma de 7.000 euros pelo veículo atual.
Em princípio, o valor a pagar pela nova viatura passa para 21.000 euros, antes de eventuais despesas adicionais e sem considerar outros descontos ou condições comerciais. A operação permite resolver duas questões de uma assentada: vender o carro antigo e adquirir outro.
Não é necessário publicar anúncios, responder a dezenas de mensagens, marcar encontros com desconhecidos ou negociar com alguém que, depois de uma longa conversa, decide que afinal vai pensar melhor no assunto.
Quanto vale o carro na retoma?

É aqui que o negócio começa a exigir alguma atenção. O concessionário não avalia apenas o preço pelo qual um automóvel semelhante aparece anunciado na Internet.
Tem em conta aquilo que poderá obter com a sua revenda, os custos de preparação da viatura e a margem comercial necessária para tornar a operação rentável.
A avaliação considera vários fatores: idade, quilometragem, estado mecânico, conservação da carroçaria e do habitáculo, histórico de manutenção, equipamento, motorização e procura no mercado de usados.
Um carro com revisões documentadas, poucos quilómetros e um historial conhecido poderá despertar mais interesse. Pelo contrário, uma viatura com danos na carroçaria, problemas mecânicos ou uma quilometragem elevada poderá receber uma proposta menos generosa.
Também importa perceber que o valor de retoma não é necessariamente igual ao preço de venda anunciado para um automóvel equivalente. O concessionário terá de preparar o veículo, assumir os riscos associados à revenda e encontrar um comprador.
Por isso, antes de aceitar a primeira proposta, vale a pena consultar os preços de automóveis semelhantes e pedir avaliações a mais do que um profissional.
Os anúncios servem como referência, embora não garantam que os carros sejam efetivamente vendidos pelos valores pedidos.
As vantagens de entregar o carro ao concessionário
A principal vantagem da retoma é a conveniência. E não é um pormenor insignificante.
Quem vende um carro a título particular tem de preparar o anúncio, reunir fotografias, responder a contactos, receber potenciais compradores e negociar o preço.
Depois, ainda precisa de assegurar que o pagamento e a transferência de propriedade ficam devidamente tratados.
Na retoma, grande parte deste trabalho desaparece. A avaliação é feita pelo concessionário e a entrega do automóvel antigo pode coincidir com a receção do novo, evitando ficar sem carro durante vários dias ou manter duas viaturas em simultâneo. E existem outras vantagens a considerar:
- Menos tempo perdido: o processo de venda é integrado na compra do novo automóvel.
- Maior simplicidade: o cliente evita gerir contactos, visitas e negociações com vários compradores.
- Menos exposição a situações de risco: a operação é realizada com um profissional, embora seja sempre necessário confirmar a documentação e as condições contratuais.
- Possibilidade de aproveitar campanhas: algumas marcas e concessionários oferecem condições especiais de retoma, que podem melhorar a proposta global.
Esta última hipótese merece particular atenção. Um concessionário pode apresentar um valor de retoma mais elevado durante uma campanha, mas isso não significa automaticamente que o negócio seja melhor.
O desconto no carro novo, o preço final e as condições de financiamento também entram na equação.
Vender a um particular pode render mais?

Em muitos casos, sim. Ao vender diretamente a outro condutor, o proprietário pode conseguir um preço superior ao oferecido pelo concessionário, sobretudo se o automóvel estiver em bom estado e tiver procura no mercado de usados.
A diferença, porém, não deve ser avaliada apenas pelo valor anunciado. Uma venda particular pode exigir pequenas reparações, limpeza, preparação do anúncio e várias deslocações. Também pode demorar semanas, dependendo do modelo, do preço e da procura.
Imagine-se que o concessionário oferece 6.500 euros pelo carro, enquanto o proprietário acredita conseguir vendê-lo por 8.000 euros a um particular. A diferença potencial é de 1.500 euros. Parece interessante e pode mesmo ser.
Contudo, se a venda exigir despesas adicionais ou uma redução do preço durante a negociação, a vantagem diminui. O tempo também tem valor, sobretudo quando é necessário comprar o novo automóvel dentro de um prazo definido.
A comparação deve, portanto, ser feita entre o valor líquido que se espera receber numa venda particular e o montante efetivamente oferecido na retoma.
Atenção aos créditos e às campanhas de retoma
Se o automóvel atual ainda estiver associado a um crédito, é fundamental esclarecer a situação antes de avançar. O valor de retoma não corresponde necessariamente ao dinheiro que ficará disponível para utilizar na nova compra.
Por exemplo, se o concessionário oferecer 9.000 euros pelo carro, mas ainda existir um montante de 5.000 euros por liquidar junto da financeira, será necessário perceber como se processa a liquidação e qual o valor que sobra depois de regularizada a dívida. As condições dependem do contrato e da operação acordada.
Nas campanhas promocionais, a cautela deve ser semelhante. Uma oferta de retoma aparentemente generosa pode estar associada à aquisição de determinada versão, à contratação de financiamento ou a outras condições comerciais.
O mais sensato é pedir uma proposta discriminada, com o preço do automóvel novo, os descontos aplicados, o valor da retoma e os custos adicionais.
Se existir financiamento, convém analisar também o montante total imputado ao consumidor, em vez de olhar apenas para a prestação mensal.
Que documentos e cuidados são necessários?

Antes de entregar o automóvel, confirme quais os documentos exigidos pelo concessionário e reúna o Documento Único Automóvel, os elementos relativos à manutenção e as restantes informações necessárias à identificação da viatura.
Se existirem danos, avarias ou intervenções relevantes, a informação deve ser comunicada com transparência. Além de facilitar a avaliação, evita discussões posteriores sobre o estado do carro.
É igualmente importante confirmar que a transferência de propriedade fica devidamente formalizada.
De acordo com o portal gov.pt, o registo da mudança de proprietário deve ser efetuado no prazo legal de 60 dias após a venda. Guarde os documentos que comprovem a operação e confirme que o processo ficou concluído.