Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
03 Ago, 2026 - 09:00

Uma pausa de 15 minutos ou uma multa de 2.500 euros: a escolha é sua

Cláudia Pereira

Uma pausa custa zero. Uma multa por excesso de velocidade, álcool ou telemóvel pode custar até 2.500 euros. Veja quanto custam os erros ao volante este verão.

Uma pausa de 15 minutos não custa nada. Mas continuar a conduzir cansado, acima do limite de velocidade ou depois de beber pode custar até 2.500 euros só numa multa. É esta a contraposição que a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) coloca aos condutores portugueses com a campanha “Não há desculpas que cheguem”, lançada a 31 de julho e que decorre até 6 de setembro, mobilizando mais de 300 parceiros em todo o país.

O alvo são quatro hábitos concretos: conduzir cansado, exceder a velocidade, usar o telemóvel ao volante e conduzir depois de beber álcool. Para a ANSR, são comportamentos que os condutores tendem a “justificar” nas longas viagens de férias, mas que podem ter consequências irreversíveis.

Há, no entanto, uma consequência bem menos dramática mas muito mais frequente: as multas de trânsito. E o valor de cada erro ao volante costuma surpreender quem nunca fez as contas.

Hábitos que se pretende combater

Quanto custa o excesso de velocidade

A coima por excesso de velocidade varia entre 60 euros e 2.500 euros, consoante a diferença face ao limite e o local da infração. Dentro de localidades, exceder o limite em mais de 20 km/h já é considerado contraordenação grave; fora de localidades, o valor sobe consoante o excesso registado, podendo aproximar-se do teto máximo em zonas de maior risco, como perto de escolas ou em zonas de coexistência com peões.

A perda de pontos acompanha a gravidade: 2 pontos nas infrações graves, podendo chegar a 4 pontos nas mais graves. A multa é só a parte visível da conta, junta-se a inibição de conduzir em casos mais sérios, o que pode significar dias sem carro para ir trabalhar e, para quem depende do veículo profissionalmente, uma perda de rendimento real.

Há ainda um detalhe que poucos condutores consideram: o condutor tem 15 dias úteis após a notificação para pagar voluntariamente a coima pelo valor mínimo, sem custas processuais. Ultrapassado esse prazo, o processo segue para julgamento e o valor final pode subir.

Faça as contas antes de acelerar: nos 300 km entre Lisboa e Porto, poupar 15 minutos a mais de velocidade pode custar centenas de euros se houver fiscalização, muito mais do que o combustível que essa antecipação chega a poupar.

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O preço de conduzir depois de beber

A condução sob efeito de álcool tem uma moldura legal de coimas em três patamares. Entre 0,5 e 0,8 g/l, a infração é grave: coima entre 250 e 1.250 euros e perda de 3 pontos. Entre 0,8 e 1,2 g/l, passa a muito grave: coima entre 500 e 2.500 euros, perda de 5 pontos e inibição de conduzir obrigatória. Acima de 1,2 g/l, deixa de ser contraordenação e passa a crime, com pena de prisão até 1 ano ou multa penal e perda de 6 pontos.

Além da multa, há a inibição de conduzir, que pode ir de 1 a 12 meses nos casos graves e chegar aos 3 anos em caso de crime. Quem depende do carro para trabalhar sente este custo todos os dias em que fica sem carta.

Nos primeiros nove meses de 2025, a condução sob efeito de álcool foi a segunda infração mais cometida em Portugal, com um crescimento de 7,7% face ao ano anterior, segundo dados do setor automóvel baseados em números da ANSR, o que ajuda a perceber porque é que este é um dos quatro comportamentos visados pela campanha de verão.

Usar o telemóvel ao volante também sai caro

A utilização do telemóvel durante a condução está prevista no artigo 84.º do Código da Estrada e foi agravada em 2020: a coima subiu para 250 a 1.250 euros, com perda de 3 pontos na carta. É uma infração fácil de cometer e fácil de fiscalizar, já que basta a autoridade observar o condutor com o telemóvel na mão.

Esta é, de resto, uma das infrações que mais tem crescido: no primeiro trimestre de 2025, o uso do telemóvel ao volante registou o maior aumento entre as principais infrações rodoviárias em Portugal.

Se isto se aplica ao seu caso, vale a pena rever hábitos: um suporte para o telemóvel no carro custa poucos euros e evita uma multa que pode ultrapassar o salário mínimo mensal.

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Como estes comportamentos pesam no seguro automóvel

Um sinistro causado por excesso de velocidade, álcool ou distração ao telemóvel conta para o histórico do condutor junto da seguradora. Na renovação da apólice, esse histórico pode traduzir-se num agravamento do prémio, sobretudo se houver participação de sinistro com culpa atribuída.

Há ainda um pormenor desconhecido: em caso de acidente com taxa de álcool acima do limite legal, a seguradora pode acionar o direito de regresso, previsto no artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 291/2007. Na prática, paga a indemnização a terceiros, mas depois reclama esse valor ao condutor, que pode chegar a dezenas de milhares de euros, dependendo dos danos. Vale sempre a pena confirmar esta cláusula na apólice do seguro automóvel.

Fazer uma pausa custa menos do que uma multa

Uma pausa de 15 minutos a cada duas horas não tem custo nenhum. As multas de trânsito por excesso de velocidade, álcool ou telemóvel podem significar centenas ou milhares de euros de uma só vez, sem contar com o agravamento do seguro no ano seguinte. Antes de arrancar para a próxima viagem, planeie pausas e confirme se a apólice do seguro cobre os cenários mais graves. É a forma mais barata de chegar ao destino.

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Fontes

Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. (2026). Sistema da carta por pontos. https://ansr.pt/comunicacao/noticias/sistema-da-carta-por-pontos

Caetano. (2026, abril 29). Tabela de multas de trânsito em Portugal 2026. https://caetano.pt/blog/tipos-multas-de-transito/

Caetano. (2026, fevereiro 25). Taxa de álcool no sangue: tabela e multas em 2026. https://caetano.pt/blog/taxa-alcool-sangue/

Decreto-Lei n.º 291/2007, de 21 de agosto (regime do sistema de seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel, artigo 27.º — direito de regresso). Diário da República.

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