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Elsa Santos
Elsa Santos
06 Jan, 2021 - 17:05

Segundo emprego em tempos de pandemia: mudanças e sugestões

Elsa Santos

Ter um segundo emprego é algo comum para muitos portugueses. No entanto, a pandemia veio mudar esta realidade. Perceba porquê.

funcionária de loja de roupa a trabalhar no seu segundo emprego

Ter um segundo emprego é um salva-vidas para muitas pessoas, na maioria dos casos por falta de um trabalho a tempo inteiro e/ou salários baixos. Há também quem queira fazer algo diferente da atividade principal, ou que procure um rendimento extra ao fim do mês com o objetivo de alcançar uma vida melhor.

De uma maneira ou de outra, a pandemia da COVID-19 veio mudar este cenário. As atividades secundárias sofreram uma redução abrupta. A explicação estará no facto de muitos serem contratos precários e ligados à atividade turística ou que implicam contacto físico.

Também o confinamento e as significativas quebras no volume de negócios de muitas empresas justificará esta mudança.

Saiba mais sobre a atual realidade do segundo emprego em Portugal.

Segundo emprego: o que mudou com a pandemia?

O número de portugueses com o segundo emprego registou, em 2020, uma queda sem precedentes, nem mesmo vista durante o período da Troika.

No primeiro trimestre de 2011, registava-se o valor mais elevado de trabalhadores com mais do que um emprego, já em plena crise financeira que levou à intervenção do FMI, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu.

No referido período, mais de 253 mil pessoas tinham um segundo emprego, definido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) como “atividade exercida pelo indivíduo, para além da atividade principal”. Um valor que correspondia a 5,3% da população empregada.

Desde então que não se atinge um valor tão elevado, tendo atingido a percentagem mais baixa no segundo trimestre de 2020, em plena pandemia.

De acordo com dados dos INE, entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, registou-se uma queda de quase 30%, representando mais de 62 mil pessoas que ficaram sem uma segunda fonte de rendimento.

No primeiro trimestre no qual já se sentiu algum impacto a partir de meados do mês de março, 216,4 mil pessoas tinham um segundo emprego, representando 4,4% do total da população empregada. O valor desceu para 154,3 mil portugueses no trimestre seguinte, correspondendo a um total de 3,3% dos trabalhadores.

Números nunca registados desde 2011, nem mesmo durante o programa de ajustamento económico e financeiro.

Pandemia acaba com segundo emprego

Durante o trimestre que contou com o confinamento e o Estado de Emergência, o PIB (Produto Interno Bruto) sofreu uma queda histórica, com uma contração de 16,5% em comparação com o segundo trimestre de 2019. Comparando com o primeiro trimestre de 2020, a quebra foi de 14,1%.

No terceiro trimestre, a atividade económica disparou 13,2% face aos três meses anteriores, mas manteve uma queda homóloga de 5,8%.

No que toca ao segundo emprego ainda não houve recuperação total. Os dados do emprego do gabinete de estatística mostram que, apesar de alguma retoma no número de pessoas com mais do que um emprego, o valor do terceiro trimestre está 15% abaixo do período anterior ao confinamento.

Motivos

Segundo especialistas, a explicação parece simples.

Com a quebra da procura, os primeiros postos de trabalho que tendem a terminar são os de vínculo precário, mais baratos de eliminar e os primeiros serem dispensados quando reduz a quantidade necessária de mão-de-obra por parte das entidades empregadoras.

Normalmente, os segundos empregos têm este tipo de vínculo, sendo por esse motivo os primeiros a demonstrar quebra. Falamos, essencialmente de trabalhadores por conta de outrém, ainda que não só.

Mas também o tipo de atividade explica esta redução. O turismo, pela sua natureza sazonal, emprega muitas pessoas em part-time. Por exemplo, no transporte ou na restauração.

