Olga Teixeira
Olga Teixeira
30 Dez, 2021 - 18:33

Aumento de preços em 2022: o que sobe com o novo ano?

Olga Teixeira

Novo ano é, quase sempre, sinal de aumento de preços. O que sobe em 2022? Há preços que se mantêm? Saiba o que fica mais caro.

Aumento de preços em 2022

O aumento de preços quando chega o novo ano é quase tão certo como as 12 badaladas. Num ano em que a inflação vai “descongelar” alguns preços, é altura de fazer contas e perceber quais as despesas que sobem em 2022.

Um ano novo traz quase sempre novos preços. Mas nem todos os aumentos significam gastar mais. Uma subida nas pensões, salários e prestações sociais, por exemplo, representa mais dinheiro no bolso.

rejeição do Orçamento do Estado pode adiar algumas subidas, mas não travou o aumento de alguns impostos. E a inflação contribui também para que pague mais por alguns produtos e serviços.

Como algumas mudanças acontecem logo no dia 1 de janeiro, saiba quais as despesas que vão pesar mais na sua carteira no ano que começa.

AUMENTO DE PREÇOS: PRODUTOS E SERVIÇOS QUE FICAM MAIS CAROS

Rendas

Se, em 2021, as rendas estiveram congeladas, em 2022 prepare-se pagar mais, embora a diferença não seja muito significativa.

O coeficiente de atualização dos diversos tipos de rendas (urbano e rural), que determina a subida das rendas, é de 1,0043.  O aumento é, assim, de 0,43%, ou seja, 0,43€ em cada 100 euros.

IMI

Se vai comprar casa própria em 2022, também vai sentir o efeito do aumento do IMI. O preço do metro quadrado para efeitos de IMI subiu para 640 euros, mais 4% do que em 2020. Este aumento reflete-se nas avaliações de imóveis a partir de 1 de janeiro, nas construções novas ou em imóveis alvo de modificação ou de reconstrução.

O valor médio de construção por metro quadrado sobe para 512 euros.  Este indicador é um dos elementos para o cálculo do Valor Patrimonial Tributário (VPT) dos imóveis, sobre o qual recai o IMI.

Eletricidade

As despesas mensais também sobem em 2022 e um desses aumentos de preços diz respeito à eletricidade.

Quem está no mercado regulado paga, em janeiro, menos 3,4% do que em dezembro de 2021. No entanto, e dado que se verificaram vários aumentos ao longo do ano estes consumidores estarão, na prática, a pagar mais 0,2% em relação ao preço médio de 2021.

No mercado liberalizado, em que as tarifas são definidas pelos comercializadores, o aumento de preços é mais significativo, já que tanto a EDP Comercial como a Galp já anunciaram aumentos. A Endesa vai manter os preços.

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Telecomunicações

No caso das telecomunicações, a existência de aumentos de preços depende da operadora. A Altice assumiu a atualização de valores, que será, no mínimo, de 50 cêntimos.

NOS e Vodafone não manifestaram a intenção de subir preços e a Nowo não vai ter aumentos.

Água

O preço da água é determinado por cada município, pelo que nem todos os consumidores podem vir a ter de pagar mais.

Na parte que cabe ao Governo foi decidido manter “as tarifas, rendimentos tarifários e outros valores aplicáveis em 2021 relativamente a um conjunto de sistemas multimunicipais de abastecimento de água e de saneamento”.

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Preço da inspeção obrigatória de automóveis 

É um dos aumentos de preços que vai pesar no orçamento de quem tem carro. A inspeção obrigatória de veículos fica mais cara devido à inflação.

A subida tem como indicador a taxa de inflação (sem habitação), referente a novembro de 2021, que foi de 0,99%.

Assim, a partir de 1 de janeiro, o valor base para os veículos ligeiros passa para 31,75 euros, enquanto a dos pesados aumenta para 47,48 euros. Motociclos, triciclos e quadriciclos passam a pagar 16 euros.

Portagens

É mais um aumento de preços devido à inflação. A 1 de janeiro entram em vigor novos preços nas portagens, que refletem a maior subida dos últimos anos.

A Brisa já anunciou aumentos de 1,57% em 28 das 93 portagens que gere. Viajar entre Porto e Lisboa, por exemplo, vai custar mais 20 cêntimos.

