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Pedro Martins
Pedro Martins
28 Set, 2018 - 11:21

Número do azar: 13 carros mal-amados… Injustamente

Pedro Martins

Há veículos que não chegam a ser um sucesso de vendas injustamente. Conheça aqui 13 carros azarados que não foram sucessos comerciais e saiba o que perdeu ou está a perder.

Número do azar: 13 carros mal-amados... Injustamente

O mundo automóvel não é um mar de rosas para todas as marcas nem para todos os modelos. Por alguma razão, existem carros mal-amados pelo público, mas, muitas vezes, de forma injusta. Porque tinham uma imagem mais radical, porque pertenciam a marcas menos conceituadas ou porque a concorrência foi sempre mais forte, o mercado apresenta-nos automóveis que podem servir muito bem os nossos propósitos mas que acabam por não conseguir convencer.

O número 13 é conhecido como o número do azar (provavelmente, também um preconceito injusto…). Conheça 13 carros com muito para dar mas que nunca foram bem recebidos…

Azar? Conheça 13 carros que não caíram no gosto do consumidor

Alfa Romeo 33

Detestado por muitos, amado por outros (talvez não tantos quanto os primeiros), o Alfa Romeo 33 foi, provavelmente, um dos carros com mais má fama. Mas ainda que recordados pelos problemas mecânicos e elétricos, o Alfa 33 deixou boas memórias pela sonoridade da mecânica boxer e pela emoção que transmitia ao volante. As motorizações 1.3 e 1.5 a gasolina foram das mais populares e as versões Quadrifoglio e a unidade 1.7 marcaram as recordações de muitos alfistas.

A “vida própria” e temperamental do Alfa Romeo 33 fez com que apenas os condutores mais ligados à emoção dos automóveis italianos lhe reconhecessem méritos. O Alfa Romeo 33 foi um dos responsáveis pela aversão que muitos condutores desenvolveram relativamente à marca de Arese e que, atualmente, é injustificada. O 33 é um dos modelos mais mal-amados pelas gerações de 1960/1970 mas hoje capta a atenção de fãs de automóveis com interesse clássico. A station wagon, mais difícil de encontrar, tem um encanto estético muito próprio.

BMW Série 2 Gran Tourer

O Série 2 Gran Tourer é o carro mais mal-amado (quiçá, odiado) que a BMW lançou nos últimos anos. É provável que a marca nunca tenha lançado, sequer, um modelo tão pouco atraente aos olhos dos seus clientes. O formato XL do primeiro monovolume da BMW não caiu nas boas graças do público e, se há coisas que os compradores de automóveis (sobretudo BMW) não perdoam, é a imagem.

Enquanto o Série 2 Active Tourer foi bem recebido, a versão mais espaçosa e com possibilidade de 7 lugares parece não convencer, com uma secção traseira que foi forçada a nascer de forma não natural. As mais-valias do Gran Tourer em termos de espaço e motores modernos e económicos, tanto Diesel como gasolina, são assim desperdiçadas pela estética menos bem conseguida. Ainda que a marca o divulgue como “O grande amor da cidade”, não parece que as cidades vão na conversa. O BMW Série 2 Gran Tourer continua à venda. Quem sabe, com os clientes a fugirem como o diabo foge da cruz, não arranja um bom negócio!

 

BMW Serie 5 GT 1ª geração

O Série 5 GT, atualmente na segunda geração, não tem sido alvo da mesma atenção que outros best sellers da marca germânica, como o Série 3, o Série 5 ou os SUV (que se chamam SAV na BMW…). O primeiro Série 5 GT (Gran Turismo), produzido de 2009 a 2017, chocou com os conceitos mais tradicionais dos clientes BMW. A traseira em linha descendente e design mais abrupto não disfarçava as dimensões de um modelo que era grande e, para muitos, feio.

Mas a imagem que cortava com a restante gama da BMW era também o que dava um carisma diferente ao primeiro Série 5 GT, que se diferenciava na estrada pelo porte de navio. O espaço interior fazia daquele Série 5 quase um T0 em andamento, onde os passageiros de trás podiam cruzar as pernas sem tocarem nos bancos da frente, e a bagageira era quase um poço onde se podiam deixar uma bicicleta!

Ainda que a dinâmica ligeiramente prejudicada pelo peso fosse a justificação de muitos para não optar por este BMW, a imagem mais bruta e crua foi o principal handicap do Série 5 GT, motivo pelo qual este modelo foi um dos mais mal-amados nos últimos anos. A atual geração e o Série 3 GT, ainda que mais harmonizados, sofrem com o mesmo estigma. BMW pode ser cabrio, berlina, carrinha, SUV… tudo menos um “híbrido” mais pragmático.

