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Um guia para tempos complicados
Olga Teixeira
Olga Teixeira
28 Dez, 2020 - 11:10

Aumento de preços em 2021: o que sobe com o novo ano?

Olga Teixeira

Novo ano é, quase sempre, sinal de aumento de preços. O que sobe em 2021? Há preços que se mantêm? Saiba o que fica mais caro e mais barato.

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O aumento de preços quando chega o novo ano é quase tão certo como as 12 badaladas. No entanto, nem tudo sobe.

Um ano novo traz quase sempre novos preços. Mas nem todos os aumentos significam gastar mais. Uma subida nas pensões, salários e prestações sociais, por exemplo, representa mais dinheiro no bolso.

Os preços que dependem da aprovação do Orçamento de Estado, que são atualizados anualmente ou que estão dependentes do valor da inflação são já conhecidos.

Como algumas mudanças acontecem logo no dia 1 de janeiro, saiba onde vai gastar mais e onde pode poupar em 2021.

AUMENTO DE PREÇOS: PRODUTOS E SERVIÇOS QUE FICAM MAIS CAROS

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Não são ainda conhecidos todos os aumentos de preços ou o valor de todas as subidas. No entanto, sabe-se já que alguns produtos e serviços vão mesmo ficar mais caros logo no primeiro dia do ano. 

Imposto de selo

É uma das medidas do Orçamento de Estado 2021. O Imposto de Selo associado ao crédito ao consumo sofre novo agravamento. A ideia, segundo o Governo, é desincentivar este tipo de crédito e, consequentemente, o endividamento privado.

A subida vai ser de 50% e aplica-se tanto aos novos contratos como aos já existentes. 

Tabaco

A mudança na fórmula de cálculo do Imposto sobre o Tabaco traz más notícias para quem fuma. Segundo as novas contas, e de acordo com os cálculos da consultora Deloitte, a subida do preço deverá ser de 10 cêntimos por maço.

Telecomunicações

No caso das telecomunicações, a existência de aumentos de preços depende da operadora. A Altice assumiu a atualização de valores e terá já informado os seus clientes das alterações aos tarifários.

A Vodafone não prevê aumentos e a NOS assegurou que não vai mexer nos preços no início de 2021.  

Água

O preço da água é determinado por cada município, pelo que nem todos os consumidores podem vir a ter de pagar mais. Ainda assim, algumas autarquias aprovaram um aumento de preços a partir de 1 de janeiro.

Pão 

A Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP) já admitiu um aumento de preços no novo ano.

Apesar de o preço ser livre, a associação que representa o setor já referiu que, atendendo à subida do salário mínimo e ao “aumento gradual do preço das matérias-primas”, será de prever que o pão venha a ficar mais caro.  

Leite

A subida do salário mínimo pode também refletir-se no preço do leite. Existe igualmente uma tendência ascendente nas cotações das matérias-primas para alimentação animal, o que pode encarecer este produto, mas não para já. 

Viagens no Alfa Pendular 

É uma subida já confirmada pela CP. As viagens no Alfa Pendular vão aumentar 0,5% a partir de 01 de janeiro. Assim, um bilhete de ida entre Porto e Lisboa passa a custar, a partir de 1 de janeiro, 31,90€ em classe Turística e 44,60€ em Conforto. 

A tabela com os novos preços pode ser consultada aqui. A empresa garantiu que os restantes serviços – Intercidades, InterRegionais, Regionais, Urbanos de Lisboa, Urbanos do Porto e Urbanos de Coimbra – “não terão alterações”.

Preços que não alteram

Mas nem todos os preços aumentam com a chegada do ano novo. Existem produtos e serviços cujo valor depende da inflação. Quando os valores da inflação são negativos, como aconteceu em 2020, não há subida. 

É o que acontece, por exemplo, com as rendas. O valor do coeficiente de atualização foi conhecido em outubro. O Instituto Nacional de Estatística fixou o valor em  0,9997. Quando este valor fica abaixo de 1, o aluguer não sobe.  

As portagens também não vão ficar mais caras. A existência de aumentos depende do valor da inflação homóloga (sem habitação) até 15 de novembro. Como o valor foi negativo (-0,18%), não há subida do preço.  Aliás, existem mesmo casos em que o valor vai descer devido aos descontos concedidos. É o que acontece em algumas das antigas SCUTS.

