Márcio Matos
Márcio Matos
05 Set, 2019 - 03:55
Santa Susana: uma aldeia donzela em Alcácer do Sal

Santa Susana: uma aldeia donzela em Alcácer do Sal

Márcio Matos

Santa Susana é uma aldeia pequena, mas cheia de encanto. É daqueles locais que irá permanecer na sua memória por muito tempo e pelas melhores razões.

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O Alentejo é uma região de Portugal que oferece grandes paisagens e possui pedaços de terra incríveis. Para quem gosta de gozar com tranquilidade e com qualidade os seus períodos de férias, nada como dedicar parte desses dias de descanso a visitar a aldeia de Santa Susana.

Localizada em Alcácer do Sal, esta é mais uma aldeia portuguesa a enfrentar o problema do despovoamento, mas ainda assim repleta de encantos e pontos de interesse como o Tubthen Puntsok Gephel Ling, um retiro de budistas tibetanos, situado a apenas 5 kms da aldeia.

Santa Susana: um recanto alentejano que vale a pena descobrir

alcácer do sal

Esqueça o stress do dia a dia, tão frequente nas grandes cidades. Estar em Santa Susana é partilhar meia dúzia de ruas (literalmente) com cerca de 200 habitantes e onde o comércio está próximo de ser nulo (os bens essenciais são adquiridos em Alcácer do Sal).

No entanto, Santa Susana possui muitos encantos, nomeadamente a sua arquitetura rural e tradicional. A aldeia está localizada a apenas 1h30 da capital e merece e muito uma visita. É uma aldeia tradicional alentejana, um símbolo para a região e, além de bem conservada, ela possui uma beleza muito particular, original e encantadora.

História

A propriedade dos primos Henrique Fernandes e Manuel Louro foi o local indicado para alojar os diversos trabalhadores agrícolas que, na década de 50 do século passado, se deslocaram até ao Alentejo para trabalhar. Mais tarde, as suas famílias foram-se formando uma comunidade e, com isso, este espaço prosperou até ser tornar numa aldeia, a aldeia de Santa Susana.

Caraterísticas

Em Santa Susana, poderá contemplar diversas casas, todas parecidas, com chaminés idênticas e com portas que possuem as iniciais dos primos proprietários, assim como a data de construção das habitações.

Cada casa partilha das mesmas caraterísticas que as restantes. Elas são pintadas a cada dois anos pelos moradores da aldeia. Mesmo as casas não habitadas são pintadas para valorizar e preservar a beleza desta aldeia tão peculiar. A cor azul da barra das portas e das janelas contrasta com a brancura das paredes.

O que ver

Além das casas em plena harmonia, pode admirar alguns monumentos como: o cruzeiro (património cultural, com a cruz realizada em granito); a Igreja Matriz (que conta com mais de 500 anos e está edificada em estilo barroco); no mesmo estilo, há ainda uma ponte submersa do século XVIII. Também pode dedicar parte do seu dia a visitar o Teatro Comunitário, ou o “teatrinho”, como é tratado carinhosamente pelos locais.

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Comer, beber e dormir

Como seria de esperar, num espaço tão pequeno e despovoado, a oferta de locais para comer é quase nula. Contudo, há dois sítios, onde pode realizar as suas refeições. Em ambos, o menu é semelhante.

O Coelho destaca-se por ser o único espaço de alojamento da aldeia. Além disso, serve como especialidades da casa o arroz de cabidela e as enguias fritas. Já o Mondina tem como prato da casa o coelho frito com migas à alentejana.

barragem santa susana

Atualidade

A realidade é que, atualmente, esta aldeia conta com uma população já muito envelhecida. Assim, se não atrair jovens, este espaço acabará por se perder. O facto de estar isolada e não ter oportunidades de emprego afasta os mais novos e faz com que a localidade vá perdendo os seus habitantes.

Certo é que muitos dos que passam uns dias de toalha estendida e a apanhar sol nas praias do Carvalhal e da Comporta não resistem a visitar esta maravilhosa aldeia. Contudo, essa presença turística só se faz sentir no verão e urge pensar o que será de Santa Susana, daqui a três ou quatro décadas…

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