A Cascata de Cela Cavalos é uma das quedas de água mais conhecidas e mais bonitas do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Alimentada pelos ribeiros das Cavadas e de Cela Cavalos, forma uma queda de água cristalina que, em épocas de maior caudal, impressiona pela força e pelo volume. Na base, cria uma lagoa de águas frias e limpas que convida ao mergulho nos meses mais quentes.
Fica situada entre as aldeias de Lapela e Cela, em Montalegre, distrito de Vila Real. Ou seja, estamos no lado transmontano do Gerês (o “Gerês Transmontano”, como muitos lhe chamam), uma zona que guarda ainda muito da sua autenticidade e que fica fora dos circuitos mais movimentados do parque.
Quem a visita pela primeira vez fica frequentemente surpreendido. Vista da estrada, nada deixa adivinhar o que está escondido mais abaixo, no vale. É necessário descer pelo caminho para perceber o privilégio de ali estar.
Como chegar à cascata Cela Cavalos
A Cascata de Cela Cavalos localiza-se na zona de Outeiro. Há duas formas principais de chegar de carro até ao ponto de partida do percurso pedestre.
Opção 1, a partir de Lapela (via estrada M308): Quem vem de Cabril segue pela estrada M308 até à pequena aldeia de Lapela.
A partir daí, estaciona o carro na aldeia e segue a pé pelo caminho paralelo ao parque de estacionamento. É uma descida por estrada de terra batida com menos de dois quilómetros de extensão até à cascata, que demora entre 20 a 30 minutos.
Opção 2, a partir da aldeia de Cela: O trilho tem início junto à Capela de Santa Luzia, em Cela, e segue por um caminho de terra batida até à zona da cascata. É possível estacionar o carro na entrada da aldeia e caminhar até à capela antes de iniciar o percurso.
Antes de partir, recomenda-se descarregar o mapa offline no telemóvel. A zona tem cobertura de rede móvel limitada, e é sempre mais seguro navegar sem depender de ligação à internet.
O percurso até à cascata: ida e volta

Para quem pretende simplesmente chegar à cascata e regressar, o percurso é relativamente acessível e intuitivo.
Faz-se sempre a descer na ida por um estradão sem dificuldade técnica de maior e a subir no regresso. O trajeto de ida dura cerca de 25 minutos. A volta, já com as pernas cansadas e o calor a fazer-se sentir, aproxima-se dos 40 minutos.
É um percurso sem sombra significativa ao longo do caminho, o que, em dias de muito calor, pode torná-lo bastante exigente fisicamente, mesmo sem grandes dificuldades técnicas. Por isso, leve água suficiente e evite os momentos mais quentes do dia.
A meio do percurso existe um entroncamento. Nesse ponto, deve virar à esquerda, é o caminho certo em direção à cascata. À medida que a descida avança, começa a ouvir-se com mais intensidade o som da queda de água.
É um som que vai crescendo, e que antecipa o espetáculo que está prestes a surgir.
Quando a cascata aparece à frente, percebe-se rapidamente por que motivo tantas pessoas fazem questão de voltar.
E se quiser ir mais longe? Trilho do Poço da Dola
Para os caminhantes mais experientes e aventureiros, a visita à Cascata de Cela Cavalos pode ser o ponto de partida para um trilho muito mais exigente e grandioso, o Trilho do Poço da Dola, passando pelos Prados das Biduiças.
O percurso circular tem início e fim junto à Capela de Santa Luzia, em Cela, e percorre cerca de 16 quilómetros pelo coração da Serra do Gerês.
O tempo total, incluindo paragens, ronda as 9 horas, com aproximadamente 6 horas efetivas de caminhada e um desnível acumulado de cerca de 800 metros.
Os pontos de interesse ao longo do percurso incluem a própria Cascata de Cela Cavalos, os prados das Biduiças, miradouros com vistas para o vale, e, no ponto culminante, o Poço da Dola, uma lagoa profunda e absolutamente selvagem, uma das mais secretas e remotas do Gerês.
Este trilho tem dificuldade moderada a difícil e é recomendado apenas a pessoas com experiência em percursos de montanha.

Quando é a melhor altura para visitar
A Cascata de Cela Cavalos pode ser visitada durante todo o ano, mas há alturas claramente mais favoráveis do que outras.
Primavera (maio e junho) é, para muitos, a época ideal. O caudal da cascata é ainda significativo, a vegetação está no seu melhor momento, os dias são longos e as temperaturas ainda não atingiram os extremos do verão. A paisagem do Gerês em flor é, por si só, razão suficiente para fazer a caminhada.
Verão (julho e agosto) é a época mais procurada, sobretudo por quem quer aproveitar a lagoa da base da cascata para mergulhar. A água é fria e revigorante, uma recompensa justa após a caminhada.
O conselho é chegar de manhã cedo: além de ser mais agradável caminhar com as temperaturas mais baixas, a probabilidade de ter o local com menos pessoas é muito maior.
Outono e inverno trazem um Gerês mais bruto e dramático, com a cascata a ganhar força e volume. No entanto, o acesso pode ser mais difícil e a caminhada mais exigente, especialmente se o piso estiver molhado e escorregadio.
O que levar na mochila
A Cascata de Cela Cavalos não conta com qualquer infraestrutura de apoio nas proximidades. Não há cafés, restaurantes ou casas de banho públicas. A preparação é, por isso, da inteira responsabilidade de quem vai.
- Calçado adequado para caminhada, com boa aderência. Sandálias ou sapatilhas de rua não são recomendadas, especialmente se o piso estiver húmido.
- Água suficiente para toda a caminhada e para o tempo de permanência na cascata. Mais do que julgaria necessário, tendo em conta a exposição solar.
- Fato de banho e toalha, se a visita for nos meses mais quentes, a lagoa da base convida ao mergulho.
- Proteção solar e chapéu, dado que o percurso tem muito pouca sombra.
- Telemóvel carregado com mapa offline descarregado previamente.
- Saco para o lixo, todo o lixo, incluindo orgânico, deve sair com quem entrou.
Seja numa escapadinha de fim de semana, seja integrada num percurso mais longo que inclua o Poço da Dola ou outras cascatas da região, a visita a Cela Cavalos ficará na memória.