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João Parreira
João Parreira
18 Out, 2017 - 10:20

Saiba o valor da Bitcoin, a rainha das moedas virtuais

João Parreira

O valor da Bitcoin é alvo de ampla discussão. Se, por um lado, tem atraído muitos seguidores, por outro, ainda é pouco aceite como meio de pagamento.

Saiba o valor da Bitcoin, a rainha das moedas virtuais

A definição do valor da Bitcoin é complexa, uma vez que muitos analistas cambiais têm sentido dificuldades em avaliar o padrão de câmbio da moeda, uma vez que os métodos tradicionais de avaliação têm pouca aplicabilidade.

Para muitos, a Bitcoin é dificilmente considerada como unidade de conta, devido à sua volatidade. E isso torna difícil o apuramento do seu verdadeiro valor.

Começando por definir Bitcoin, esta é uma moeda virtual baseada no sistema peer-to-peer (P2P). Tal significa que não existe uma autoridade centralizada que controle a sua emissão e transações.

Este predicado é totalmente diferente do que acontece com as moedas convencionais, em que os Bancos Centrais controlam a sua emissão e têm poder para influenciar o seu valor cambial. A sua criação deu-se em 2009, por um ou vários programadores auto-denominados Satoshi Nakamoto.

A criação de Bitcoin, bem como as suas transferências, ocorrem de acordo com uma rede de código aberto em protocolos cifrados que formam a base de segurança desta moeda, fazendo com que as suas transações sejam instantâneas entre os utilizadores.

Valor da Bitcoin: como entrar no mercado

Obter uma carteira

Em primeiro lugar, é preciso instalar uma carteira no computador ou telemóvel, que pode ser conseguida através de software oficial ou encontrada em alguns sites online.

Obter Bitcoins

As Bitcoins podem ser obtidas de três formas:

  • Aceitar receber pagamentos em Bitcoin;
  • Comprar em sites online, por troca com outras moedas;
  • Através do designado processo de mining.

Este processo de mining consiste em processar e verificar transações. Todos os detentores de carteiras podem desempenhar o papel de “mineiros”, tendo de colocar os seus computadores a trabalhar para melhorar o sistema da Bitcoin, através do processamento de informação matemática. Por cada quantidade de informação processada, haverá uma compensação estabelecida em Bitcoins.

À medida que este processo de mining foi evoluindo, foi-se tornando mais complexo, exigindo hardwares e softwares mais sofisticados, motivado pelo processo de competição entre os vários competidores. A dificuldade do processo de mining foi sendo ajustada, devido ao objetivo de que o crescimento da moeda esteja limitado a um máximo de 21 milhões de unidades até 2140.

Transações

Estas correspondem a transferências de valor entre carteiras Bitcoin. Cada carteira tem associada uma chave privada que funciona como uma “assinatura” da transação, permitindo identifcar o detentor da carteira e prevenindo alterações subsequentes por parte de outros utilizadores. Estas transações começam, cerca de 10 minutos após a sua emissão, a ser confirmadas com recurso ao processo de mining.

As transações não têm, normalmente, custos associados, podendo, no entanto, haver lugar a pagamento de pequenas taxas para tornar o processo mais rápido. Tal acontece uma vez que, no processo de mining, é dada prioridade às transações que pagam taxas que são mais compensadoras.

Saldos

Uma vez validada, a transação é incluída na cadeia de blocos, que não é mais do que um registo público de todas as transações efetuadas com Bitcoin. Isto permite que as carteiras de Bitcoin possam calcular o seu saldo disponível e confirmar que as Bitcoins são mesmo propriedade de quem os está a transferir.

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Valor da Bitcoin: considerações

Como qualquer moeda, o seu valor cambial é determinado pela atuação das forças da oferta e da procura. No entanto, existe alguma controvérsia quanto ao facto de a Bitcoin ter todos os predicados de uma moeda.

Se, por um lado, a sua transmissão e emissão obedecem a um processo complexo de autenticação, tornando difícil de ser falsificada, por outro, a unidade de conta e a aceitação generalizada como meio pagamento não são claras. A primeira deriva da sua elevada volatilidade e a segunda do facto de haver muitos agentes económicos que ainda não aceitam pagamentos nesta moeda. Além disso, não existem leis que regulem as transações.

O Japão tem sido pioneiro no tratamento desta questão, tendo aprovado em abril o Virtual Currency Act, que reconhece as criptomoedas como ativos que podem realizar pagamentos e que os rendimentos daí resultantes possam ser tributados.

A Rússia, por seu lado, já tentou processar criminalmente quem usasse, mas optou por legalizar em 2018 as moedas virtuais. No seio da União Europeia, ainda se regista um debate sobre a forma como lidar com esta questão.

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