 

Citroën C6

O Citroën C6 é uma peça rara nas estradas portuguesas. E enquanto o antecessor, o Citroën XM (que também poderia estar nesta lista de carros mal-amados…) suscita algum interesse nos amantes de automóveis de cariz mais clássico, parece difícil que o C6 consiga o mesmo. O Citroën C6 foi um topo de gama à grande e à francesa, confortável, espaçoso e repleto de equipamento.

Mas o preço a bater de frente com referências alemãs, como Audi A6 ou BMW Série 5, dificultava o desempenho comercial a qualquer automóvel e o Citroën C6 não foi exceção, mesmo a tratar-se de um tapete rolante. A suspensão “a la Citroën”, o perfil dinâmico e arrojado da carroçaria, a pose presidencial e os motores HDi com boa relação entre performances e consumos não chegaram a convencer os executivos lusitanos.

 

Fiat Multipla

Se houve carro apelidado de feio, foi o Fiat Multipla. A secção dianteira parecia retirada dos desenhos animados modernos, em que as sobrancelhas estão viradas ao contrário ou os olhos colocados na testa… O impacto foi tal que nem com o restyling de 2004 o Multipla conseguiu recuperar e virar o jogo das vendas a seu favor, pelo menos em Portugal. O conceito visual do Multipla não convenceu nos 12 anos em que foi produzido, de 1998 a 2010.

Mas a imagem irreverente do Multipla escondia qualidades. O habitáculo deste mal-amado monovolume caracterizava-se pela consola central virada para o condutor e pelos três bancos dianteiros, oferecendo seis lugares que podiam ser ajustados com os bancos amovíveis. O Fiat Multipla, assente na plataforma do Brava, foi elogiado por muitos pelo comportamento dinâmico, dadas as dimensões e peso, e nem o design estranho o impediu de obter prémios em meios conceituados. No ano 2000 foi eleito carro do Ano pela revista Top Gear, que o distinguiu ainda como Carro Familiar do Ano, desde aquela data até 2004.

 

Ford B-Max

O B-Max é um carro que explora o lado prático do Ford Fiesta. E se o utilitário da oval azul é um sucesso comercial (qualquer Fiesta foi um sucesso desde a primeira geração, em 1976), é difícil cruzarmo-nos nas estradas com um Ford B-Max. As portas traseiras de correr e ausência do pilar B para facilitar acesso aos lugares traseiros não foram argumentos suficientes para convencer os condutores portugueses.

O B-Max tem como base a geração do Fiesta que foi substituída este ano, o que significa qualidade na montagem, dinâmica acima da média (mesmo com as dimensões extra) e, tal como toda a gama Max da Ford, mais espaço e versatilidade.

 

Lancia Thema / Chrysler 300C

A última geração do Lancia Thema teve uma vida difícil. Esta berlina de luxo, já na nova era FCA (Fiat Chrysler Automobiles), fazia parte da estratégia para recuperar a Lancia, que tantas saudades e nostalgia deixou entre os adeptos de automóveis. Recuperando a designação Thema – uma berlina grande e potente cujos carros da primeira geração foram usados, por exemplo, pelo corpo de segurança de entidades governamentais -, o grupo italo-americano tentou desesperadamente manter a Lancia acima da linha da água.

O Thema que chegou em 2011 era um Chrysler 300C, automóvel com imagem possante, habitáculo de luxo e repleto de equipamento e motorizações V6, gasolina e Diesel. A imagem da marca não ajudou a combater os eternos reis do segmento e o Thema teve pouca procura pelos clientes executivos. Para os fãs da marca e de automóveis em geral, fica a memória do “verdadeiro” Thema, produzido até 1994 e que teve como auge a famosa versão 8.32, com motor Ferrari.

 

Mazda Demio

“Que o demio o leve” foi um dos títulos da imprensa automóvel quando o pequeno Mazda chegou a Portugal e foi sujeito à apreciação dos especialistas. Apesar de não ter sido um sucesso estrondoso de vendas, o Demio demonstrou ser um daqueles automóveis que não se medem aos palmos. Com visual discreto, o Demio juntava o conceito de espaço de um monovolume num carro de segmento B.

Como carro japonês, a simplicidade do habitáculo e a robustez na construção caracterizavam o Mazda, que foi produzido de 1996 a 2007, com um restyling em 2002. Ainda vemos alguns nas estradas portuguesas mas o Demio nunca conseguiu impor-se à concorrência europeia.

 

Porsche 928

Este foi, sem sombra de dúvida, um dos modelos mais mal-amados na história da Porsche. Para muitos amantes da marca, o 928 nunca foi um Porsche. Em 1977, o Porsche 928 rompia com aquela que é, ainda hoje, a referência da marca de Estugarda, o Porsche 911. O 928 caracterizava-se pelas óticas que se escondiam no capot, quatro lugares mais espaços que no 911, motor dianteiro e caixa montada junto do diferencial (sistema transaxle), além do comportamento desportivo e eficaz.