Atividades necessariamente presenciais de contacto com pessoas e que não permitem o teletrabalho podem, igualmente, reduzir o numero de trabalhadores. Há, ainda, outras atividades exercidos como “extra” que por não serem consideradas essenciais em tempos de distanciamento social são dispensados pelos seus contratantes, nomeadamente serviços domésticos.

Rendimentos extra no confinamento

Ainda que muitos portugueses tenham visto a sua vida profissional mudar de forma dramática com a pandemia da COVID-19 que afetou grande parte dos segundos empregos, mas também os principais, houve quem visse no confinamento uma oportunidade de colmatar, ou minimizar, a quebra de rendimentos com uma atividade extra.

A titulo individual, houve quem passasse a fazer e vender pão, quem se tivesse dedicado à costura e outros trabalhos manuais ou artísticos e os vendesse online através das redes sociais.

mulher sentada no chão encostada ao sofá a trabalhar no computador
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Segundo emprego: sugestões e benefícios

Para quem procura um segundo emprego, há que ter em conta algumas dicas que o podem ajudar.

Antes de mais, é importante que decida o que pretende fazer. Para começar, deve (re)ver o seu CV e depois, procurar ofertas dentro da(s) área(s). Pode inscrever-se em agências de emprego ou candidatar-se diretamente.

Se a sua intenção for um segundo emprego a tempo parcial, sem horário e a distância, é mais fácil, sobretudo se está em regime de teletrabalho.

Lembre-se que:

  • Não deve nunca trabalhar para empresas concorrentes nem divulgar informações da sua atividade principal ou fazer algo que possa prejudicar a primeira entidade patronal;
  • Não deve comprometer o trabalho a realizar dentro do horário laboral referentes ao primeiro emprego;
  • Se tiver duvidas quanto ao tipo de relação contratual ou limites legais ou fiscais relacionados com um segundo emprego, informe-se junto das entidades competentes, como as Finanças, a Segurança Social, o IEFP ou a ACT.

3 Benefícios não-monetários de um segundo emprego

Ter um segundo emprego não lhe dá só mais dinheiro ao final do mês. Há outros benefícios igualmente importantes:

Maior rede de contactos/oportunidades de emprego

Quanto maior for sua rede de contactos, mais oportunidades de emprego tem. Ou seja, quanto mais pessoas conhecer (colegas, chefes e até clientes), maiores são as probabilidades de encontrar alguém que o encaminhe para o emprego dos seus sonhos.

Testar um novo emprego, sem deixar o que tem

Se ainda está hesitante em mudar de carreira, porque não sabe se consegue algo de que mais goste, um segundo emprego pode ser a solução.

Assim, pode testar e perceber se vale ou não a pena a mudança. Mantém o seu trabalho principal e procura um segundo a tempo parcial ou em regime de freelancer noutra área que mais gosta.

Dessa forma, ganha experiência, o que também é importante para o caso de decidir apostar em dar um outro rumo à sua vida profissional. Por vezes, a ideia de se tem de determinado trabalho muda quando se experimenta. Se não gostar, não perde nada.

Melhorar habilidades

Se não consegue encontrar um emprego em tempo integral na sua área de eleição, deve, pelo menos, escolher um trabalho que lhe permita desenvolver habilidades importantes.

Se, por exemplo, pretende trabalhar como designer, arranje um segundo emprego a fazer impressão de t-shirts e não a servir hambúrgueres. Trata-se apenas de trabalhar habilidades semelhantes e vão fazer diferença no currículo.

Perigos de um segundo emprego

Ter um segundo emprego não tem só vantagens, sobretudo para quem tem família. Requer mais tempo, mais disponibilidade física e mental. Gerir tudo, pode não ser fácil e pode mesmo conduzi-lo à exaustão. Manter o equilíbrio é importante.

Se vir que não consegue ou que esta não é a melhor altura, pela situação atual, adie a decisão ou escolha uma segunda atividade que não lhe ocupe muitas horas por semana.

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