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Teresa Campos
Teresa Campos
24 Out, 2019 - 12:09

Terapia da fala: atacar cedo problemas de comunicação

Teresa Campos

A terapia da fala não se destina apenas a quem tem problemas de dicção ou gaguez, por exemplo. Fique a saber melhor quais as finalidades desta terapêutica.

Sessão de terapia da fala

Vocabulário reduzido para a idade, troca de sons, gaguez ou dificuldade em perceber o que lhe é dito são alguns sinais de alerta e que podem indicar que é necessária a terapia da fala.

A terapia da fala desenvolve um conjunto de atividades e procedimentos que servem de prevenção, avaliação e tratamento das perturbações da comunicação, seja no que diz respeito à compreensão e expressão da linguagem oral e escrita, seja noutras formas de comunicação não-verbal.

Especialmente para quem tem crianças, mas não só, a terapia da fala pode ser um recurso muito útil e capaz de solucionar vários problemas.

Terapia da fala: porquê e para quem

Terapeuta da fala ensina criança

Antes de esmiuçarmos qual pode ser o seu público alvo, é importante perceber em que consiste a terapia da fala.

Segundo o Royal College of Speech and Language Therapists, esta terapia tem como objetivo “tratar, apoiar e prestar cuidados de vida a crianças e adultos que tenham dificuldades em comunicar, comer, beber ou engolir”.

Naturalmente que esta intervenção é principalmente importante nas crianças, já que pode prevenir problemas capazes de comprometerem a aprendizagem.

Sinais de alerta desde o início

Quando um bebé é pouco reativo a sons a outros estímulos, então este é um sinal de alerta ao qual deve estar atento. Tendo em conta a idade da criança, deve prestar particular cuidado com as seguintes manifestações:

0 meses a 1 ano: não reconhece a voz da mãe; aos 6 meses, não repete sons ou balbucia; com 1 ano, não diz “pai”, nem “mãe”, nem reconhece algumas palavras; não reage a sons; não sorri; não estabelece contacto ocular.

6 aos 12 meses: não faz gestos, como apontar ou acenar; não emite sons repetitivos (como “mamama” ou “bababa”); não reage ao chamamento pelo seu nome; não reage a sons familiares.

12 aos 18 meses: prefere os gestos às vocalizações para comunicar e tem dificuldade em imitar sons e em perceber ordens simples; não brinca; não produz monossílabos; não reage ao interlocutor.

18 aos 24 meses: não compreende instruções simples; apresenta um vocabulário reduzido (entre 4 a 6 palavras); não diz palavras simples.

2 a 3 anos: não questiona; não vocaliza e apenas aponta para aquilo que pretende; não diz, pelo menos, 50 palavras e não reconhece o nome de vários objetos; não nomeia partes do corpo (como braços e pernas); apenas imita palavras ou ações; não diz frases ou palavras espontaneamente e usa apenas alguns sons e palavras de forma repetida; não consegue comunicar mais do que as suas necessidades imediatas, não segue ordens simples ou não tem uma voz normal (ou é muito rouca, ou muito anasalada).

A caminho da idade escolar

3 a 4 anos: não utiliza o plural das palavras; não consegue seguir duas instruções simples; padrão de fala pouco inteligível; não produz frases simples; utiliza frequentemente palavras como “isto” ou “coisa”, em vez da nomeação correta do objeto.

4 aos 5 anos: omite e/ou troca sons nas palavras; tem dificuldade em iniciar ou repetir uma palavra, parecendo gaguejar; não diz frases longas ou não consegue descrever um evento; apresenta dificuldade para contar uma história e/ou para descrever acontecimentos simples, da rotina diária; não consegue cumprir duas instruções simples; não fala ou não responde a questões relacionadas com o “ontem” ou o “amanhã”.

5 aos 6 anos: mantém alterações na articulação correta das palavras; utiliza frases mal estruturadas; tem um discurso incoerente, desorganizado e desadequado; apresenta dificuldade em manter e explorar um determinado tópico de conversa, com princípio, meio e fim; não consegue dividir as palavras em sílabas e as sílabas em fonemas; revela dificuldade em discriminar os sons da fala, ou seja, quando ouve “bota” e “mota”, a criança não identifica diferenças nas palavras; não consegue manter uma conversa.

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Outros destinatários que podem beneficiar da terapia da fala

A terapia da fala pode, ainda, ser útil a pessoas que:

  • tenham dificuldade nas aprendizagens escolares;
  • apresentem dificuldades ou atraso no seu desenvolvimento;
  • estejam sempre roucas;
  • tenham uma profissão que desgasta a voz;
  • não conseguem dizer alguns sons da fala;
  • gaguejem;
  • tenham dificuldade em fazer-se entender ou em compreender o que os outros lhe dizem;
  • apresentem dificuldades em comunicar;
  • tenham dificuldade em mastigar ou em engolir os alimentos.

Perturbações mais frequentes

  • Atraso no desenvolvimento da linguagem
  • Perturbação específica do desenvolvimento da linguagem
  • Perturbações da leitura e da escrita (dislexia, disgrafia, disortografia)
  • Perturbações adquiridas da linguagem (afasia, disfasia, discalculia)
  • Perturbações articulatórias (sigmatismo)
  • Perturbações motoras da fala (disartrias, disfonia, desfemia ou gaguez)

terapia da fala: Diagnóstico

Criança em sessão de terapia da fala

Se suspeita que sofre ou que alguém próximo de si pode ter um problema de fala, então deve procurar a avaliação de um terapeuta. Este analisará, entre outros aspetos, os seguintes itens:

  • Linguagem recetiva (o que percebe)
  • Linguagem expressiva (o que diz)
  • Se tenta comunicar de outras formas (gestos, apontar, etc)
  • Desenvolvimento do som
  • Clareza do discurso
  • Capacidade motora da boca

O que fazer

Além da terapia da fala, é importante que os pais e educadores acompanhem a criança e a ajudem a ultrapassar as suas dificuldades. Algumas estratégias possíveis são:

  • Comunicar muito com a criança, falando, cantando e encorajando-a a imitar sons e gestos;
  • Ler para a criança, adaptando os livros à idade com imagens que as incentivem verbalizar os nomes das figuras;
  • Reforçar o discurso e a linguagem no dia-a-dia, dizendo por exemplo o nome dos alimentos nas ida ao supermercado ou explicando o que se está a fazer enquanto se cozinha;
  • Fazer perguntas à criança e estimular um discurso simples (sem recorrer à dita “fala de bebé”).
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