Os transportes públicos também vão manter os preços no novo ano. A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) fez saber, em finais de outubro, que como a taxa de inflação foi negativa não há mudanças nos tarifários. 

Outras alterações de preços são determinadas pelo Governo. E o Orçamento de Estado para 2021 traz boas notícias para quem tem carro. O ISV – Imposto Sobre Veículos – e ainda o IUC – Imposto Único de Circulação não sofrem alterações em 2021. 

Se está a pensar importar um automóvel até vai conseguir poupar. O Imposto Sobre Veículos (ISV) passa a ter em conta a componente ambiental, reduzindo o imposto em função do número de anos da viatura.

Preços que descem

Além de preços que se mantêm inalterados, há outros que ficam mais leves quando entra o novo ano. Vejamos o que fica mais barato em 2021.

Eletricidade

O preço da luz no mercado regulado desce 0,6% no dia 1 de janeiro. Este valor, definido pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), costuma servir como referência para o mercado liberalizado.

Devido à descida do IVA na eletricidade, que entrou em vigor em dezembro, o valor de algumas faturas pode estar já a descer. Em março entram em vigor os descontos para famílias numerosas. 

Comissões bancárias

Algumas comissões bancárias desaparecem em 2021, o que significa que vai deixar de pagar por serviços que lhe eram cobrados. 

É o caso das comissões pelo processamento da prestação nos novos contratos de crédito e das comissões pela renegociação das condições do crédito. Desaparecem também as comissões pagas pelo distrate, ou seja, pelo documento que atesta que o empréstimo está pago e que o contrato foi extinto.  

Os bancos deixam também de poder cobrar por declarações de dívida ou outras destinadas a obrigações no âmbito do acesso a apoios ou prestações sociais e serviços públicos.  

As transferências de baixo valor, como é o caso dos pagamentos e transferências até 30 euros, (desde que não seja ultrapassado o limite de 150 euros mensais e até 25 transferências por mês) também não podem ser cobradas. 

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Aumentos que dão dinheiro

Mas nem todos os aumentos são relativos a preços, pelo que nem sempre significam menos dinheiro no bolso. Há mesmo alguns que são bem-vindos, já que representam um incremento de rendimento.

Salário mínimo

É o caso do salário mínimo, que passa para 665 euros. Este valor serve como indicador para outros preços, pelo que há várias coisas que sobem sempre que a retribuição mínima mensal garantida é aumentada.

É o caso, por exemplo, do teto máximo para a compensação por despedimento coletivo ou o limite máximo do Fundo de Garantia Salarial.

O valor do salário mínimo determina também a percentagem do vencimento que pode ser objeto de penhora, o valor mínimo da propina no ensino superior ou o limite para pagamento de contribuição para a ADSE

O limite mínimo do subsídio de desemprego também sobe em 2021, passando para os  505 euros.

Reformas mais baixas sobem

Já no caso das pensões, o aumento não é para todos. Com o crescimento do PIB abaixo dos 2% e a inflação negativa, apenas as reformas mais baixas vão subir.

Assim, as pensões até 658,2 euros (1,5 x IAS) vão ter um aumento de 10 euros já janeiro. As outras não sofrem qualquer alteração.

IAS congelado

O valor do IAS (Indexante dos Apoios Sociais) também não sobe em 2021, mantendo-se nos 438,81 euros. Este indexante serve de referência para prestações como o RSI e o subsídio social de desemprego, mas também para o valor mínimo do subsídio de doença e isenção de taxas moderadoras. Se o IAS não sobe, as contas continuam a ser feitas como em 2020. 

Função pública espera aumentos

Os salários da função pública também devem subir em 2021, mas apenas no caso de quem recebe menos. No início das negociações com os sindicatos o Governo propôs  um aumento de 20 euros nos ordenados mais baixos, que passariam assim para 665 euros. As remunerações até 693 euros poderão ter um aumento de dez euros.

Fontes

Banco de Portugal Portal do Cliente Bancário Novos direitos dos clientes bancários

Diário da República Eletrónico Aviso n.º 15365/2020 Coeficiente de atualização dos diversos tipos de arrendamento urbano e rural

Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT)  Taxa de atualização tarifária para 2021

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