Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
15 Mai, 2019 - 14:01
Safira, a preciosa aldeia abandonada no Alentejo

Safira, a preciosa aldeia abandonada no Alentejo

Mónica Carvalho

O progresso foi fatal para uma jóia do Alentejo, agora perdida e abandonada. Trata-se da aldeia de Safira, em Montemor-o-Novo, e merece uma visita.

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Desabitada desde 1930, da aldeia de Safira, no concelho de Montemor-o-Novo, apenas restam destroços e vestígios de um local outrora próspero e cheio de vida. Atualmente, Safira é mais um pedaço que terra quase perdido e esquecido no meio de um vasto Alentejo e uma aldeia totalmente abandonada desde 1965.

Tal terá acontecido, defendem os historiadores, pela necessidade de procurar melhores condições de vida e novas oportunidades de futuro. Afinal, é um local bastante isolado e do qual, hoje, apenas restam escombros e ruínas de algumas casas, igreja, lago e cemitério.
Se gostaria de visitar o que ainda resta da aldeia de Safira, saiba que ainda existe uma placa toponímica bem visível na EN4. Se a seguir, irá passar por uma estrada alcatroada sendo, posteriormente, acolhido pelos destroços que teimam em erguer-se para dar as boas-vindas aos resistentes.

na qual cortando-se para a esquerda se passa a circular num alcatroado sofrível que termina precisamente na aldeia, onde se é “acolhido” pelos destroços do que foi a antiga taberna e de umas habitações.

A história de Safira


A falta de infraestruturas, ligações a outros pontos mais urbanos e faltas de oportunidades de emprego são apontadas como as principais causas para que este local tenha sido vetado ao abandono, nada restando mais do que pedras e escombros, deixando apenas para a imaginação o que poderia ter sido antes.

No ano 1768, o Padre Thomás de Vasconcelos Camello, enquanto pároco da igreja de Nossa Senhora de Safira referia que aquela freguesia tinha “57 propriedades, e nelas se incluem 120 fogos onde residem 578 pessoas. No alto de uma charneca estão edificadas a igreja e as casas do padre e do sacristão”. Palavras que podem ser lidas num documento histórico, onde também se refere a prática de atividade religiosa local, a existência de um templo e suas alfaias, a atividade agrícola e de pastorícia e até os estragos registados em Safira decorrentes do terramoto de 1755 (“uma racha no arco da Capela-mor, outra na parede lateral direita e alguns prejuízos no campanário e no sino”).
Existem também indícios da existência de uma fábrica de cal e ainda de uma mina de arsénio, na Herdade da Gouveia de Baixo, e outra mina de cobre e ferro, na Herdade da Caeira.

Progresso fatal

Este pequeno relato transmite a ideia de uma aldeia singela e modesta, mas que não resistiu ao evoluir dos tempos, pelo menos no que à vivência humana diz respeito. Já que a natureza domou por completo o local, sendo invejáveis as quantidades de pássaros e flores que por lá abundam.

Safira foi também zona de título de nobreza, nomeadamente para Augusto Dâmaso Miguens da Silva Ramalho da Costa, um grande proprietário em Montemor-o-Novo, onde exerceu também o cargo de Presidente da Câmara local. Augusto recebeu o título de Visconde, por decreto do Rei D. Luís em 30 de abril de 1886 e, posteriormente, foi ainda elevado a Conde. O nobre faleceu a 3 de fevereiro de 1945, não tendo nunca mais existido este título.

Igreja de Safira: o antigo ex libris

Safira

A igreja de Nossa Senhora da Natividade de Safira, na aldeia de Santa Maria de Safira, pertence à freguesia das Silveiras, e encontra-se, tal como acontece com o resto da aldeia, não só abandonada, como também parcialmente destruída. Restam a fachada e as paredes de um edifício mandado construir no bispado do Infante Cardeal D. Afonso, no séc. XVI, filho de D. Manuel I e Bispo de Évora e de Lisboa.

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Foi muita afetada após o terramoto de 1775, o que parece ter sido o início da decadência da região, algo que se verificou em meados do séc. XX.

O que visitar em Montemor-o-Novo

Uma vez no Alentejo, mais concretamente em Montemor-o-Novo, há uma série de locais que podem, e devem, merecer uma visita. Desde o logo o Castelo, construído muito provavelmente sob as ruínas de um povoado muçulmano e que serviu de defesa ao longo dos séculos, designadamente na Guerra da Restauração, contra Castela, e para no combate às invasões francesas.

O Museu de Arqueologia, no Convento de São Domingos, a Igreja Matriz, o Chafariz de Nossa Senhora da Conceição ou as Grutas do Escoural, com as suas pinturas rupestres, são outros pontos de interesse deste concelho alentejano.

Ali relativamente perto, tem ainda a possibilidade de se deliciar nas águas da albufeira da Barragem do Pego do Altar.

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