Ainda assim, o carro com conceito GT nunca convenceu os amantes da Porsche, apesar das excelentes performances apresentadas logo pelo modelo inicial, com um V8 em alumínio e 240 cavalos de potência. Atualmente, parece ser a aura de “patinho feio” que permitiu a entrada do 928 no mundo dos clássicos, onde já começa a ser valorizado. No seu tempo de vida, foi quase escorraçado.

 

Renault Avantime

Por falar em carros escorraçados… Definitivamente à frente do tempo, o monovolume coupe Avantime era uma autêntica nave espacial quando foi lançado, em 2001. O carro com base no Renault Espace foi obra da Matra, empresa que se dedicava a diversas áreas do sector automóvel, inclusive, competição.

O Avantime foi, provavelmente, o Renault mais mal recebido. Caracterizava-se pelo design completamente fora da caixa, com uma carroçaria que chocou os conceitos estéticos da altura. As generosas dimensões do modelo desenhado por Patrick Le Quément davam ainda mais ênfase ao traço arrojado e aos ângulos radicais na secção traseira. Sem pilar B, o acesso ao luxuoso habitáculo de quatro lugares era quase um portão de entrada de uma quinta…

O Avantime, com motores 2.0T, 3.0V6 e 2.2 Diesel, ficou para a história da Renault pela ousadia na estética e no conceito mas não pelas vendas. Teve uma vida curta, tendo estado apenas dois anos em produção. Se tivéssemos que eleger o vencedor destes 13 carros mal-amados, seria o Avantime. E se tivéssemos um Renault para exibir numa sala, seria o Avantime!

 

Renault Vel Satis

De uma assentada, o responsável de design Patrick Le Quément conseguiu desenhar dois automóveis controversos aproximadamente no mesmo período. No ano em que cessou a produção do Avantime iniciou-se a carreira do Vel Satis, uma berlina luxuosa, com tecnologia e linhas arrojadas.

O modelo que juntava os conceitos Vel(ocidade) e Satis(fação) era um salão sobre rodas, com espaço, equipamento e conforto, argumentos que batiam a maioria da concorrência da altura mas não suficientes para digerir as dificuldades impostas pelo estilo.

O primeiro automóvel Renault a oferecer cruise control adaptativo vendeu bem mais que o Avantime mas esteve sempre longe do topo das tabelas de vendas portuguesas, com a concorrência germânica e os conceitos estéticos mais conservadores a ditarem as regras de forma implacável.

 

Skoda Roomster

Ainda que vejamos alguns destes modelos no mercado de usados, o Skoda Roomster nunca foi uma das primeiras opções a considerar na hora de comprar um carro que vingava, sobretudo, pelo lado prático, numa espécie de cruzamento de carrinha com monovolume. Também neste caso, o design não ajudou muito, apesar de se tratar de um carro de espírito mais radical ou aventureiro, capaz de levar todo o material outdoor para uma aventura de fim de semana nos seus 450 litros de bagageira, que se podiam estender a 1780 litros.

O Roomster cumpria muito bem com os propósitos racionais e pragmáticos apresentados pelo marketing da marca checa. Materiais simples, montagem eficaz e espaço para dar e vender, faziam do Roomster um excelente e prático automóvel. O Roomster tinha motores a gasolina e Diesel, desde o 1.2 THP ao 1.9 TDI. Foi um dos carros mal-amados da Skoda.

 

Toyota iQ

O Toyota iQ foi um dos automóveis menos reconhecidos nos últimos anos, apesar de evoluído tecnologicamente. Apresentado em 2008 no Salão Automóvel de Genebra, o iQ foi um dos exemplos de que, por vezes, melhor não é… Melhor. O comprimento inferior a 3 metros, a versatilidade dos dois lugares que se articulavam na bagageira, a condução confortável e que deixava a sensação de estarmos ao volante de um carro maior, não convenceram os condutores dos grandes centros urbanos, ofuscados pela estratégia publicitária e invasão de um pequeno carro chamado smart.

As exigências da Toyota em construir um carro pequeno mas com custos que só vemos aplicados em carros grandes – como a colocação do radiador do ar condicionado atrás do tablier (o próprio tablier era assimétrico para aumentar o espaço interior) ou o depósito debaixo do lugar do condutor (com todas a exigências em termos de funcionamento devido à posição horizontal) – não ajudaram o iQ a combater o smart num campo fundamental: preço.

O Toyota iQ ficou em maus lençóis e não mereceu porque era, na altura, o melhor e mais evoluído citadino. No global, condução, espaço interior, equipamento, conforto e tecnologia deixavam o iQ a anos luz do smart. Em termos comerciais, a situação inverteu-se.

 

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