Se usa Via Verde para estacionar, prepare-se também para pagar mais para poder usar este serviço, mas só a partir de abril. Até lá, vai decorrer um período experimental, permitindo aos utilizadores escolher a modalidade que mais se adequa à sua situação.

Transportes

Se vive nas áreas metropolitanas do Porto ou de Lisboa continuará a pagar o mesmo valor pelo passe mensal, mas os bilhetes ocasionais sobem. A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) já anunciou uma atualização de preços de 0,57%.

Comissões bancárias

As comissões bancárias também sobem em 2022 e três bancos já anunciaram a subida.

Se tem um conta de serviços mínimos bancários pode não escapar aos aumentos. É que, segundo a lei, o valor a cobrar não pode ser superior a 1% do Indexante dos Apoios Sociais (IAS). Ora, o IAS sobe em 2022 para 443,20 euros (era de 438,81 euros em 2020 e 2021). Assim, o valor máximo aumenta para os 4,43 euros anuais.

Outras subidas

Os aumentos nos preços da energia e dos combustíveis e a escassez de algumas matérias-primas já fizeram com que muitos produtos subissem, mas a tendência deve manter-se em 2022. Pão, leite, fruta, legumes e carne tendem a aumentar nos próximos meses.

PREÇOS QUE NÃO ALTERAM

Sem aprovação do Orçamento do Estado (OE), há preços que esperam pelo novo Governo e pela aprovação de uma nova proposta. Assim, o IUC e o ISV ficam, por enquanto nos valores de 2021. Ainda assim, os veículos a gasóleo vão continuar a pagar o adicional ao IUC.

As mexidas nos escalões de IRS, previstas no OE que foi chumbado, também não se concretizam. E o Imposto do Selo, que nos últimos anos foi agravado para desencorajar o recurso ao crédito ao consumo, também não aumenta para já.   

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AUMENTOS QUE DÃO DINHEIRO

Mas nem todos os aumentos são relativos a preços, pelo que nem sempre significam menos dinheiro no bolso. Há mesmo alguns que são bem-vindos, já que representam um incremento de rendimento.

Salário mínimo

É o caso do salário mínimo, que passa para 705 euros em 2022. Este valor serve como indicador para outros preços, pelo que há várias coisas que sobem sempre que a retribuição mínima mensal garantida é aumentada.

É o que acontece, por exemplo, do teto máximo para a compensação por despedimento coletivo ou o limite máximo do Fundo de Garantia Salarial.

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IAS

O valor do IAS (Indexante dos Apoios Sociais), que estava desde 2020 nos 438,81 euros sobe, em 2022, para os 443,20 euros. Este indexante serve de referência para prestações como o RSI e o subsídio social de desemprego, mas também para o valor mínimo do subsídio de doença e isenção de taxas moderadoras.

O valor do salário mínimo determina também a percentagem do vencimento que pode ser objeto de penhora ou o valor mínimo da propina no ensino superior.

Limite mínimo do subsídio de desemprego

O limite mínimo do subsídio de desemprego sobe igualmente em 2022, passando para os  509,6 euros. Este limite, que até agora era uma medida excecional, passa a corresponder, de forma permanente, a 1,15 x IAS.

Reformas mais baixas sobem

A atualização extraordinária de pensões fica congelada devido à não aprovação do OE. Assim, verificam-se apenas as atualizações automáticas, decorrentes do valor da inflação:

  • 1% para pensões até 886 euros;
  • 0,49% para as pensões entre 886 euros e 2.659 euros;
  • 0,24% para pensões superiores a 2.659 euros.

Salários da Função Pública

Os salários da função pública sobem 0,9% em 2022, refletindo o valor da inflação. Nos casos em que o ordenado corresponde ao salário mínimo, é feita a atualização para os 705 euros.

Fontes

Diário da República Eletrónico:

  • Portaria n.º 326/2021 Fixa o valor das tarifas devidas pela realização das inspeções técnicas de veículos.
  • Aviso n.º 17989/2021 Coeficiente de atualização dos diversos tipos de arrendamento urbano e rural para vigorar no ano civil de 2022.
  • Portaria n.º 310/2021 Fixa o valor médio de construção por metro quadrado, para efeitos do artigo 39.º do Código do Imposto Municipal sobre Imóveis, a vigorar no ano de 2022.
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